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quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Mendonça manda soltar o filho do Careca do INSS preso na Operação Sem Desconto

Decisão do ministro André Mendonça substitui regime fechado por monitoramento eletrônico e bloqueio de acesso a órgãos públicos federais; empresário Antônio Carlos, o "Careca do INSS", permanece detido.

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), revogou nesta quarta-feira (9) a prisão preventiva de Romeu Carvalho Antunes, alvo central da Operação Sem Desconto — investigação da Polícia Federal que apura um esquema sistemático de descontos associativos fraudulentos incidentes sobre folhas de pagamento de aposentadorias e pensões do INSS.

Antunes estava custodiado preventivamente desde 18 de dezembro de 2025. Ele é filho de Antônio Carlos Camilo Antunes, apontado pelas investigações como operador de destaque sob a alcunha de "Careca do INSS", cuja prisão preventiva segue mantida.

Ao afastar o encarceramento, o relator impôs um conjunto de medidas alternativas voltadas a neutralizar a capacidade operacional do investigado e blindar a apuração em curso, como o monitoramento e retenção, além da restrição territorial e o isolamento de fontes.

A decisão monocrática de Mendonça contraria a manifestação formal da Procuradoria-Geral da República (PGR). O órgão ministerial sustentou perante a Suprema Corte que a manutenção da prisão preventiva era indispensável, apontando a gravidade concreta das fraudes contra beneficiários da Previdência Social e o risco tangível de reiteração criminosa e interferência na instrução penal caso o investigado deixasse a prisão. 

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Fachin intima Mendonça a explicar afastamento do diretor-geral da PF após pedido da AGU

                 O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, determinou que o ministro André Mendonça se manifeste, em até 72 horas, sobre o pedido da Advocacia-Geral da União (AGU) para anular o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

A AGU sustenta que a decisão interfere em uma competência constitucional exclusiva do presidente da República: a escolha, manutenção ou substituição de integrantes da cúpula da Polícia Federal.

O pedido foi apresentado após Mendonça levar o caso à Segunda Turma do STF, que formou maioria para validar o afastamento. Para a AGU, porém, a medida teria sido tomada de forma prematura e sem observância do chamado juízo natural.

Na manifestação encaminhada ao Supremo, o governo argumenta que o afastamento produz efeitos diretos sobre a estrutura e o comando de um órgão da Administração Pública Federal, limitando temporariamente a prerrogativa presidencial de definir sua direção.

Com a intimação de Fachin, Mendonça terá agora 72 horas para apresentar sua manifestação. O posicionamento poderá influenciar os próximos passos do processo e a discussão sobre os limites entre as decisões judiciais e as competências constitucionais do chefe do Executivo na condução da Polícia Federal. 

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domingo, 6 de setembro de 2026

TRE-PR cobra explicações de Dallagnol sobre vazamento de dados fiscais de Zanin

              O presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), desembargador Luciano Carrasco Falavinha Souza, determinou que Deltan Dallagnol (Novo), candidato ao Senado pelo Paraná, apresente, em até 24 horas, esclarecimentos sobre o vazamento de dados fiscais sigilosos do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A determinação foi divulgada em nota oficial publicada pelo TRE-PR na tarde deste sábado (5). O caso veio a público após reportagem do Metrópoles, assinada pelo colunista Demétrio Vecchioli, revelar que documentos com informações fiscais de Zanin e de familiares foram disponibilizados em um processo eleitoral.

Segundo o tribunal, o episódio foi encaminhado ao Ministério Público para que sejam adotadas as “providências cabíveis” em relação ao vazamento de dados fiscais protegidos por sigilo. O TRE-PR também determinou a atribuição imediata de sigilo aos documentos do processo, que reúne mais de 5 mil páginas.

Entre os arquivos estão informações financeiras referentes ao ministro Cristiano Zanin, à esposa, ao sogro, a uma cunhada e ao escritório da família, relativas ao período de 2014 a 2017.

De acordo com a apuração publicada pelo Metrópoles, os documentos foram baixados pelo próprio Dallagnol de um processo que tramita contra ele no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). Posteriormente, o material teria sido juntado ao processo eleitoral sem a indicação de que continha dados fiscais protegidos de terceiros.

Em sua manifestação, o TRE-PR destacou que o protocolo de documentos no Processo Judicial Eletrônico (PJe) é realizado pelos próprios advogados das partes, que têm a responsabilidade de atribuir o grau de sigilo adequado aos arquivos apresentados.

A decisão coloca o caso sob análise da Justiça Eleitoral e do Ministério Público, enquanto Dallagnol deverá apresentar os esclarecimentos dentro do prazo estabelecido pelo presidente do TRE-PR. 

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Gilmar Mendes propõe barrar delegados da PF em gabinetes de ministros do STF

Sugestão de mudança no regimento ganha força após relatório da PF revelar conversas de Daniel Vorcaro com Alexandre de Moraes

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), apresentou ao presidente da Corte, Edson Fachin, uma proposta para alterar o regimento interno do tribunal e restringir a atuação de integrantes das carreiras policiais nos gabinetes dos ministros.

A medida prevê a proibição da nomeação ou cessão de militares das Forças Armadas e servidores das carreiras policiais previstas na Constituição para cargos comissionados ou funções de confiança nos gabinetes do STF.

Pela proposta, a única exceção seria para atividades de segurança. Mesmo nesses casos, os servidores ficariam impedidos de participar da instrução de inquéritos e processos ou de exercer funções de assessoramento jurídico.

A iniciativa ganhou força após a divulgação de um relatório da Polícia Federal que reuniu mensagens trocadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, com autoridades, entre elas o ministro Alexandre de Moraes.

Atualmente, quatro delegados da Polícia Federal estão cedidos ao Supremo. Dois trabalham no gabinete do ministro André Mendonça, onde atuam em investigações relacionadas ao Banco Master e ao caso dos descontos indevidos envolvendo aposentados do INSS. Outros dois estão lotados no gabinete de Moraes.

A proposta de Gilmar Mendes, no entanto, não surgiu exclusivamente em razão do episódio recente. Segundo as informações divulgadas, o ministro já havia defendido anteriormente uma alteração semelhante no funcionamento dos gabinetes do STF.

O contexto atual, porém, aumentou a relevância da discussão justamente por envolver a presença de delegados da PF em gabinetes diretamente relacionados a investigações de grande repercussão.

Para que a mudança entre em vigor, a alteração no regimento interno precisa ser aprovada pelos próprios ministros do Supremo em sessão administrativa.

O debate coloca em discussão os limites da participação de integrantes da Polícia Federal na estrutura interna da Corte, especialmente quando esses servidores atuam em atividades relacionadas à produção de informações e instrução de investigações.

A proposta ainda será analisada pelos ministros e poderá provocar novas discussões sobre a separação entre as funções de investigação policial, assessoramento e atuação jurisdicional dentro do STF.

Em meio às controvérsias envolvendo o Banco Master e as relações entre autoridades públicas e o banqueiro Daniel Vorcaro, a iniciativa de Gilmar Mendes acrescenta um novo capítulo à crise e coloca sob os holofotes a própria estrutura de apoio investigativo existente nos gabinetes da Suprema Corte. 

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sábado, 5 de setembro de 2026

PGR pede apuração sobre possível interferência de André Mendonça em investigação da PF

              A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, a abertura de uma apuração para verificar uma possível interferência externa na elaboração de um relatório da Polícia Federal determinado pelo ministro André Mendonça.

O documento, de 218 páginas, reúne mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e autoridades. Entre os nomes mencionados estão os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

Segundo Gonet, a decisão que determinou a elaboração do relatório não foi comunicada ao Ministério Público. Para a PGR, a ausência de conhecimento teria impedido o órgão de exercer o controle externo sobre a atividade policial.

No ofício encaminhado a Fachin, Gonet solicita que seja investigada a “possível ocorrência de ordem ou interferência externa” na elaboração do documento e se eventual interferência teria comprometido seu conteúdo.

A manifestação ocorre em meio à crescente repercussão das mensagens encontradas na investigação envolvendo o Banco Master e seu controlador, Daniel Vorcaro.

O relatório da PF também trouxe à tona conversas entre Vorcaro e autoridades. Entre elas estão diálogos envolvendo Paulo Gonet, que, segundo as informações apresentadas, teria demonstrado proximidade com o banqueiro e aceitado convite para um encontro em Londres envolvendo degustação de uísque e charutos.

O Conselho Superior do Ministério Público Federal também abriu procedimento para analisar a conduta de Gonet, após pedido apresentado pelo Partido Novo.

Outro núcleo de apuração envolve o ministro Alexandre de Moraes. Segundo o relatório da PF, mensagens e documentos fazem referência a um contrato de R$ 129 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.

O material também registra uma conversa na qual Vorcaro teria procurado Moraes dois dias antes de sua prisão para perguntar se deveria deixar o país e pedir auxílio junto ao diretor-geral da Polícia Federal e ao procurador-geral da República.

O caso coloca sob análise simultânea a atuação de integrantes do STF, da PGR e da Polícia Federal e amplia a pressão por esclarecimentos sobre os limites da atuação de magistrados em investigações policiais.

Fachin havia determinado que a PGR, André Mendonça, Alexandre de Moraes e a Polícia Federal apresentassem manifestações sobre o episódio no prazo de cinco dias.

A apuração agora deverá esclarecer como o relatório foi produzido, quais determinações foram dadas à Polícia Federal e se houve interferência externa capaz de comprometer a autonomia ou o conteúdo da investigação.

Enquanto as instituições analisam os fatos, o caso do Banco Master amplia sua dimensão e passa a envolver, além das suspeitas relacionadas ao sistema financeiro, questionamentos sobre a atuação e as relações entre algumas das principais autoridades da República. 

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sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Vorcaro teria destinado R$ 5 milhões a campanhas de Bolsonaro e Tarcísio

           O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, teria destinado R$ 3 milhões à campanha de Jair Bolsonaro (PL) à Presidência da República em 2022 e outros R$ 2 milhões à campanha de Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao Governo de São Paulo.

As informações constam, segundo reportagem do Correio, de uma proposta de delação apresentada por Vorcaro. De acordo com o documento, os repasses teriam sido realizados como “contrapartidas financeiras” após um suposto “ajuste indevido” envolvendo Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD e atual vice na chapa de Ronaldo Caiado na disputa presidencial.

Ainda conforme o conteúdo atribuído à proposta de delação, os pagamentos estariam relacionados à suposta manutenção do Credcesta no governo paulista.

O produto funciona como uma modalidade de crédito consignado destinada a servidores públicos e é operado pela PKL One Participações, empresa ligada a familiares de Augusto Lima, sócio de Vorcaro.

A alegação apresentada no documento é de que os recursos teriam funcionado como uma compensação pela permanência do produto durante a gestão de Tarcísio de Freitas.

Os valores mencionados na proposta de delação também constariam das prestações de contas eleitorais disponíveis na base do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Segundo a reportagem, os pagamentos foram realizados por Fabiano Campos Zettel, apontado como operador ligado a Vorcaro.

As informações, no entanto, fazem parte de uma alegação apresentada em uma proposta de delação e não representam, por si só, comprovação definitiva das acusações. Eventuais responsabilidades deverão ser apuradas pelas autoridades competentes.

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quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Fachin pede esclarecimentos a Moraes, Mendonça, PGR e PF sobre relatório envolvendo Banco Master

             O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, determinou que os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, prestem esclarecimentos sobre fatos relacionados ao relatório da PF que apontou uma relação entre Moraes e Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Os quatro terão cinco dias úteis para apresentar as informações solicitadas. Antes da decisão, Fachin autuou o relatório da Polícia Federal como uma petição no STF e indicou que pretende analisar pontos específicos antes de decidir se o caso deverá ser submetido ao plenário da Corte.

Mendonça, relator das investigações envolvendo as fraudes do Banco Master, havia pedido que os indícios relacionados a Moraes fossem incluídos na pauta de julgamentos do Supremo. A intenção é que os ministros decidam, de forma colegiada, se existem elementos para a abertura de um inquérito contra o colega.

Na decisão, Fachin afirmou que a Presidência do STF deve assegurar que uma eventual análise pelo colegiado ocorra com cautela e respeito às garantias constitucionais.

“Cabe à presidência do tribunal zelar para que a possível apreciação colegiada seja feita, a tempo e modo, com o elevado senso de responsabilidade que os fatos reclamam”, escreveu.

Entre os pontos que deverão ser esclarecidos está a existência de eventual acesso indevido às investigações enquanto ainda estavam em andamento, além da forma como as pessoas citadas no relatório da PF foram identificadas e incluídas na apuração.

A determinação de Fachin ocorre após parecer da Procuradoria-Geral da República recomendar o arquivamento do relatório e a nulidade das provas, o que, segundo o presidente do STF, deixou questões que precisam ser esclarecidas antes de uma decisão sobre o futuro do caso.

A movimentação no STF ganhou ainda mais repercussão porque ocorreu pouco depois de Alexandre de Moraes informar que havia identificado indícios de crimes atribuídos a André Mendonça e encaminhado a Fachin pedido para investigá-lo.

Moraes aponta que Mendonça teria agido por “motivos pessoais e políticos” ao supostamente direcionar a Polícia Federal para obter informações contra ele. Entre os fatos apontados estão suspeitas de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade.

Com as duas frentes agora sob análise da Presidência do Supremo, Fachin busca delimitar os fatos e reunir esclarecimentos antes de decidir se os casos deverão avançar para uma apreciação coletiva pelos ministros da Corte. 

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terça-feira, 1 de setembro de 2026

Filhos de Alexandre de Moraes receberam cartões de R$ 300 mil do Banco Master, diz jornal

Mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro indicam que banqueiro autorizou emissão dos cartões para Giuliana e Alexandre Barci de Moraes

O Banco Master teria emitido, em outubro de 2025, dois cartões de crédito com limite de R$ 300 mil cada para Giuliana e Alexandre Barci de Moraes, filhos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. As informações foram divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Segundo a publicação, a solicitação partiu do escritório Barci de Moraes, comandado por Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. O escritório mantinha, à época, um contrato de R$ 131 milhões com o Banco Master, de Daniel Vorcaro.

Mensagens extraídas do celular de Vorcaro indicariam que o próprio banqueiro autorizou a emissão dos cartões. Os diálogos ocorreram em 2 de outubro de 2025, cerca de duas semanas antes da prisão de Vorcaro no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos.

Na ocasião, Guilherme de Toledo Benazzi, administrador do escritório Barci de Moraes, entrou em contato com Vorcaro para tratar dos cartões.

“Bom dia Daniel, é o Guilherme, que trabalha com a Viviane, tudo bom? Quer me passar algum contato para falar a respeito do cartão de crédito da Giuliana e Alexandre?”, escreveu Benazzi, conforme as mensagens divulgadas pelo Estadão.

Vorcaro encaminhou o contato de Adriana Solano, então superintendente executiva comercial do Banco Master, para dar prosseguimento à solicitação.

Horas depois, Solano teria procurado o banqueiro para confirmar a autorização. Segundo o conteúdo das mensagens, ela informou que havia sido procurada pelo administrador do escritório para emitir cartões para os filhos de Viviane, com limite de R$ 300 mil para cada um.

“Posso seguir?”, questionou a executiva.

“Ok”, respondeu Vorcaro, de acordo com as mensagens.

A emissão dos cartões ocorre no contexto de uma relação comercial entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes. Segundo o Estadão, o escritório mantinha um contrato avaliado em R$ 131 milhões com a instituição financeira.

O caso ganha repercussão por envolver familiares de um ministro do STF e uma instituição financeira que posteriormente passou a ser alvo de investigações.

O Estadão informou ter procurado o escritório Barci de Moraes e Alexandre de Moraes para obter esclarecimentos sobre os cartões e as conversas atribuídas a Vorcaro. No material divulgado, entretanto, não consta manifestação dos envolvidos. 

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segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Flávio Dino autoriza PF a acessar investigação sobre produtora de filme que retrata Bolsonaro

Caso envolve contratos da Go Up Entertainment, responsável pela produção de “Dark Horse”, e repasses de R$ 2 milhões por meio de emendas parlamentares

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta segunda-feira (24) que a Polícia Federal (PF) tenha acesso aos dados de uma investigação envolvendo a produtora audiovisual Go Up Entertainment, responsável pelas gravações do filme Dark Horse, cinebiografia que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A decisão atende a um pedido da Polícia Federal para acessar informações obtidas em uma operação conduzida pela Polícia Civil de São Paulo, que apura contratos firmados pela produtora com a Prefeitura de São Paulo.

O caso também envolve o envio de emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil, entidade ligada à produtora audiovisual. A destinação dos recursos passou a ser investigada pelo Supremo após questionamentos sobre um possível desvio de finalidade na aplicação de R$ 2 milhões.

Os valores foram destinados ao instituto por meio de emendas parlamentares do deputado federal Mário Frias (PL-SP).

A investigação chegou ao STF a partir de uma representação apresentada pela deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP). Com a relatoria do caso sob responsabilidade do ministro Flávio Dino, foram determinadas medidas para ampliar o acesso às informações consideradas relevantes para o esclarecimento dos fatos.

A autorização concedida nesta segunda-feira permite que a Polícia Federal examine os elementos reunidos pela Polícia Civil paulista na apuração sobre os contratos da Go Up Entertainment, possibilitando o cruzamento de informações entre as investigações.

A produção de Dark Horse, que retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro, ganhou maior repercussão após reportagem do site The Intercept revelar que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria solicitado recursos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar as gravações do filme.

A revelação ampliou o debate sobre a origem dos recursos relacionados à produção audiovisual e sobre as conexões entre os envolvidos no projeto e os repasses públicos destinados ao Instituto Conhecer Brasil.

A investigação segue em andamento e busca esclarecer a regularidade da destinação das emendas parlamentares, os vínculos entre o instituto e a produtora e outros elementos que possam surgir a partir da análise dos dados agora liberados à Polícia Federal.

Até o momento, a autorização do STF representa mais uma etapa no aprofundamento das apurações, sem antecipação de conclusões sobre eventuais responsabilidades dos envolvidos. 

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domingo, 23 de agosto de 2026

Flávio Dino anula emendas indicadas por presidentes de partidos e ex-parlamentares

Ministro do STF determina que qualquer indicação feita por quem não possui competência constitucional ou legal é nula e não pode resultar em execução de despesa pública

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu neste domingo (23) que emendas parlamentares que tenham tido a participação de presidentes de partidos políticos ou ex-parlamentares em sua indicação são juridicamente nulas e não podem ser utilizadas para a execução de despesas públicas.

A decisão monocrática estabelece que a nulidade permanece mesmo quando a indicação tenha sido posteriormente referendada por um parlamentar com competência formal para apresentar emendas. Para Dino, a intervenção posterior não é suficiente para validar um ato praticado originalmente por quem não possui prerrogativa constitucional ou legal para destinar recursos públicos.

“Qualquer ato, tabela, expediente, comunicação, planilha, ofício ou solicitação que pretenda atribuir a presidente de partido político ou a ex-parlamentar a autoria, titularidade ou poder de indicação sobre emenda parlamentar deve ser considerado juridicamente inidôneo e revestido de nulidade absoluta, não podendo servir de fundamento para a prática de atos administrativos destinados à execução da despesa pública”, escreveu o ministro.

Na decisão, Flávio Dino reforçou que as exigências de transparência e rastreabilidade na destinação das emendas parlamentares não podem ser tratadas apenas como formalidades burocráticas.

Segundo o ministro, permitir que um parlamentar valide posteriormente uma indicação feita por um agente sem competência legal poderia abrir espaço para a tentativa de regularização de atos considerados irregulares desde a origem.

“A intervenção posterior de parlamentar competente não pode funcionar como mecanismo de convalidação de indicação originariamente formulada por quem jamais dispôs de competência constitucional ou legal para fazê-la”, afirmou.

Dino também alertou que o descumprimento da decisão poderá resultar em novas apurações.

O ministro determinou ainda que os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal deem “imediata e ampla ciência” da decisão aos órgãos técnicos, assessorias, servidores e demais agentes envolvidos no processamento das indicações de emendas parlamentares.

De acordo com Dino, os próprios partidos políticos que foram chamados a se manifestar no processo não reconheceram que seus presidentes tenham competência para “indicar, distribuir ou alocar emendas parlamentares”.

As exceções, segundo a decisão, foram o Podemos e o Solidariedade, que não apresentaram manifestação dentro do prazo inicial. Agora, por determinação do ministro, as duas siglas terão cinco dias úteis para responder, sob pena de multa diária de R$ 100 mil.

O novo despacho se soma a outras decisões adotadas por Flávio Dino no âmbito das investigações relacionadas à destinação e à execução de emendas parlamentares.

Em julho, o ministro determinou o bloqueio de bens do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. As medidas foram tomadas em processos que apuram suspeitas de desvios envolvendo recursos oriundos de emendas parlamentares.

A decisão deste domingo reforça o entendimento do STF de que a autoria e a responsabilidade pela indicação dos recursos devem ser claramente identificadas, ampliando a pressão por maior controle, transparência e rastreabilidade sobre o chamado orçamento parlamentar. 

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sábado, 1 de agosto de 2026

STF restabelece decisão do TCE-PE e volta a suspender licitação de R$ 399 milhões das escolas estaduais

               O Supremo Tribunal Federal (STF) restabeleceu a competência do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) e tornou novamente sem efeito a decisão do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) que havia autorizado a continuidade do Pregão Eletrônico nº 0153/2026, destinado à contratação de serviços de manutenção das escolas da rede estadual.

A decisão foi assinada nesta sexta-feira (31) pelo ministro Alexandre de Moraes, no exercício da Presidência do STF, atendendo ao pedido apresentado pelo Tribunal de Contas. Com isso, o processo licitatório, estimado inicialmente em R$ 399,4 milhões, permanece oficialmente suspenso até nova deliberação.

Na manifestação encaminhada ao Supremo, o TCE-PE sustentou que a atuação do Judiciário sobre decisões da Corte de Contas deve se limitar ao controle de legalidade, sem interferir no mérito técnico das auditorias e fiscalizações. O órgão também defendeu a preservação de sua competência constitucional para suspender procedimentos licitatórios quando identificar indícios de irregularidades ou risco de prejuízo ao erário.

Ao fundamentar a decisão, Alexandre de Moraes destacou que a medida cautelar adotada pelo Tribunal de Contas apresenta justificativa técnica suficiente para impedir eventual má aplicação de recursos públicos. Segundo o ministro, a decisão do TCE-PE "exibe consistente fundamentação, no sentido da adequação da providência adotada, para evitar a má aplicação dos recursos públicos".

A suspensão do pregão, no entanto, não compromete a execução dos serviços essenciais nas unidades de ensino. O próprio Tribunal de Contas já havia autorizado a continuidade do contrato atualmente em vigor, garantindo a realização de reparos emergenciais e da manutenção rotineira da infraestrutura das escolas estaduais.

Durante a disputa judicial, o Governo de Pernambuco argumentou que a concorrência entre as empresas reduziu o valor da contratação para aproximadamente R$ 198 milhões e defendeu que a nova licitação é necessária para assegurar a manutenção da rede estadual de ensino.

Com a decisão do STF, o Governo do Estado deverá aguardar a conclusão da Auditoria Especial em andamento no Tribunal de Contas ou promover ajustes no projeto licitatório para que o processo possa ser novamente analisado. 

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sábado, 18 de julho de 2026

Moraes nega pedido de Bolsonaro para receber Javier Milei durante prisão domiciliar

             O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou o pedido apresentado pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para receber, em sua residência, o presidente da Argentina, Javier Milei, e integrantes da comitiva oficial argentina. A visita estava prevista para ocorrer no próximo dia 25, às 16h.

Na decisão, Moraes fundamentou que permanecem válidas as restrições impostas ao ex-presidente, que cumpre prisão domiciliar por determinação do STF. Entre elas está a suspensão de visitas por 30 dias, excetuando-se apenas atendimentos médicos, fisioterapêuticos e encontros com advogados.

Segundo o ministro, a autorização solicitada pela defesa fica prejudicada em razão das medidas cautelares atualmente em vigor.

Na última sexta-feira (17), Alexandre de Moraes decidiu manter Jair Bolsonaro em prisão domiciliar e concluiu que o ex-presidente descumpriu determinações judiciais relacionadas à proibição de manifestações públicas.

O entendimento do ministro ocorreu após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgar nas redes sociais uma carta atribuída ao ex-presidente, na qual Bolsonaro o apresenta como seu porta-voz político.

A defesa alegou que Bolsonaro desconhecia a intenção de tornar o documento público e que não havia autorizado sua divulgação. Moraes, contudo, rejeitou a justificativa e manteve as restrições anteriormente impostas.

Ao solicitar a autorização para a visita do presidente argentino, os advogados de Bolsonaro sustentaram que a suspensão das visitas havia sido inicialmente motivada pelo quadro de recuperação de uma broncopneumonia, exigindo ambiente controlado para evitar complicações de saúde.

Segundo a defesa, essa condição teria caráter temporário, motivo pelo qual pediu uma autorização excepcional para o encontro com Milei, ressaltando tratar-se de uma visita institucional previamente comunicada e de curta duração.

Os advogados argumentaram ainda que o encontro permaneceria submetido ao controle e à autorização do Supremo Tribunal Federal.

Além do presidente Javier Milei, a defesa informou que participariam da visita a secretária-geral da Presidência da Argentina, Karina Milei, irmã do presidente argentino; o ministro das Relações Exteriores, Pablo Quirino, além de um intérprete.

Milei já havia declarado publicamente que pretende viajar ao Brasil para manifestar apoio à pré-candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro e visitar o ex-presidente durante o período de prisão domiciliar.

Com a decisão do STF, a visita não poderá ocorrer enquanto permanecer vigente a restrição judicial que suspende o recebimento de visitantes não autorizados nas exceções previstas pela Corte. 

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segunda-feira, 13 de julho de 2026

Operação federal resgata trabalhadores de condições análogas à escravidão em Pernambuco

Ação da Auditoria-Fiscal do Trabalho (AFT) flagrou alojamentos degradantes, falta de água potável e uso irregular de explosivos em obras ligadas à Prefeitura de Santa Cruz. Empresa com sede em Petrolina é o alvo da autuação.

Uma operação de combate ao trabalho análogo à escravidão, cujos resultados foram divulgados nesta segunda-feira (13), revelou uma realidade alarmante nos canteiros de obras públicas do Sertão nordestino. Ao todo, 29 trabalhadores foram resgatados em Pernambuco e na Bahia, sendo nove deles no município pernambucano de Santa Cruz.

Em Pernambuco, o alvo da operação foi a Rocha Quirino Engenharia Ltda, empresa com sede em Petrolina. A Auditoria-Fiscal do Trabalho (AFT) inspecionou duas frentes de atuação da construtora no município de Santa Cruz: uma obra de pavimentação em paralelepípedos no bairro Vila Nova e uma pedreira localizada no Sítio Antonica. Ambas as frentes estão diretamente vinculadas ao contrato 048/2024, firmado entre a empresa e a Prefeitura Municipal de Santa Cruz, cujo objetivo é a implantação de pavimentação em vias urbanas.

O cenário encontrado pelos auditores expõe graves violações de direitos humanos e trabalhistas. Os profissionais, que atuavam no assentamento de pavimentos e na extração de pedras, foram submetidos a condições de moradia e trabalho incompatíveis com a dignidade humana.

Segundo o relatório da AFT, os alojamentos eram superlotados e não ofereciam qualquer privacidade. Os trabalhadores dormiam em colchões jogados diretamente no chão. Nas pedreiras, a situação era ainda mais precária: os abrigos improvisados consistiam em casebres e barracos de lona.

Além da infraestrutura habitacional insalubre, as frentes de trabalho careciam de estrutura básica. Faltava água potável, instalações sanitárias adequadas e áreas de vivência. Os auditores flagraram ainda um risco iminente de acidentes fatais: explosivos artesanais estavam sendo manuseados por trabalhadores sem qualquer tipo de habilitação ou equipamento de segurança.

A ofensiva, realizada entre os dias 30 de junho e 8 de julho, autuou três empresas de construção civil que prestavam serviços para entes públicos. Além das nove vítimas resgatadas em Santa Cruz (PE), a força-tarefa libertou 13 trabalhadores em Casa Nova e outros sete no município de Sento-Sé, ambos no estado da Bahia.

As empresas envolvidas responderão administrativamente e judicialmente pelas infrações, devendo arcar com o pagamento das verbas rescisórias e indenizações por danos morais aos trabalhadores resgatados. 

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domingo, 12 de julho de 2026

Justiça condena acusadas de assassinar jovem após discussão em redes sociais em Vitória de Santo Antão

              O Tribunal do Júri de Vitória de Santo Antão (PE) condenou, na última sexta-feira (10), Thaíssa da Silva Maximiano e Larissa pelo homicídio qualificado de Maryane Izabelle da Silva Santos, de 22 anos. O crime ocorreu em 8 de junho de 2025, motivado por desentendimentos virtuais.

O Conselho de Sentença acatou a denúncia do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) e definiu as seguintes penas:

  • Thaíssa da Silva Maximiano ("Boneca do Mal"): 19 anos de prisão.
  • Larissa ("Gatinha do Mal"): 17 anos de reclusão.

A investigação da Polícia Civil apontou que a vítima e Thaíssa eram amigas de infância, mas romperam relações após trocas de acusações na internet. No dia do homicídio, Maryane foi à casa de Thaíssa para tirar satisfações sobre uma postagem.

De acordo com os autos, o crime ocorreu com a participação direta de ambas as condenadas:

  • Larissa entregou a faca para Thaíssa e impediu que o ex-companheiro da vítima intervisse na briga.
  • Thaíssa desferiu o golpe fatal nas costas de Maryane.

A vítima foi levada ao Hospital João Murilo de Oliveira, mas não resistiu.

Durante a sessão, a defesa argumentou insuficiência de provas materiais, sustentando que os depoimentos colhidos não justificariam a condenação. No entanto, o MPPE defendeu que a participação de Larissa (fornecendo a arma e impedindo o socorro) a torna coautora do homicídio, tese que foi integralmente aceita pelos jurados. 

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