Sindicância
apontou uso de armas da corporação durante deslocamentos da influenciadora;
militares receberam penas de detenção
Dois
policiais militares de Pernambuco foram punidos com detenção após uma
investigação administrativa concluir que eles atuaram como motoristas e fizeram
a segurança da influenciadora Deolane Bezerra em diferentes deslocamentos pelo
Estado. O caso foi apurado durante dois anos e teve origem após a prisão da
influenciadora, em setembro de 2024, durante a Operação Integration.
Segundo
o relatório da sindicância administrativa disciplinar, os militares atuaram
armados durante os deslocamentos de Deolane por várias cidades pernambucanas,
inclusive em horários de madrugada.
Os
envolvidos são o 2º sargento Eduardo de Miranda Mendes, do 19º Batalhão da
PMPE, e o 3º sargento Willney Bezerra Matias da Silva, do Batalhão de Polícia
Rodoviária. No dia da deflagração da Operação Integration, os dois foram
conduzidos ao Departamento de Repressão aos Crimes Patrimoniais (Depatri), no
Recife, onde confirmaram que realizavam os deslocamentos da influenciadora.
Em
depoimento, Eduardo afirmou que recebeu o convite do marido de uma prima de
Deolane para “dar um apoio” nos deslocamentos. Segundo os autos, o policial
disse ter aceitado com a expectativa de estabelecer contatos que poderiam
contribuir para futuras promoções profissionais.
Willney
apresentou justificativa semelhante. De acordo com a sindicância, ele afirmou
que enxergava na atividade uma oportunidade de “networking” e de conhecer
pessoas que poderiam ajudá-lo na carreira.
Os
dois militares negaram ter recebido pagamento pelo trabalho. Ainda assim, a
apuração considerou irregular a atividade, independentemente da existência de
remuneração.
Um
dos pontos centrais da investigação foi o fato de os policiais portarem armas
de fogo pertencentes à Polícia Militar durante os deslocamentos.
A
defesa argumentou que os militares mantinham o porte das armas inclusive
durante as folgas por questões relacionadas à própria segurança. A decisão
administrativa, porém, considerou que o armamento da corporação foi utilizado
fora de suas finalidades institucionais.
Segundo
a decisão do subcomandante-geral da PMPE, coronel Cláudio Ricardo Lopes, a
atividade também comprometeria a dedicação integral exigida dos policiais e a
imagem institucional da corporação.
Ao
final do procedimento administrativo, Eduardo de Miranda Mendes recebeu 25 dias
de detenção, enquanto Willney Bezerra Matias da Silva foi punido com 30 dias.
Conforme informações divulgadas sobre o caso, os dois ainda podem recorrer da
decisão.
A
investigação administrativa não se confunde com a apuração criminal relacionada
à Operação Integration. O procedimento que resultou nas punições dos policiais
concentrou-se na atuação funcional dos militares e no exercício considerado
irregular de atividade de segurança privada.
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