A
criação do grupo foi oficializada por meio de uma portaria publicada na
sexta-feira (6), assinada pelo secretário Alessandro Carvalho. A iniciativa
surge em meio ao aumento dos índices de feminicídio registrados no estado ao
longo de 2025, cenário que acompanha uma tendência observada em diversas
regiões do país.
Segundo
dados da própria SDS, Pernambuco contabilizou 88 vítimas de feminicídio em
2025. O número representa um crescimento de 15,7% em relação a 2024, quando
foram registrados 76 casos. A escalada da violência também se manteve no início
deste ano: apenas em janeiro de 2026, dez mulheres foram assassinadas por
razões de gênero, dois casos a mais do que no mesmo período do ano anterior.
No
documento que regulamenta a criação do grupo, o secretário destacou a
necessidade de fortalecer as políticas públicas voltadas ao enfrentamento da
violência contra a mulher. O texto ressalta a importância de ampliar mecanismos
de prevenção, qualificar as ações repressivas e aperfeiçoar os protocolos
operacionais utilizados pelas forças de segurança.
Entre
as atribuições da força-tarefa está a elaboração de um diagnóstico permanente
sobre a violência de gênero no estado. O estudo deverá reunir estatísticas
oficiais, relatórios de inteligência policial e análises técnicas capazes de
identificar padrões, áreas críticas e perfis de risco.
O
grupo também terá a missão de propor e acompanhar a implantação de protocolos
integrados de atendimento às vítimas, priorizando o acolhimento humanizado e o
tratamento ágil de ocorrências consideradas de alto risco ou com histórico de
reincidência.
Outro
eixo de atuação envolve o acompanhamento das medidas protetivas determinadas
pela Justiça. A força-tarefa deverá monitorar o cumprimento dessas
determinações e supervisionar agressores que utilizam tornozeleira eletrônica,
ferramenta empregada para garantir o distanciamento das vítimas.
Além
disso, a equipe ficará responsável por sugerir ações voltadas ao cumprimento de
mandados de prisão relacionados a crimes de violência doméstica e familiar,
reforçando a fiscalização sobre agressores e ampliando a efetividade das
investigações.
Os
números da violência doméstica em Pernambuco também chamam atenção. Em 2025, as
autoridades registraram 42.887 denúncias desse tipo de crime em todo o estado.
A capital, Recife, concentrou o maior volume de ocorrências, com 7.038 casos.
Para especialistas em segurança pública, o fortalecimento da análise de dados e a integração entre diferentes órgãos podem ser decisivos para reduzir a violência contra mulheres e ampliar a eficácia das políticas de proteção às vítimas.
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