Willer Tomaz é alvo de medidas cautelares no STF, incluindo sequestro de valores, quebra de sigilos e cancelamento de passaportes; defesa contesta decisão e nega movimentações financeiras entre o advogado e o senador
O
ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou
nesta sexta-feira (23) o bloqueio de bens e o sequestro de até R$ 6 bilhões do
advogado Willer Tomaz, investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro em
apuração que envolve o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A
decisão também estabelece o cancelamento dos passaportes do advogado, além da
quebra dos sigilos bancário e fiscal de Tomaz e de suas empresas, entre elas a
Alcazar Holding. As instituições financeiras foram acionadas para informar os
correntistas vinculados às contas investigadas.
As
medidas foram adotadas no âmbito do segundo inquérito aberto no Supremo
Tribunal Federal contra Flávio Bolsonaro, sob relatoria de Moraes. A
investigação foi revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo no último
domingo (18).
A
decisão ocorre dias após a divulgação de informações sobre movimentações
financeiras bilionárias atribuídas a Willer Tomaz em apostas esportivas.
Segundo
as informações da investigação, o advogado é alvo de suspeitas relacionadas a
possíveis operações de lavagem de dinheiro para o senador Flávio Bolsonaro. As
suspeitas ainda estão sob apuração e não representam, por si só, comprovação de
prática criminosa.
Ao
justificar o cancelamento dos passaportes, Moraes considerou que o advogado
teria viajado ao exterior após se tornar alvo de investigações da Polícia
Federal.
A
apuração busca aprofundar a análise das movimentações financeiras, das relações
entre os investigados e de eventuais operações realizadas por meio de empresas
e contas bancárias.
Em
nota, a defesa de Willer Tomaz contestou as determinações do ministro e
questionou os fundamentos da investigação. Os advogados classificaram as
medidas como “desproporcionais” e afirmaram que o valor estabelecido para o
bloqueio não corresponde ao patrimônio do investigado.
A
defesa também alegou que a apuração teria se afastado de seu objeto original,
relacionado à Operação Sem Desconto, que investiga fraudes no Instituto
Nacional do Seguro Social (INSS).
“Sem
encontrar nada que o ligasse ao esquema, passou a vasculhar indiscriminadamente
sua vida pessoal e profissional em busca de qualquer pretexto para a devassa”, declarou a defesa.
Os
advogados ainda contestaram o bloqueio de até R$ 6 bilhões e a suspensão das
atividades empresariais, que, segundo eles, representariam uma punição
antecipada.
A
defesa também rejeitou informações sobre uma suposta relação financeira entre
Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro.
“É falsa a informação de que Flávio Bolsonaro seria
‘usuário master’ de conta da Alcazar. Os dois são amigos, e um nunca movimentou
recursos do outro”,
afirmou a nota.
Os representantes do advogado ainda criticaram a divulgação de informações relacionadas a uma decisão sob sigilo em período eleitoral, ressaltando que a defesa busca ter acesso ao conteúdo da determinação judicial.
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