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terça-feira, 28 de abril de 2026

Política à Mesa - Repasse da Compesa: recurso imediato, custo futuro

              O repasse de bilhões de reais aos municípios pernambucanos, oriundo da concessão da Companhia Pernambucana de Saneamento, vem sendo divulgado como uma conquista administrativa. No curto prazo, de fato, os valores reforçam o caixa de prefeituras e do Estado. No entanto, o modelo adotado levanta uma questão central: quem paga essa conta no longo prazo?

A concessão não representa a venda integral da companhia, mas transfere à iniciativa privada a etapa mais lucrativa do sistema — a distribuição e a cobrança pelos serviços de água e esgoto. Já o setor público permanece responsável pela captação e tratamento, que exigem altos investimentos e menor retorno financeiro.

O leilão realizado em 2025 garantiu uma outorga bilionária. Ao todo, cerca de R$ 4,25 bilhões foram arrecadados, com repasses previstos para o Estado e municípios pernambucanos. Apenas em 2026, o governo anunciou o pagamento de mais de R$ 3,5 bilhões referentes à primeira parcela desses recursos. Parte desses valores, segundo regras estabelecidas, deve ser aplicada em infraestrutura, especialmente em saneamento.

O argumento oficial se sustenta na promessa de modernização e ampliação do saneamento. Porém, em municípios como Arcoverde e outras cidades do interior, melhorias recentes na rede de abastecimento já vinham sendo realizadas com recursos públicos. Ou seja, parte da infraestrutura que agora será explorada pela iniciativa privada foi financiada pelo próprio Estado.

Outro ponto sensível é a origem dos recursos repassados. Embora apresentados como ganhos imediatos, esses valores tendem a ser recuperados pelas empresas ao longo dos contratos, principalmente por meio das tarifas cobradas dos consumidores. Eu e você vamos pagar essa conta. 

Experiências em outras regiões do país, como no São Paulo, indicam que modelos semelhantes de concessão podem resultar em aumento nas contas de água ao longo do tempo, além de conflitos regulatórios e questionamentos sobre a qualidade do serviço.

O debate, portanto, não é apenas financeiro, mas estrutural. De um lado, há a necessidade de ampliar investimentos e cumprir metas de universalização do saneamento. De outro, cresce a preocupação com a transferência de um serviço essencial para a lógica de mercado.

No fim, o repasse pode representar alívio imediato para os cofres públicos, mas a sustentabilidade desse modelo dependerá de como os custos serão distribuídos — especialmente para o consumidor final.

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quarta-feira, 22 de abril de 2026

Política à Mesa | Caso Claudelino: morreu antes de nascer e uma crise que expôs o Parlamento

            O episódio envolvendo o ex-vereador Claudelino Costa escancarou mais do que um embate político: revelou falhas de rito, tensão institucional e um ambiente que se afastou do papel essencial do Legislativo.

Tudo começou com a apresentação de uma denúncia que poderia resultar em um processo de cassação. Como prevê o rito da Câmara Municipal, esse tipo de procedimento passa por etapas bem definidas: análise inicial, votação de admissibilidade e, sendo aceita, a criação de uma Comissão Processante responsável por conduzir o caso.

Em todos os regimentos internos pelo país, o processo de cassação segue normas que exigem respeito ao devido rito legal, com etapas formais e garantias de defesa.

No caso de Arcoverde, o primeiro passo seria a análise da denúncia por uma comissão prévia, responsável por avaliar se havia elementos mínimos para que o processo seja aberto e siga adiante. Esse filtro inicial é essencial para evitar que denúncias sem fundamento avancem e comprometam o funcionamento da Casa. Fato ocorrido e que teve perecer favorável.

Caso superada essa etapa, caberia ao plenário decidir pela admissibilidade — momento em que os vereadores votariam se o processo deveria ser instaurado. Só então seria formada a Comissão Processante, responsável por apurar os fatos e apresentar relatório final. Fato que não ocorreu.

O desfecho, no entanto, veio antes de qualquer decisão do plenário. A renúncia de Claudelino Costa interrompeu o rito antes mesmo da votação de admissibilidade.

Na prática, isso significa que o processo de cassação sequer chegou a existir formalmente dentro da Câmara Municipal de Arcoverde. Sem mandato, não há objeto para cassação — e, consequentemente, não há como avançar com comissão processante.

O caso, portanto, foi encerrado no âmbito legislativo antes de nascer juridicamente, migrando para a esfera judicial, onde os fatos deverão ser apurados. Lá, caberão aos advogados fazerem suas defesas e seus pedidos de condenação ou inocência.

Apesar do encerramento formal, o episódio deixou marcas. A última sessão foi marcada por tumulto, uso controverso da Tribuna Livre e questionamentos sobre a condução dos trabalhos.

Quando o debate político ultrapassa os limites do regimento e do respeito institucional, o prejuízo não é apenas interno — é público. A Câmara deixa de ser espaço de deliberação e passa a ser palco de conflito, agressões.

E isso levanta uma questão inevitável: quem ganha com o caos?

Enquanto o “Caso Claudelino” se encerra no Legislativo, outro ponto segue aberto: a denúncia contra o presidente da Casa, Luciano Pacheco. Esse é o caso agora em vigor na Casa James Pacheco.

Independentemente da origem ou motivação da denúncia, caberá aos vereadores cumprir o rito, analisar com responsabilidade e garantir o devido processo legal. É assim que se preserva a instituição. Ninguém está livre de denúncias, principalmente quando se exerce cargo público.

A crise recente deixa um alerta claro: o parlamento não pode se perder em disputas que não levam a resultados concretos para a população. Não pode abrir espaço para que seus próprios integrantes e cidadãos sejam agredidos verbalmente.

A Câmara existe para legislar, fiscalizar e tratar dos interesses do cidadão — saúde, educação, obras e desenvolvimento econômico.

Turbulências como a registrada podem até interessar a alguns, mas certamente não interessam ao povo de Arcoverde. E é justamente esse povo que espera — e cobra — que a Casa retome seu verdadeiro papel.

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sexta-feira, 17 de abril de 2026

Opnião: O mesmo discurso, a mesma elite: da escravidão ao fim da escala 6x1

             Por Djnaldo Galindo*

Há um padrão incômodo na história do Brasil: toda vez que se propõe um avanço nos direitos dos trabalhadores, as elites econômicas recorrem aos mesmos argumentos — custo excessivo, perda de competitividade, risco de colapso. Não é novidade. Foi assim no século XIX, contra o fim da escravidão. Foi assim na época da CLT. E é assim agora, no debate sobre o fim da escala 6x1.

No passado, diziam que abolir o cativeiro quebraria a agricultura. Depois, que regulamentar férias e jornada inviabilizaria a indústria. Hoje, afirmam que dar dois dias de descanso ao trabalhador — como já ocorre em países mais produtivos — destruirá o comércio e o emprego. A cada momento, o mesmo roteiro: o lucro imediato de poucos é tratado como razão incontornável para a exploração de muitos.

O que essas elites ignoram é que trabalho exausto não é eficiente. A escala 6x1 não aumenta produtividade; apenas transfere o custo da má gestão para o corpo e a vida de quem trabalha. Países desenvolvidos operam com jornadas reduzidas e mais descanso sem quebrar. A diferença não está na eficiência, mas em quem arca com o peso da economia.

A história já mostrou que os "argumentos econômicos" contra direitos sociais quase sempre falham. A abolição não destruiu o país — destruiu o poder dos senhores de escravos. A CLT não inviabilizou a indústria — criou mercado consumidor. O fim da 6x1 não fechará empresas; apenas obrigará a uma organização mais justa do trabalho.

O que está em jogo, no fundo, é a recusa estrutural das elites brasileiras em enxergar o trabalhador como sujeito de direitos. Enquanto essa lógica prevalecer, cada conquista será precedida pelo mesmo medo fabricado — que nunca se confirma, a não ser para quem teme perder privilégios.

* Cientista político formado pela UNITER, formado em História pela AESA, ambientalista, integrante da ONG Coletivo Portal Encantado

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quinta-feira, 19 de março de 2026

Opinião: De quem é o projeto? A educação de jovens e adultos – EJA é um direito, não um favor!

               Por Damião Lucena*

O debate na Câmara de Vereadores de Arcoverde expõe uma contradição central: um projeto voltado à Educação de Jovens e Adultos (EJA), que deveria ser celebrado como política pública de inclusão, transforma-se em disputa de protagonismo político. A questão essencial permanece: o projeto pertence a quem? Aos gestores ou à população que dele necessita? 

A realidade estatística mostra que o alto índice de analfabetismo em Pernambuco e no município de Arcoverde revela a ausência de políticas estruturais eficazes, sendo estas substituídas por ações paliativas. A expansão do ensino integral, ao eliminar o ensino noturno, agravou a exclusão de trabalhadores, especialmente mulheres, população negra e grupos socialmente vulnerabilizados, ampliando a evasão escolar.

Embora haja pressão institucional do Ministério Público, dos Fóruns da EJA e da AMUPE para a ampliação da modalidade e a adesão de Arcoverde ao Pacto pela Superação do Analfabetismo e Qualificação da Educação, a realidade local ainda é marcada por precariedade estrutural, poucas turmas e condições inadequadas de funcionamento, desrespeitando a dignidade dos estudantes.

Segundo dados do IBGE de 2022, Arcoverde possui cerca de 12,3% de sua população em situação de analfabetismo nas séries iniciais, ou seja, sem domínio da leitura e da escrita. É preciso criar ações concretas para enfrentar essa realidade, como a abertura de turmas de EJA nas escolas das periferias e da zona rural, além da melhoria da estrutura das unidades que atualmente atendem essa modalidade. A Escola Freire Filho, no bairro São Geraldo, apresenta estrutura precária e mobiliário inadequado, pensado para crianças e não para adultos. Já a Escola João Batista Cruz, localizada no bairro Cidade Jardim, também não atende plenamente às necessidades desse público.

A lógica de disputa pela “paternidade” de projetos deve ser superada, pois o foco precisa ser o compromisso político com o direito à educação. Não basta oferecer incentivo financeiro — ainda limitado —, sendo necessárias políticas concretas de permanência, com infraestrutura adequada, formação de professores e ampliação da oferta para os territórios mais vulneráveis. É importante lembrar que muitos estudantes da EJA são oriundos de trajetórias escolares marcadas por exclusão e por modelos educacionais que não atenderam às suas realidades.

Por fim, reafirmo que a EJA é um direito e não pode ser tratada como instrumento de capital político. Cabe ao poder público garantir acesso, permanência e dignidade educacional à população historicamente excluída.

Damião Alves de Lucena é professor da Rede Municipal de Ensino. EJA- Fórum Municipal da EJA – Arcoverde.PE

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segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Política à Mesa: O Jogo de xadrez do caso Claudelino entre a Câmara, o Inquérito e a Justiça

                O caso envolvendo o vereador Claudelino Costa voltou a temperar, e muito, os bastidores da política arcoverdense. Depois de meses de falatórios, suspeitas, vídeos que circulavam em grupos de WhatsApp e um zum-zum-zum insistente nos corredores da Casa James Pacheco, o inquérito policial finalmente foi concluído. No relatório entregue pela Polícia Civil no último dia 18 de novembro, o vereador foi indiciado por peculato-desvio, tendo como base um conjunto de provas que inclui vídeos, transferências bancárias e documentos que apontariam para negociações ilegais envolvendo cargos comissionados.

E Claudelino não está só nessa mesa. O empresário Micael Lopes também aparece como investigado no mesmo inquérito, sob o mesmo tipo penal: peculato. A lógica da investigação é simples — ainda que explosiva. Para a polícia, um seria beneficiado pela vantagem; o outro, o político, teria sido o agente que ofereceu o suposto esquema. Dois lados da mesma moeda.

Pois bem. Inquérito concluído, e o jogo político começa de fato. A defesa do empresário já fez seu lance: pediu que a Câmara retome — ou não — o processo que pode resultar na cassação do vereador. Pode a Câmara fazer isso? Claro que pode. Mas aí entra a pergunta crucial: deve fazer agora?

A resposta exige calma, porque os bastidores estão quentes, mas o Direito costuma andar em outra temperatura. E aqui entra a parte que muita gente ignora — ou prefere ignorar. O inquérito policial é só o primeiro passo. Só isso. Nada mais.

Depois da delegacia, o processo segue para o Ministério Público, que vai analisar se as provas apresentadas são suficientes para oferecer denúncia contra o vereador e o empresário. E se o MP não estiver convencido? Pode pedir mais diligências, buscar novas provas, aprofundar investigações. Ou seja: o inquérito não é sentença, não é condenação, não é nem mesmo acusação formal.

E se o MP denunciar, estamos no fim da linha? Também não.

A denúncia indo adiante, chega à Justiça. Aí sim começam os ritos, as defesas, as audiências, a fase probatória robusta. É nesse ponto que se julga a responsabilidade penal dos envolvidos — e é aqui que o jogo realmente vale ponto. E o resultado pode ser qualquer um: condenação, absolvição ou até arquivamento.

E nessa história toda, onde entra a Câmara de Vereadores?

A Casa James Pacheco pode, sim, atender o pleito da defesa, instaurar o processo de cassação e, ao final, cassar ou não o parlamentar. Mas aqui está o grande ponto do xadrez institucional: se a Câmara resolver jogar antes do Judiciário, corre um risco gigantesco.

Imagine a cena: a Câmara cassa. Meses depois, a Justiça absolve. Resultado? Tudo desmorona. A cassação cai. O vereador volta. E a Câmara vira assunto — ruim — de rádio, blog e mesa de bar por semanas.

Por outro lado, se a Câmara decidir absolver agora, mas lá na frente a Justiça condenar e determinar a perda do mandato… cai tudo por terra também. A Câmara teria passado pano onde não devia, e o Judiciário virá corrigir.

Em resumo: entre expectativas, pressões políticas e desejos de A ou B, o inquérito policial é apenas o pontapé inicial de uma longa partida. O processo jurídico mal começou. E a Câmara, sabendo disso, precisa decidir se entra no jogo agora — correndo riscos jurídicos enormes — ou se aguarda o andamento natural das instituições.

O tabuleiro está posto. As peças se mexem. Mas o xeque-mate, esse ainda está longe de acontecer.

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terça-feira, 21 de outubro de 2025

Enaldo Cândido, o Gato que tinha tinta nas veias

Por Paulo Edson

Há nomes que o tempo não apaga — apenas imprime em páginas que resistem às mudanças, às modas e às telas que tentam substituir o papel. Enaldo Cândido foi um desses nomes. Um jornalista que não apenas escreveu a história de Arcoverde: ele a viveu, a desafiou, a provocou e a imprimiu — linha por linha, manchete por manchete, nas páginas do Jornal de Arcoverde, que fundou há mais de quarenta anos, quando a informação ainda tinha cheiro de tinta fresca e som de rotoprinter.

Natural de Itaíba, mas de alma arcoverdense, Enaldo foi daqueles que entenderam cedo que o jornalismo não se faz com neutralidade morna, e sim com a chama de quem acredita na verdade. Nos anos 1980, enquanto muitos viam o interior de Pernambuco como um campo de silêncio, ele ergueu uma trincheira de palavras. Criou um jornal impresso que, contra todas as probabilidades, permanece vivo até hoje — um feito raro em um mundo onde o papel é cada vez mais substituído por telas frias e passageiras.

Chamavam-no de “Gato”, apelido que combinava com sua astúcia, curiosidade e coragem felina. Enaldo tinha o faro da notícia e o instinto do repórter que não se contenta com o que lhe dizem — precisava ver, ouvir, questionar. E se o poder tentava impor silêncio, ele respondia com manchetes. Viveu, inclusive, um dos episódios mais emblemáticos da imprensa local: foi preso por ter publicado verdades incômodas, num tempo em que falar demais podia custar caro. Mas, como todo bom gato, sempre caiu de pé.

Sua pena — firme, às vezes ferina, mas sempre justa — atravessou governos, gerações e mudanças tecnológicas. Quando o rádio crescia, Enaldo estava lá. Quando a televisão chegava mais longe, ele resistia. E quando a internet parecia enterrar de vez o impresso, o Jornal de Arcoverde seguiu circulando, com sua tipografia clássica e seu espírito independente, como uma lembrança viva de que a imprensa livre ainda pulsa no Sertão.

Mas Enaldo não era só o jornalista. Era o contador de histórias do Caldinho do São Geraldo, o anfitrião da “Confraria do JA”, o homem dos “eternos 39 anos”, que fazia da vida uma crônica e dos amigos, personagens. Ria alto, discutia política com paixão e nunca deixou de acreditar no poder da palavra — mesmo quando ela lhe custava caro.

Hoje, o silêncio que fica é estranho. Falta o timbre inconfundível de Enaldo, o Gato das Letras, o repórter das madrugadas, dos cafés apressados e das cervejas prolongadas, o amigo que não media adjetivos, mas também não negava abraços.

Ele partiu, mas deixou algo que não cabe em arquivo ou servidor: deixou um legado impresso em papel e memória, que continuará sendo lido nas esquinas de Arcoverde, nas conversas dos bares e nas redações que ainda acreditam que jornalismo é, antes de tudo, coragem.

Porque enquanto houver um jornalista que escreve, a liberdade jamais será calada.

Giro de notícias das últimas 48 horas no Sertão e Agreste de Pernambuco

Em Arcoverde, a cidade amanheceu na segunda-feira (20) de luto com o falecimento do jornalista Enaldo Cândido, fundador do Jornal de Arcoverde. Figura histórica da imprensa interiorana, Enaldo deixou um legado de resistência e amor ao jornalismo, lembrado em notas de pesar da vereadora Célia Galindo, da Câmara de Vereadores, do vereador Luciano Pacheco, do prefeito Zeca Cavalcanti e da Barros Advogados Associados, que destacaram sua luta pela liberdade de expressão e pela imprensa livre.

Na área da saúde pública, Petrolândia iniciou sua Pré-Campanha de Vacinação Antirrábica, com cronograma de atendimentos em diferentes bairros da cidade, reforçando o compromisso da gestão com o bem-estar animal e o combate à raiva.

Na Pedra, a ex-prefeita de Itaíba e pré-candidata a deputada estadual, Regina da Saúde, foi uma das homenageadas da 11ª Cavalgada Nayara Neri – Cultura & Tradição 2025. Mesmo ausente por compromissos, Regina foi representada pelo prefeito de Itaíba, Pedro Pilota, e agradeceu a lembrança, exaltando a força cultural e a tradição nordestina.

Já em Venturosa, o prefeito Kelvin Cavalcanti promoveu uma grande homenagem aos professores no Dia do Professor, destacando o papel transformador da educação e anunciando a chegada da nova creche de 10 salas, em parceria com o governo de Raquel Lyra e o deputado Joaquim Lira.

Na segunda-feira (20), o destaque foi a decisão da Justiça Eleitoral da 59ª Zona de Correntes, que cassou os mandatos do prefeito Edimilson da Bahia e do vice Demilton Ximenes, acusados de abuso de poder econômico e captação ilícita de votos nas eleições de 2024. A sentença, assinada pela juíza Olívia Zanon Dall’Orto Leão, também declarou ambos inelegíveis por oito anos. Apesar da decisão, os gestores seguem no cargo até o julgamento do recurso pelo TRE-PE.

Ainda na segunda, o prefeito do Recife, João Campos (PSB), intercedeu junto ao vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin em defesa do Polo de Confecções do Agreste, diante da possibilidade de aumento na tarifa de importação do poliéster. Campos alertou que a medida pode impactar diretamente a competitividade das confecções de Santa Cruz do Capibaribe, Toritama e Caruaru, comprometendo empregos e renda na região.

Outro fato marcante do dia foi o acordo mediado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região (TRT-6) que pôs fim à greve dos trabalhadores da Compesa. O entendimento entre a companhia, o sindicato e o Ministério Público do Trabalho prevê reajuste salarial, plano de desligamento voluntário e abono integral dos dias parados, com homologação prevista para o próximo dia 27.

Já a Prefeitura de Arcoverde informou que o trecho da Avenida José Bonifácio, entre a Rádio Agnus Dei e a Praça São Cristóvão, está temporariamente no escuro devido ao furto de cabos da rede de iluminação pública. Equipes técnicas estão em campo e a previsão é de que o serviço seja restabelecido ainda hoje. O município também reforçou o apelo para que a população denuncie casos de vandalismo e furto ao patrimônio público.

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quinta-feira, 2 de outubro de 2025

POLÍTICA À MESA: Lei da Ficha Limpa: avanços para poucos, retrocessos para o Brasil

               Brasília, como se sabe, tem seu próprio fuso horário. Projetos que interessam à nação podem hibernar por décadas em alguma gaveta empoeirada, aguardando um raro alinhamento de planetas e vontades. A burocracia é o monstro do pântano, o regimento é um labirinto indecifrável, e a falta de consenso é a desculpa universal para a inércia. Mas, ah, quando o assunto é o bem-estar, a proteção ou a simples conveniência da própria classe política, o Congresso Nacional descobre uma agilidade digna de atleta olímpico.

Vivemos, ao que parece, uma era de ouro da autoproteção. Discute-se com a naturalidade de quem pede um café uma "Lei da Blindagem" aqui, uma providencial "anistia" para golpistas. É um balé legislativo fascinante, onde a máquina pública, normalmente tão pesada, se move com a leveza de uma pluma para garantir que ninguém do clube se machuque. O mais recente e brilhante estudo de caso dessa eficiência seletiva é a boa e velha Lei da Ficha Limpa.

Lembremos de seu nascimento quase romântico. Em 2010, fruto de um raro momento de comunhão cívica, mais de 1,6 milhão de brasileiros assinaram um papel, um grito popular por um mínimo de moralidade na política. A lei nasceu forte, barrando candidaturas de condenados e se tornando um símbolo de esperança. Mas, como uma fortaleza sitiada, a lei que nasceu do povo começou a sofrer ataques de dentro do próprio castelo. A caneta que deveria protegê-la passou a reescrevê-la, aparando arestas, criando brechas, suavizando o rigor.

O que impressiona é a eficiência. A mesma máquina que leva anos para votar uma reforma complexa opera com a precisão de um cirurgião quando o objetivo é criar uma válvula de escape para si mesma. A mudança não é um ataque frontal; é mais sutil. Reforça-se a exigência de "dolo específico", unifica-se uma contagem de prazo aqui, tenta-se antecipar o início da contagem ali. É a arte da filigrana jurídica a serviço da autopreservação.

Ainda bem que, vez por outra, um juiz lê o placar do jogo e apita a falta. A decisão desta terça-feira foi um desses momentos, um freio de arrumação que barrou as alterações mais... digamos... "ousadas" que o Congresso havia aprovado. Mas a tentativa em si já nos ensina muito.

No fim, a Lei da Ficha Limpa, nascida da esperança popular, se torna um estudo de caso fascinante. Ela nos mostra que, em Brasília, a vontade do povo é importante, mas a necessidade de sobrevivência do político é, aparentemente, uma cláusula pétrea. E para garantir essa sobrevivência, o Congresso, ah, o Congresso trabalha como nunca.

Giro de Notícias – Pernambuco e Região

Lei da Ficha Limpa

O Partido Rede Sustentabilidade protocolou no Supremo Tribunal Federal (STF) uma ação pedindo a suspensão das alterações na Lei da Ficha Limpa sancionadas pelo presidente Lula na última terça-feira (30). Na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI), a legenda argumenta que a aplicação imediata da nova norma representa “gravíssimo risco” para a integridade do próximo pleito eleitoral. Além da suspensão, a Rede solicita que a Corte julgue o mérito da lei e a declare inconstitucional por violar princípios fundamentais.

Chamamento de Concursados em Arcoverde

A Câmara de Vereadores de Arcoverde homologou o resultado final do Concurso Público Nº 001/2024. Com 779 inscritos e 11 vagas oferecidas, cinco candidatos aprovados serão convocados para integrar o quadro da Casa James Pacheco. Os aprovados são: Valdiane Gomes Paz (Analista de Patrimônio), José Leonardo Cavalcanti da Silva (Analista de TI), Natália Cavalcanti Nunes Espíndola (Analista Legislativo), Alex Júnior Vitorino (Arquivista) e Jackson de Oliveira (Técnico em Contabilidade). A documentação deve ser entregue até o dia 13 deste mês.

Pregão anulado em Arcoverde

A Prefeitura de Arcoverde decidiu anular o pregão eletrônico nº 013/2025, que visava contratar empresa para serviços de limpeza e conservação urbana, no valor estimado de R$ 13,4 milhões. A medida foi tomada devido a inconsistências no processo. Um novo processo licitatório será aberto para garantir a manutenção da limpeza da cidade.

Cultura nas ruas de Arcoverde

Foi lançada nesta quarta-feira (1º) a programação da Parada Multicultural de Arcoverde, promovida pela Secretaria de Cultura. O evento acontecerá entre 4 de outubro e 20 de dezembro, sempre em dois sábados de cada mês, percorrendo seis localidades da cidade e zona rural. A programação inclui música, dança, teatro, artes visuais, literatura e manifestações populares, valorizando a cultura local e a identidade das comunidades. A abertura será no distrito do Riacho do Meio, no sábado, 4 de outubro.

Asfalto em Floresta

Teve início a aplicação de asfalto em diversas ruas de Floresta, contemplando um pacote de 12 vias no município. O investimento de R$ 2,46 milhões é fruto da parceria entre Governo do Estado, governadora Raquel Lyra, e Prefeitura de Floresta, articulado pela prefeita Rorró Maniçoba e o secretário Kaio Maniçoba. O trabalho começou pelo bairro do DNER, que há anos recebe atenção especial da prefeita.

Petrolândia investe em saúde

A obra da nova UBS Antônio Firmino, em Petrolândia, avança rapidamente e tem investimento de R$ 2 milhões. Localizada na quadra 11, a unidade já entra na fase de colocação da laje e, em seguida, passará pelas etapas hidráulica, elétrica e acabamento. O prefeito Fabiano ressaltou a importância da obra para a população: “Em breve toda essa comunidade terá um posto de saúde moderno e pronto para atender com qualidade”.

Itaíba inova com psicultura

Mais uma vez Itaíba ganhou visibilidade estadual ao ser destaque no ABTV 2ª Edição/TV Globo, desta vez com a apresentação de um projeto pioneiro e inovador na área da piscicultura. O município é o primeiro de Pernambuco a implantar um Sistema de Recirculação de Água (RAS) para criação de tilápia como equipamento público, tecnologia que garante produção sustentável e de alta eficiência. O projeto piloto já permite a criação de até 500 quilos de peixe por mês. 

TCE multa prefeitos de Tuparetama e Sirinhaém

Na área de educação, o TCE-PE focou sua atuação na fiscalização do transporte escolar. Gestores das prefeituras de Tuparetama e de Sirinhaém foram multados em R$ 10.072,98 e R$ 9.878,50, respectivamente, por descumprir parcialmente Termos de Ajuste de Gestão (TAG) relacionados ao setor. As determinações para ambos os municípios incluem a implantação obrigatória de sistemas de rastreamento e gestão eletrônica da frota, além da necessidade de garantir a vistoria regular dos veículos e a habilitação adequada dos condutores, visando à segurança dos estudantes.


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terça-feira, 23 de setembro de 2025

No Centro da Tempestade: Fernando Dueire e a Arte de Conciliação na PEC das Prerrogativas

Por Marlos Porto*

Em um momento de forte polarização e desgaste institucional, a PEC das Prerrogativas (apelidada como “PEC da blindagem”) reacende o debate sobre o equilíbrio entre inviolabilidade do mandato parlamentar e igualdade de tratamento perante a lei.

É nesse cenário que desponta o Senador Fernando Dueire (do MDB de Pernambuco) como um dos poucos, dentre os 81 senadores do país, que possui um perfil moderado e é capaz de propor aprimoramentos concretos ao projeto — em vez de simplesmente rejeitá-lo. Esse direcionamento contrastaria com o posicionamento açodadamente antecipado pelo Senador Alessandro Vieira, do mesmo MDB, porém de Sergipe, que, tão logo foi indicado relator, apressou-se a anunciar nas redes sociais sua oposição à proposta.

Ao optar pelo aperfeiçoamento do texto, com vistas a preservar o equilíbrio de nossa República e uma das bases da nossa democracia — a liberdade de expressão e de consciência dos parlamentares — Fernando Dueire mostrará coragem para não ceder diante de apelos midiáticos e de massas populares manobráveis, à direita ou à esquerda.

Essas qualidades — espírito público, compromisso com a democracia, equilíbrio, disposição para o diálogo e coragem cívica — caracterizaram Jarbas Vasconcelos em sua longa trajetória política e poderão marcar também Fernando Dueire perante o eleitorado — e perante a História — honrando os pernambucanos que, em 2018, confiaram seu voto em Jarbas Vasconcelos e em sua suplência.

*Marlos Porto é Bacharel em Direito

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quinta-feira, 11 de setembro de 2025

Opinião: O alvo de Fux: o Palácio Guanabara, no Rio de Janeiro

Coluna da Mara Luquet no MyNews*

Nesta quarta-feira (10), o ministro Luiz Fux surpreendeu o meio político e jurídico ao apresentar um longo voto no Supremo Tribunal Federal que absolveu o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, o almirante Almir Garnier e condenou o tenente-coronel Mauro Cid pelo crime de abolição do estado democrático de direito. O texto, denso e detalhado, foi interpretado por juristas como fruto de um trabalho de meses. “Um voto dessa envergadura não se improvisa. É claramente pensado, amadurecido e amparado em sólida construção jurídica”, avaliou um advogado próximo ao STF.

Nos bastidores de Brasília, a leitura é de que a decisão teve um alvo além da Corte: a eleição para o governo ou Senado no Rio de Janeiro em 2026. Fux completará 73 anos no próximo ano, ficando a dois da aposentadoria compulsória, mas pode antecipar a saída do Supremo para entrar no jogo eleitoral.

Políticos experientes já calculavam que seu voto seria diferenciado, justamente por conta dessa possibilidade. Ainda assim, foram surpreendidos pela contundência e abrangência da decisão. “Foi mais do que um posicionamento jurídico, foi um ato político”, resumiu um veterano parlamentar.

Se confirmadas as projeções de sua candidatura, Fux embaralha completamente o tabuleiro fluminense. Hoje, Eduardo Paes aparece como favorito, mas a entrada de um ministro do Supremo com forte capital jurídico que agradou aos bolsonaristas poderia tirar do prefeito carioca o posto de principal nome da disputa.

No Rio, onde a política é marcada por escândalos e crises de governabilidade, a figura de Fux pode ser apresentada como alternativa de renovação, unindo setores do centro e da direita, além de contar com apoio de elites jurídicas e empresariais.

Para muitos analistas, o voto desta quarta-feira já não pode ser lido somente como uma decisão judicial. Foi, também, o primeiro ato de campanha.

 *Mara Luquet, é uma jornalista, escritora e empresária brasileira, fundadora e CEO do canal MyNews, considerado pelo Google referência mundial em jornalismo no YouTube. Foi colunista de finanças pessoais da TV Globo e CBN, editora do Valor Econômico e criadora do caderno Folhainvest, da Folha de S.Paulo. 


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sábado, 19 de abril de 2025

O risco que corre Alexandre de Moraes e o Brasil repetindo Sergio Moro

                    Por Igor Maciel

A melhor forma de desarticular um adversário é se antecipar a ele. Sun Tzu considerava a antecipação uma das principais estratégias numa guerra. Quem chega primeiro, dizia ele, conhece melhor a natureza do terreno e vai estar mais descansado para o combate.

Já foi dito aqui como o governo Lula (PT) poderia se antecipar e encerrar as discussões sobre o projeto de anistia para os presos do 8/1. Basta se antecipar e liderar um movimento para que as penas sejam revistas e para que uma dosimetria individualizada e justa possa ser utilizada nesta revisão.

Isso não foi feito ainda porque, segundo o que está nos bastidores, o governo teme irritar Alexandre de Moraes. Então, precisamos falar sobre Alexandre de Moraes.

Erros

Não está muito certo em que momento o ministro do STF foi proclamado senhor absoluto dos destinos ao ponto de assustar uma República inteira, da oposição ao governo, passando pelo centrão. Moraes começa, a cada dia, a se parecer mais com Sergio Moro, e isso não é um bom sinal, nem para o Brasil e nem para ele próprio.

Voltando à Arte da Guerra, Sun Tzu dá algumas dicas de erros que os generais cometem em guerras. Fala sobre o “combate desnecessário, que desgasta”, sobre a “ilusão da vitória a qualquer custo” e “o ego como maior inimigo”.

O respeitável ministro Moraes anda cometendo os três. Isso é perigoso para ele, mas também pode prejudicar o país.

O homem…

O combate desnecessário acontece todos os dias, desde que o ministro foi alçado por si mesmo, com o silêncio dos inocentes, ao posto de guardião mor da democracia brasileira.

Vocês já pararam para pensar sobre o problema das coisas? Geralmente nos equivocamos e confundimos problema com solução. Por exemplo, a solução dos óculos é fazer enxergar. O problema dos óculos é o que enxergamos. O mesmo vale para os holofotes. A solução deles é iluminar. O problema é o que eles evidenciam.

Moraes engendra combates desnecessários todos os dias para manter-se em evidência, sob a luz.

…e o fim

Ficar o tempo todo exposto sob os holofotes é desgastante para ele, Moraes, mas desgasta também aquilo em que as pessoas confiaram tendo ele como defensor. Se ele posa aos holofotes defendendo a democracia, caso seja desacreditado, como foi Sergio Moro, a democracia também sofrerá.

O ego é o maior inimigo daqueles que detém a confiança pública no desempenho de uma função. É ele, o ego exacerbado, que transforma justiça em justiçamento, acreditando que, mesmo não ignorando a lei, pode aplicar-lhe alguns dribles em nome do benefício comum.

Sergio Moro se divertia fazendo isso, enxergando a si mesmo como um super-herói de quadrinhos enquanto combatia o crime. No fim, prejudicou-se (e isso é um problema dele), mas também prejudicou toda a operação Lava Jato e o trabalho que ela vinha desenvolvendo. Sofreu Moro, comemoraram os corruptos.

O homem e sua finalidade quando estão muito ligados, perecem juntos.

Qualquer custo

A vitória a qualquer custo é a mesma que Sergio Moro tentou, e sabe-se como aquilo terminou. Imagine o ocaso do combate à corrupção aplicado à tal “defesa da Democracia” encampada por Moraes.

Com Moro desmoralizado, soltaram-se ladrões do dinheiro público. Com Moraes desmoralizado, como ficará a democracia?

Então o ministro precisa ser protegido? Pelo contrário. Ele precisa que lhe tirem a outorga de herói, precisa voltar para a planície e voltar a ser “apenas” mais um dos 11 ministros do Supremo Tribunal Federal. Baixem a luz do holofote dele, pelo bem de todos, até dele próprio.

Luz

Numa república, quando um indivíduo torna-se senhor do destino de todos, sendo temido até pelos iguais, só há dois resultados possíveis: caem todos aos seus pés ou cai todo o país num abismo. A forma mais eficiente de proteger Moraes enquanto são protegidas as instituições republicanas é reduzir a atuação de seu poder.

E isso precisa ser feito, desde já, com uma dosimetria melhor aplicada das penas impostas aos envolvidos no 8/1. É um começo. Que se faça isso logo, dentro do STF, com apoio do Poder Executivo e empenho do Legislativo ajuizado (ainda a maior parcela das casas).

Tomar a frente dessa ação, garantindo que a medida não seja usada para livrar aqueles que realmente conspiraram para um golpe, reduzirá o espetáculo do ministro Moraes, protegerá a república e até o protegerá também. Do JC

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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

Caso Arthur: retrato cruel da falência do Estado e da vitória da barbárie

           “Barbárie: é a condição daquilo que é selvagem, cruel, desumano e grosseiro. Que não tem leis nem civilização”. Essa palavra entrou em cena no Sertão pernambucano sob os olhos do Estado, dos chamados civilizados.

O brutal caso do menino Arthur, de apenas 2 anos, expõe as feridas abertas de uma sociedade que se vê à deriva entre a indignação popular e a falência das instituições. Retrata a cruel da falência de diversos sistemas de proteção social. Arthur foi vítima de uma violência extrema, cometida por pessoas que deveriam zelar pela sua segurança, e, em um desdobramento que surpreende e amedronta, um dos suspeitos foi linchado pelas próprias mãos da multidão ao ser retirado da viatura policial.

Essa reação violenta, embora compreensível à primeira vista diante de um crime tão hediondo, representa um grave desafio ao Estado de Direito. O linchamento, um ato extrajudicial movido pelo desespero e pela indignação, acaba por minar a confiança nas instituições responsáveis por julgar e punir os culpados. Ao mesmo tempo em que a sociedade clama por justiça imediata, ela se vê, paradoxalmente, contribuindo para a própria desordem, transformando a dor coletiva em um espetáculo de violência.

Outro aspecto inquietante desse episódio é a atenção que a tragédia tem recebido nas redes sociais. Em meio à comoção, o perfil da mãe de Arthur — que havia deixado o filho aos cuidados de terceiros, quando deveria estar o protegendo — vem ganhando seguidores a passos largos. Essa contagem de likes e de novas conexões revela um fenômeno contemporâneo perturbador: a transformação do sofrimento em conteúdo digital. Em vez de focarmos exclusivamente na dor de uma perda irreparável, muitos se veem seduzidos pelo potencial de viralização e pela promessa ilusória de popularidade, ofuscando a gravidade dos fatos e a necessidade de uma reflexão profunda.

O caso de Arthur é, assim, um duplo espelho das fragilidades do nosso tempo. De um lado, temos a falência dos mecanismos de proteção infantil e da justiça formal, que falharam em prevenir um crime tão brutal. Do outro, a reação imediatista e violenta da população, que, ao se precipitar para fazer justiça com as próprias mãos, reforça um ciclo de violência e desconfiança. A realidade é que, sem o fortalecimento das instituições e sem um debate sério sobre os limites éticos da exposição do sofrimento nas redes, estaremos sempre fadados a repetir esse triste capítulo.

A governadora fala em “enxergar os erros que aconteceram. Foi uma barbárie”, mas teme em apontar os erros do Estado. Representantes dos direitos humanos protestam contra a forma brutal da morte do suspeito pelo crime, mas não aponta para a violência que castiga milhares e milhões de crianças vítimas da violência doméstica, muitas vezes dos próprios familiares. E a sociedade? Muitas vezes silencia, num pacto de concordância e espanto com a barbárie. 

É urgente, portanto, que se repense a forma como lidamos com tragédias assim: que a busca por justiça não se traduza em violência popular e que o luto não seja monetizado ou transformado em espetáculo. A memória de Arthur e a necessidade de proteger nossas crianças devem nos impulsionar a construir um sistema de segurança e de justiça que seja verdadeiramente humano, capaz de acolher e agir de forma responsável diante das mazelas que assombram nossa sociedade.

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