Episódio ocorreu na EREM Aura Sampaio Parente Muniz e provocou manifestações de repúdio de professores e da comunidade escolar, que cobram apuração dos fatos e respeito à liberdade de expressão
Um
episódio envolvendo uma professora, estudantes e Policiais militares
(identificados como sargento Ronaldo e Araújo) que entraram na Escola de
Referência em Ensino Médio (EREM) Aura Sampaio Parente Muniz, em Salgueiro, no
Sertão de Pernambuco, junto a um homem que se apresentou como representante do
Partido Liberal (PL), provocou indignação entre integrantes da comunidade
escolar. Em manifestações públicas, professores e representantes da instituição
denunciaram o constrangimento sofrido pela educadora diante dos estudantes e
cobraram a apuração do caso.
De
acordo com os relatos divulgados, a ocorrência envolveu questionamentos
relacionados ao uso de adesivos com mensagens políticas de Lula por estudantes
e uma professora. A situação teria culminado na retirada dos adesivos e no
encaminhamento da educadora à direção da escola, circunstâncias que motivaram
críticas sobre possíveis violações à liberdade de expressão no ambiente
educacional.
O
episódio ganhou repercussão por ter ocorrido poucos dias após o Dia dos
Professores, celebrado em 15 de outubro, e reacendeu o debate sobre os limites
da atuação de agentes de segurança nas instituições de ensino e a proteção das
liberdades individuais. A deputada federal Liana Cirne usou suas redes sociais
para protestar e cobrar providências por parte da Polícia Militar e da Secretaria
Estadual de Educação.
Em documento datado desta terça-feira (20), o corpo docente da EREM Aura Sampaio Parente Muniz manifestou repúdio a qualquer ato de censura, constrangimento ou intimidação praticado contra professores, estudantes e gestores no exercício de seus direitos constitucionais.
A
nota também expressa solidariedade à professora e aos estudantes envolvidos,
reafirmando o compromisso da comunidade escolar com a dignidade humana, a
liberdade de expressão e a autonomia pedagógica.
Em
outra manifestação, um professor classificou o episódio como um dos
acontecimentos mais revoltantes que presenciou na carreira docente. Ele afirmou
que a colega foi constrangida por policiais na presença de estudantes e
criticou o que considera uma tentativa de intimidação de profissionais da
educação por suas posições e manifestações.
“Estamos diante de um cenário em que o professor é
atacado por existir, por se posicionar”, declarou.
O
educador também defendeu que o caso tenha repercussão e seja devidamente
investigado, cobrando respeito aos profissionais da educação e garantias para o
exercício da liberdade de expressão.
A
cobrança central dos educadores é por esclarecimento, responsabilização caso
sejam constatadas irregularidades e garantia de que professores e estudantes
possam exercer seus direitos sem intimidação.
A comunidade escolar pede respeito e justiça e defende que a educação pública permaneça comprometida com os princípios democráticos, a liberdade de pensamento e a formação crítica dos cidadãos.
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