Nas
ruas, pessoas conversavam. Discordavam, claro — porque isso faz parte —, mas
com um sorriso no rosto, como quem entende que política é escolha, não guerra.
O país respirava uma normalidade quase esquecida. A disputa voltou a ser
eleitoral, não pessoal. E isso, por si só, já parecia um milagre.
Em
Pernambuco, as notícias eram ainda mais surpreendentes. Os casos de feminicídio
despencaram. A governadora — uma mulher — celebrava um feito histórico: o
estado com menos mulheres mortas em todo o país. Um marco civilizatório,
daqueles que fazem a gente acreditar que o futuro pode, sim, ser melhor.
Como
se não bastasse, o bolso do povo também respirava. A gasolina e o diesel mais
baratos, o sorriso voltando ao rosto de quem precisa escolher entre encher o
tanque ou a mesa. E, para completar, a seleção brasileira — finalmente — com as
mãos na taça do hexa. Era festa em cada esquina, em cada televisão ligada.
E
Pernambuco seguia surpreendendo. Quatro novos hospitais, erguidos nos últimos
quatro anos, um em cada região do estado. Um feito daqueles que entram para a
história. Saúde mais perto, mais dignidade, mais cuidado.
Mas
foi quando olhei para Arcoverde que quase não acreditei. A cidade, enfim,
celebrava a chegada das cinco empresas prometidas desde 2012 no tão falado,
eternamente cantado, distrito industrial. Empregos, movimento, esperança
renovada. O Maria de Fátima, antes esquecido, agora reluzia: ruas novas,
creche, escola… um pequeno paraíso sertanejo.
Na
Avenida Antônio Japiassu, os lojistas comemoravam o fim dos alagamentos. A
água, finalmente, seguia seu caminho sem invadir sonhos em forma de lojas e
casas. E a cidade… ah, a cidade estava irreconhecível. Totalmente saneada, 100%
calçada, organizada.
A
Praça da Bandeira brilhava com um visual moderno, cheia de vida. A nova praça
batia forte no coração de Arcoverde.
E
poxa! Finalmente os contrários se uniram, os diferentes se mostraram iguais e Arcoverde
se preparava para receber nas celebrações da Semana Santa as visitas de seus deputados
e deputadas Federal e Estadual. Éramos fortes novamente na política regional e
nacional.
E,
como se fosse pouco, a tão sonhada duplicação da BR-232 finalmente saía do
papel. Os carros já cruzavam a cidade, sorrindo feito o personagem do Relâmpago
McQueen. Um sonho antigo virando realidade, desses que a gente aprende a não
acreditar… até ver acontecendo.
Parei
por um instante. Respirei fundo. Sorri.
—
Ah, como é bom ano de eleição…
Foi
quando olhei o calendário.
É 1º de abril.


















