sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

União Europeia aprova acordo com o Mercosul após 25 anos e avança para criação da maior zona de livre comércio do mundo

               Após mais de duas décadas de negociações marcadas por impasses políticos, pressões internas e disputas comerciais, a União Europeia deu um passo histórico nesta sexta-feira (9) ao aprovar o acordo de livre comércio com o Mercosul. A decisão abre caminho para a formação da maior zona de livre comércio do planeta, conectando dois grandes blocos econômicos e reunindo mais de 700 milhões de consumidores.

A aprovação ocorreu durante uma reunião de embaixadores em Bruxelas, quando os 27 Estados-membros da União Europeia alcançaram uma maioria qualificada favorável ao acordo, mesmo diante da resistência de países como França, Polônia, Irlanda e Hungria, que expressaram preocupações, sobretudo, relacionadas aos impactos sobre seus setores agrícolas.

O primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz, um dos principais defensores da iniciativa, celebrou o avanço e classificou a decisão como um marco estratégico.

“Trata-se de um passo importante na política comercial europeia e um forte sinal da nossa soberania estratégica”, afirmou.

Com a aprovação no âmbito do Conselho, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, está autorizada a viajar ao Paraguai, onde deverá assinar oficialmente o acordo com os países do Mercosul — Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai — na próxima segunda-feira, em Assunção.

Apesar do avanço político, o acordo ainda não entrará em vigor de forma imediata. Do lado europeu, será necessária a ratificação do Parlamento Europeu, que deverá se manifestar nas próximas semanas. O cenário, no entanto, permanece incerto: cerca de 150 eurodeputados, de um total de 720, já sinalizaram a possibilidade de recorrer à Justiça para tentar barrar a aplicação do tratado.

Negociado desde 1999, o acordo prevê a eliminação de tarifas sobre mais de 90% do comércio bilateral, além de regras comuns para áreas como serviços, compras governamentais, propriedade intelectual e desenvolvimento sustentável. Para reduzir a oposição interna, especialmente de agricultores europeus, o texto inclui cláusulas específicas de proteção e salvaguardas comerciais.

Se ratificado, o acordo União Europeia–Mercosul representará uma das maiores transformações no comércio internacional nas últimas décadas, com impacto direto nas cadeias produtivas, exportações agrícolas, indústria e investimentos entre os dois blocos. 

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