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sábado, 17 de janeiro de 2026

Lula e Ursula Von Der Leyen reforçam compromisso com acordo histórico entre Mercosul e União Europeia

                Após mais de duas décadas de negociações, o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia avança para uma etapa decisiva, com a expectativa de inaugurar um novo ciclo de integração econômica baseado na prosperidade compartilhada e na redução das desigualdades sociais. A implementação do entendimento será oficialmente tratada neste sábado (17), durante encontro no Banco Central do Paraguai, marco simbólico para um dos maiores pactos comerciais do mundo.

A agenda foi antecedida por uma reunião realizada nesta sexta-feira (16), no Rio de Janeiro, entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. O encontro ocorreu na sede do Ministério das Relações Exteriores e reforçou o alinhamento político entre os dois blocos em torno do acordo, que criará uma zona de comércio envolvendo cerca de 720 milhões de pessoas.

A aprovação do tratado pela União Europeia, anunciada na semana passada, encerra um ciclo de mais de 25 anos de negociações e abre caminho para a consolidação de uma das maiores áreas comerciais do planeta. Para Lula, no entanto, a abertura de mercados só se justifica se estiver associada a ganhos sociais, ambientais e econômicos concretos.

“Liberalização e abertura comerciais só fazem sentido se forem capazes de promover o desenvolvimento sustentável e reduzir as desigualdades”, afirmou o presidente brasileiro, ao destacar que o fortalecimento do comércio e dos investimentos pode resultar na geração de empregos e novas oportunidades produtivas.

Lula também ressaltou que o acordo incorpora compromissos relacionados ao diálogo político, à cooperação internacional, ao respeito aos direitos trabalhistas e à proteção ambiental. Segundo ele, esses pilares são essenciais para garantir um modelo de crescimento equilibrado e duradouro.

Durante o encontro, o presidente reiterou compromissos do Brasil com o enfrentamento das mudanças climáticas, a promoção da igualdade de gênero e a defesa dos direitos dos povos indígenas e dos trabalhadores. Lula enfatizou ainda que o país busca superar o papel histórico de exportador de matérias-primas.

“Não nos limitaremos ao eterno papel de exportador de commodities. Queremos produzir e vender bens industriais de maior valor agregado”, declarou. O presidente destacou que o acordo prevê estímulos a investimentos europeus no Mercosul, especialmente em cadeias estratégicas ligadas à transição energética e à transformação digital.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reforçou a visão de que o acordo representa uma oportunidade mútua de crescimento. Segundo ela, a integração econômica deverá impulsionar a criação de empregos e abrir novas possibilidades para o setor empresarial em ambas as regiões.

“Sei que, entre nossas regiões e nossos povos, o melhor ainda está por vir”, afirmou. Para Ursula, o comércio internacional deve ser visto como um instrumento de cooperação. “É assim que a gente cria a prosperidade verdadeira, que é a prosperidade compartilhada. Nós concordamos que o comércio internacional não é um jogo de soma zero”, concluiu. Foto: Ricardo Stuckert / PR)

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sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

União Europeia aprova acordo com o Mercosul após 25 anos e avança para criação da maior zona de livre comércio do mundo

               Após mais de duas décadas de negociações marcadas por impasses políticos, pressões internas e disputas comerciais, a União Europeia deu um passo histórico nesta sexta-feira (9) ao aprovar o acordo de livre comércio com o Mercosul. A decisão abre caminho para a formação da maior zona de livre comércio do planeta, conectando dois grandes blocos econômicos e reunindo mais de 700 milhões de consumidores.

A aprovação ocorreu durante uma reunião de embaixadores em Bruxelas, quando os 27 Estados-membros da União Europeia alcançaram uma maioria qualificada favorável ao acordo, mesmo diante da resistência de países como França, Polônia, Irlanda e Hungria, que expressaram preocupações, sobretudo, relacionadas aos impactos sobre seus setores agrícolas.

O primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz, um dos principais defensores da iniciativa, celebrou o avanço e classificou a decisão como um marco estratégico.

“Trata-se de um passo importante na política comercial europeia e um forte sinal da nossa soberania estratégica”, afirmou.

Com a aprovação no âmbito do Conselho, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, está autorizada a viajar ao Paraguai, onde deverá assinar oficialmente o acordo com os países do Mercosul — Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai — na próxima segunda-feira, em Assunção.

Apesar do avanço político, o acordo ainda não entrará em vigor de forma imediata. Do lado europeu, será necessária a ratificação do Parlamento Europeu, que deverá se manifestar nas próximas semanas. O cenário, no entanto, permanece incerto: cerca de 150 eurodeputados, de um total de 720, já sinalizaram a possibilidade de recorrer à Justiça para tentar barrar a aplicação do tratado.

Negociado desde 1999, o acordo prevê a eliminação de tarifas sobre mais de 90% do comércio bilateral, além de regras comuns para áreas como serviços, compras governamentais, propriedade intelectual e desenvolvimento sustentável. Para reduzir a oposição interna, especialmente de agricultores europeus, o texto inclui cláusulas específicas de proteção e salvaguardas comerciais.

Se ratificado, o acordo União Europeia–Mercosul representará uma das maiores transformações no comércio internacional nas últimas décadas, com impacto direto nas cadeias produtivas, exportações agrícolas, indústria e investimentos entre os dois blocos. 

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