A
Polícia Civil de Pernambuco desarticulou, no domingo (11), um esquema criminoso
de fraude em concurso público durante a aplicação das provas para o cargo de guarda
municipal de Paulista, no Grande Recife. Ao todo, três homens foram flagrados
em ação, suspeitos de integrar uma organização criminosa especializada na
adulteração de certames públicos. Um quarto envolvido também foi detido por
tentativa de fraude em concurso para agente de trânsito.
Segundo
a Polícia Civil, o grupo utilizava tecnologia sofisticada, incluindo smartwatch,
pontos eletrônicos invisíveis e dispositivos disfarçados de cartão de crédito,
para fotografar as provas e repassar as questões a comparsas externos, que
enviavam as respostas em tempo real.
Os
suspeitos foram levados à delegacia e autuados por fraude em concurso público e
organização criminosa, mas acabaram sendo liberados após os procedimentos
legais, conforme informaram advogados de defesa.
A
prova foi aplicada simultaneamente para cerca de 39 mil candidatos,
distribuídos em 80 escolas nos municípios de Paulista, Abreu e Lima e Igarassu.
De acordo com a Polícia Civil, os suspeitos foram flagrados logo no início da
aplicação, o que, segundo a corporação, não comprometeu a lisura do certame.
As
informações foram detalhadas nesta segunda-feira (12), durante coletiva de
imprensa. O delegado Júlio César Barbosa, adjunto da 1ª Delegacia de Combate à
Corrupção e ao Crime Organizado, explicou que a investigação teve início no dia
7 de janeiro, após o recebimento de uma denúncia anônima.
Com
base nas informações, a polícia conseguiu identificar os suspeitos e realizar
uma ação simultânea em diversas escolas. O principal articulador do esquema,
apontado como peça “central” da organização, seria Gerson Agustinho da Silva,
de 47 anos, preso em flagrante na EREM João Pessoa Guerra, em Igarassu.
“O
suspeito, que portava um smartwatch e ocupa um cargo elevado na hierarquia da
organização criminosa, era responsável por capturar e repassar o conteúdo das
provas. O objetivo dele não era a aprovação pessoal, mas o fornecimento das
questões para cúmplices externos”, detalhou o delegado.
Ainda
segundo a polícia, os envolvidos deixavam uma prova falsa sobre a mesa e
levavam a verdadeira ao banheiro, onde fotografavam o conteúdo e o transmitiam
para fora do prédio. As respostas eram enviadas aos candidatos por meio de pontos
eletrônicos quase imperceptíveis, inseridos no ouvido.
Em
vídeo divulgado pela corporação, um dos suspeitos aparece em uma unidade de
saúde durante a remoção do ponto eletrônico. Com o grupo, a polícia também
apreendeu um celular antigo e um dispositivo semelhante a um cartão de crédito,
que funcionava como receptor de chamadas.
“O
aparelho simula um cartão comum, mas contém um chip telefônico que recebe
ligações e as retransmite via Bluetooth para o ponto eletrônico”, explicou
Barbosa. Conforme as investigações, os valores cobrados pelo esquema criminoso
variavam entre R$ 5 mil e R$ 170 mil, a depender do cargo disputado.
As
investigações seguem em andamento para identificar outros possíveis envolvidos
no esquema.
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