Por
Paulo Edson
A
democracia brasileira enfrenta um novo e insidioso inimigo: a manipulação
algorítmica por parte das grandes corporações de tecnologia. Nas eleições mais
polarizadas da história recente, crescem as denúncias de que a Meta, dona do
Facebook e do Instagram, está utilizando sua força midiática sem precedentes
para interferir ativamente no resultado das urnas, favorecendo a candidatura de
Flávio Bolsonaro em detrimento de Luiz Inácio Lula da Silva.
A
denúncia, que já ecoa em corredores políticos e começa a ser monitorada por
observadores eleitorais, aponta para uma conduta escandalosa. A Meta estaria
quebrando a suposta neutralidade de suas redes sociais para furar bolhas
informativas de maneira seletiva e direcionada.
O
mecanismo descrito por usuários é sofisticado. Quem segue a Flávio Bolsonaro e
seus aliados continua vivendo em uma bolha blindada, recebendo apenas notícias
positivas sobre o senador e desfavoráveis a Lula. No entanto, quem segue Lula e
seus aliados — um eleitorado historicamente mais difícil de ser acessado pela
direita — está tendo sua timeline "invadida".
Esses
usuários relatam estar recebendo uma avalanche de impulsionamentos orgânicos e
anúncios de Flávio Bolsonaro, apresentando-o sob uma luz favorável ou
disparando ataques contra Lula. A assimetria é o coração do abuso: a plataforma
usa sua "força de jogar nas redes de outras pessoas" apenas para um
lado.
Ao
agir dessa forma, a Meta deixa de ser apenas a infraestrutura onde o debate
ocorre e passa a ser uma participante ativa na campanha eleitoral. Ela rompe as
bolhas não para promover o debate plural, mas para "converter" ou
desestabilizar a base de apoio de um candidato específico. É uma invasão de
soberania eleitoral sem precedentes.
Se
uma empresa estrangeira, que controla o fluxo de informação de 150 milhões de
brasileiros, decide usar seu poder para bombardear um eleitorado com notícias
de apenas um lado, não há mais pleito justo ou isonômico. É a Meta quem está
decidindo o que o eleitor vê.
A conduta da Meta reforça a necessidade urgente de regulação das plataformas e de transparência algorítmica. Enquanto as big techs operarem em "caixas pretas", a Justiça Eleitoral e a sociedade brasileira ficarão reféns de suas decisões de negócio e interesses políticos, que muitas vezes não coincidem com o interesse democrático do país. A eleição no Brasil não pode ser decidida por um algoritmo em Menlo Park.
👉 Acompanhe mais notícias e curta nossas redes sociais:
















.jpg)



