Réu já havia sido condenado
pelo assassinato da mesma vítima e voltou a fazer ameaças durante julgamento
O Tribunal do Júri do Recife
condenou, nesta quarta-feira (3), Jorge Bezerra da Silva a 20 anos de reclusão
em regime inicialmente fechado pela tentativa de feminicídio contra sua
ex-companheira, Priscila Monique Laurindo da Silva. A sentença foi proferida
pela juíza Danielle Christine Silva Melo, da 3ª Vara do Tribunal do Júri da
Capital.
O crime ocorreu em abril de
2021, cerca de nove meses antes do feminicídio consumado que vitimou Priscila
em janeiro de 2022. Pelo assassinato da ex-companheira, Jorge já havia sido
condenado, em julho de 2025, a 29 anos e 8 meses de prisão.
Durante o julgamento desta
semana, os jurados reconheceram que a tentativa de homicídio foi praticada por
motivo torpe, em contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher e
sem que a vítima tivesse possibilidade de defesa.
Segundo a denúncia do
Ministério Público de Pernambuco (MPPE), Jorge não aceitava o fim do
relacionamento e descumpriu medidas protetivas determinadas pela Justiça. Na
época, ele utilizava tornozeleira eletrônica, mas rompeu o equipamento para ir
até a residência onde Priscila estava abrigada.
De acordo com os autos do
processo, Priscila estava na casa da mãe segurando nos braços a filha
recém-nascida do casal quando foi surpreendida pelo agressor.
Armado com uma faca, Jorge
desferiu diversos golpes contra a ex-companheira. Durante o ataque, a criança
também foi atingida em uma das mãos. Conforme a investigação, ferimentos mais
graves foram evitados porque a mãe utilizou o próprio corpo para proteger a
filha.
A vítima sofreu múltiplas
lesões, perdeu grande quantidade de sangue e precisou ser socorrida
inicialmente para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Caxangá, sendo
posteriormente transferida para o Hospital da Restauração.
O crime não foi consumado
naquele momento porque familiares começaram a pedir socorro e a mobilizar
pessoas próximas, fazendo com que o agressor fugisse do local.
O caso julgado nesta
quarta-feira é considerado um dos episódios mais graves de um histórico de
violência que culminou no assassinato de Priscila meses depois.
A condenação reforça o
entendimento da Justiça de que a violência doméstica costuma apresentar sinais
progressivos e que o descumprimento de medidas protetivas representa elevado
risco para as vítimas.
Um fato que chamou atenção
durante o julgamento foi o registro de novas ameaças atribuídas ao réu.
Segundo a juíza Danielle
Christine Silva Melo, Jorge Bezerra ameaçou de morte Vitória da Silva Souza,
irmã de Priscila e testemunha do processo, durante a própria sessão do Tribunal
do Júri.
O episódio foi registrado na
sentença e evidencia, segundo a magistrada, a persistência do comportamento
violento do condenado mesmo durante o julgamento.
Com a nova condenação, Jorge Bezerra acumula penas que ultrapassam 49 anos de prisão pelos crimes cometidos contra a ex-companheira e sua família.
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