quarta-feira, 3 de junho de 2026

Nova ofensiva comercial dos EUA ameaça exportações brasileiras com proposta de tarifa adicional de 12,5%

Brasil está entre os países mais afetados e decisão ocorre após encontro com os irmãos Bolsonaros.

O governo dos Estados Unidos anunciou uma nova proposta de sobretaxação sobre produtos importados de 60 países, incluindo o Brasil, ampliando a tensão comercial entre Washington e importantes parceiros econômicos. A nova ofensiva comercial dos Estados Unidos contra o Brasil ocorre poucos dias após reuniões realizadas em Washington entre o presidente americano Donald Trump e os irmãos Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro e prevê uma tarifa adicional de 12,5% sobre mercadorias brasileiras, sob a alegação de que o país não possui mecanismos considerados eficazes para impedir a entrada de produtos produzidos com trabalho forçado.

A iniciativa foi divulgada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e decorre de uma investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento legal utilizado pelo governo americano para apurar práticas consideradas prejudiciais ao comércio norte-americano.

O Brasil integra o grupo de países que poderá sofrer a maior alíquota adicional proposta, ao lado de economias como China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Arábia Saudita e Reino Unido. Já países que adotaram restrições parciais ou compromissos formais de fiscalização, como Canadá, México e União Europeia, foram enquadrados em uma faixa menor de 10%.

A nova proposta surge poucos dias após outra ação comercial anunciada pelos Estados Unidos envolvendo produtos brasileiros. O USTR já havia concluído uma investigação separada sobre práticas comerciais brasileiras, propondo tarifas de até 25% sobre diversos produtos exportados pelo país.

Até o momento, não está claro se as novas tarifas de 12,5% relacionadas ao trabalho forçado serão cumulativas com as taxas anteriormente anunciadas, o que pode elevar significativamente os custos de exportação para empresas brasileiras que atuam no mercado americano.

A proposta ainda não entrou em vigor. O governo americano abriu um período para consulta pública e realização de audiências antes da decisão final sobre a aplicação das tarifas.

Especialistas acompanham com atenção os possíveis reflexos da medida para setores exportadores brasileiros. Caso seja confirmada, a nova tarifa poderá atingir produtos destinados ao mercado americano e ampliar os desafios enfrentados por empresas brasileiras em um cenário global já marcado por disputas comerciais e aumento do protecionismo internacional. 

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