quarta-feira, 3 de junho de 2026

Homem é condenado a 20 anos por tentativa de feminicídio contra ex-companheira no Recife

Réu já havia sido condenado pelo assassinato da mesma vítima e voltou a fazer ameaças durante julgamento

O Tribunal do Júri do Recife condenou, nesta quarta-feira (3), Jorge Bezerra da Silva a 20 anos de reclusão em regime inicialmente fechado pela tentativa de feminicídio contra sua ex-companheira, Priscila Monique Laurindo da Silva. A sentença foi proferida pela juíza Danielle Christine Silva Melo, da 3ª Vara do Tribunal do Júri da Capital.

O crime ocorreu em abril de 2021, cerca de nove meses antes do feminicídio consumado que vitimou Priscila em janeiro de 2022. Pelo assassinato da ex-companheira, Jorge já havia sido condenado, em julho de 2025, a 29 anos e 8 meses de prisão.

Durante o julgamento desta semana, os jurados reconheceram que a tentativa de homicídio foi praticada por motivo torpe, em contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher e sem que a vítima tivesse possibilidade de defesa.

Segundo a denúncia do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), Jorge não aceitava o fim do relacionamento e descumpriu medidas protetivas determinadas pela Justiça. Na época, ele utilizava tornozeleira eletrônica, mas rompeu o equipamento para ir até a residência onde Priscila estava abrigada.

De acordo com os autos do processo, Priscila estava na casa da mãe segurando nos braços a filha recém-nascida do casal quando foi surpreendida pelo agressor.

Armado com uma faca, Jorge desferiu diversos golpes contra a ex-companheira. Durante o ataque, a criança também foi atingida em uma das mãos. Conforme a investigação, ferimentos mais graves foram evitados porque a mãe utilizou o próprio corpo para proteger a filha.

A vítima sofreu múltiplas lesões, perdeu grande quantidade de sangue e precisou ser socorrida inicialmente para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Caxangá, sendo posteriormente transferida para o Hospital da Restauração.

O crime não foi consumado naquele momento porque familiares começaram a pedir socorro e a mobilizar pessoas próximas, fazendo com que o agressor fugisse do local.

O caso julgado nesta quarta-feira é considerado um dos episódios mais graves de um histórico de violência que culminou no assassinato de Priscila meses depois.

A condenação reforça o entendimento da Justiça de que a violência doméstica costuma apresentar sinais progressivos e que o descumprimento de medidas protetivas representa elevado risco para as vítimas.

Um fato que chamou atenção durante o julgamento foi o registro de novas ameaças atribuídas ao réu.

Segundo a juíza Danielle Christine Silva Melo, Jorge Bezerra ameaçou de morte Vitória da Silva Souza, irmã de Priscila e testemunha do processo, durante a própria sessão do Tribunal do Júri.

O episódio foi registrado na sentença e evidencia, segundo a magistrada, a persistência do comportamento violento do condenado mesmo durante o julgamento.

Com a nova condenação, Jorge Bezerra acumula penas que ultrapassam 49 anos de prisão pelos crimes cometidos contra a ex-companheira e sua família. 

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