João Campos é, sem dúvida,
um dos nomes mais fortes da política pernambucana. Tem visibilidade, aprovação
e protagonismo suficientes para disputar qualquer eleição majoritária sem
precisar recorrer a atalhos narrativos.
Por isso chamou atenção o
release distribuído por sua assessoria atribuindo ao socialista a entrega de 75
veículos para a saúde de municípios pernambucanos. João participou do evento,
esteve presente, dialogou com lideranças e cumpriu seu papel político. Mas os
veículos pertencem a programas do Governo Federal, financiados pela União e
entregues por representantes oficiais do Ministério da Saúde.
Pode parecer apenas um
detalhe de comunicação. Não é.
Existe uma diferença
importante entre participar de uma entrega e ser responsável por ela. Entre
prestigiar uma ação e executá-la. Entre estar na foto e ser o autor da obra.
O episódio revela um erro
comum quando a comunicação passa a correr mais rápido que os fatos. A
propaganda pode ampliar uma realidade, mas dificilmente consegue substituí-la
por muito tempo.
Os grandes marqueteiros
costumam repetir que a propaganda não cria realidades permanentes. Ela
potencializa realidades existentes. Quando tenta substituir os fatos,
transforma-se em caricatura. E é justamente aí que algumas peças da engrenagem
parecem começar a bater cabeça.
João Campos não precisa
reivindicar a autoria de investimentos federais para demonstrar força política.
Seu capital eleitoral já fala por si. Quando a comunicação tenta atribuir
protagonismos que não correspondem aos fatos, corre o risco de transformar uma
virtude em questionamento.
A publicidade pode iluminar uma obra. Pode ampliar uma ação. Pode transformar um gesto em mensagem. O que ela não consegue fazer, por mais criativa que seja, é substituir a realidade sem que a própria realidade apareça depois para reivindicar o protagonismo. E quando ela aparece, costuma cobrar precisão.
No fim das contas,
comunicação eficiente não é a que inventa grandezas. É a que consegue traduzir,
com credibilidade, as grandezas que já existem.
E, para quem pretende governar Pernambuco, talvez essa seja uma lição tão importante quanto qualquer pesquisa eleitoral.
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