Hoje, ela comemora algo
maior que um aniversário. Celebra o primeiro ano do seu recomeço — o tempo que
Deus e a medicina lhe devolveram para continuar escrevendo, com o mesmo brilho
no olhar, a história de uma mulher que nasceu para vencer.
As verdades de uma mulher nem sempre cabem em números. A idade é uma delas. O que importa não é quantos anos se vive, mas como se vive. E Célia viveu com intensidade.
Menina, aos 8 anos, deixou o cheiro da terra molhada de São Domingos, em Buíque,
e veio com a mãe, Dona Judite, e as irmãs, para Arcoverde — a cidade grande que
seria palco de sua história.
A infância, que deveria ser
brincadeira, virou trabalho cedo. Aos 10 anos, já era faxineira. Aos 14,
comerciária. Aos 18, dona de loja. Entre vassouras, tecidos e contas a pagar,
Célia aprendia que a vida não é feita de facilidades, mas de coragem.
E foi com essa coragem que
se encantou pela política. Nos palanques, entre discursos e bandeiras,
descobriu que queria mais que vencer na vida — queria transformar vidas.
Admirava a firmeza e a seriedade de líderes como Giovanni Porto, e, inspirada,
decidiu trilhar seu próprio caminho.
Em 1988, desafiando o
machismo e os costumes de uma época em que mulher não “pertencia” à política,
Célia entrou para a história: foi a primeira mulher eleita vereadora de
Arcoverde, com 651 votos.
Célia escreveu, com mãos
firmes, capítulos fundamentais da história da cidade.
Foi constituinte, ajudou a criar a Lei Orgânica que guia os poderes, aprovou o
plano de cargos e carreiras dos professores, código tributário, de postura,
leis e mais leis. E sempre com o mesmo espírito: ora oposição, ora governo —
mas sempre fiel a si mesma, à sua consciência, ao povo e à sua palavra.
Mas quem conhece Célia sabe
— ela não nasceu para recuar.
Lutou como quem reza, acreditou como quem ama, enfrentou cada dia com a fé de
quem sabe que a vida ainda lhe devia muitos amanheceres. E venceu.
Deus lhe deu o maior presente: mais tempo. Tempo para sorrir, para agradecer,
para continuar sendo quem é — símbolo de força, resiliência e amor por
Arcoverde.
Hoje, Célia não apaga velas
— reacende luzes.
Luzes de esperança, de novos
caminhos, de uma nova versão de si mesma.
Porque há renascimentos que são mais bonitos que qualquer juventude.
E se alguém perguntar sua
idade, que se diga apenas isso: Célia tem o tempo exato de uma mulher que
venceu, caiu, se levantou e recomeçou.
O tempo de quem aprendeu que
a vida é um milagre diário — e que recomeçar é o maior dos presentes.
Porque há vidas que não envelhecem. Apenas recomeçam.
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