quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Crônica: Célia, O Primeiro Ano do Recomeço

               Há vidas que não se medem em anos. Medem-se em coragem, em lágrimas que ensinaram, em sorrisos que resistiram, em sonhos que, mesmo cansados, nunca deixaram de caminhar. A vida de Célia Almeida Galindo é uma dessas — feita de passos firmes, quedas superadas e uma fé que nunca se apaga.

Hoje, ela comemora algo maior que um aniversário. Celebra o primeiro ano do seu recomeço — o tempo que Deus e a medicina lhe devolveram para continuar escrevendo, com o mesmo brilho no olhar, a história de uma mulher que nasceu para vencer.

As verdades de uma mulher nem sempre cabem em números. A idade é uma delas. O que importa não é quantos anos se vive, mas como se vive. E Célia viveu com intensidade.

Menina, aos 8 anos, deixou o cheiro da terra molhada de São Domingos, em Buíque, e veio com a mãe, Dona Judite, e as irmãs, para Arcoverde — a cidade grande que seria palco de sua história.

A infância, que deveria ser brincadeira, virou trabalho cedo. Aos 10 anos, já era faxineira. Aos 14, comerciária. Aos 18, dona de loja. Entre vassouras, tecidos e contas a pagar, Célia aprendia que a vida não é feita de facilidades, mas de coragem.

E foi com essa coragem que se encantou pela política. Nos palanques, entre discursos e bandeiras, descobriu que queria mais que vencer na vida — queria transformar vidas. Admirava a firmeza e a seriedade de líderes como Giovanni Porto, e, inspirada, decidiu trilhar seu próprio caminho.

Em 1988, desafiando o machismo e os costumes de uma época em que mulher não “pertencia” à política, Célia entrou para a história: foi a primeira mulher eleita vereadora de Arcoverde, com 651 votos.

Célia escreveu, com mãos firmes, capítulos fundamentais da história da cidade.
Foi constituinte, ajudou a criar a Lei Orgânica que guia os poderes, aprovou o plano de cargos e carreiras dos professores, código tributário, de postura, leis e mais leis. E sempre com o mesmo espírito: ora oposição, ora governo — mas sempre fiel a si mesma, à sua consciência, ao povo e à sua palavra.

Nos bastidores das vitórias, a vida também lhe impôs provas duras.
A dor de perder dona Judite.
A aflição diante da doença do neto Matheus — hoje recuperado.
E o golpe mais difícil: o diagnóstico de câncer.

Mas quem conhece Célia sabe — ela não nasceu para recuar.
Lutou como quem reza, acreditou como quem ama, enfrentou cada dia com a fé de quem sabe que a vida ainda lhe devia muitos amanheceres. E venceu.
Deus lhe deu o maior presente: mais tempo. Tempo para sorrir, para agradecer, para continuar sendo quem é — símbolo de força, resiliência e amor por Arcoverde.

Hoje, Célia não apaga velas — reacende luzes.

Luzes de esperança, de novos caminhos, de uma nova versão de si mesma.
Porque há renascimentos que são mais bonitos que qualquer juventude.

E se alguém perguntar sua idade, que se diga apenas isso: Célia tem o tempo exato de uma mulher que venceu, caiu, se levantou e recomeçou.

O tempo de quem aprendeu que a vida é um milagre diário — e que recomeçar é o maior dos presentes.

Porque há vidas que não envelhecem. Apenas recomeçam. 

👉 Acompanhe mais notícias e curta nossas redes sociais:

📸 Instagram   👍 Facebook

Nenhum comentário:

Postar um comentário