Levantamento
do Instituto Sou da Paz revela aumento da circulação de pistolas e fuzis na
região e reforça preocupação com a expansão das facções criminosas
O
Nordeste passou a concentrar uma parcela cada vez maior das apreensões de armas
de fogo no Brasil, evidenciando uma mudança no mapa da criminalidade e impondo
novos desafios para a segurança pública. É o que revela um estudo divulgado
pelo Instituto Sou da Paz, que aponta um crescimento expressivo da participação
da região nas apreensões nacionais entre 2021 e 2025.
De
acordo com o levantamento, o Nordeste deixou de ser apenas uma rota de
circulação de armamentos e passou a desempenhar um papel mais relevante no
cenário da violência armada. A participação da região nas apreensões nacionais
subiu de 25% em 2021 para 33% em 2025.
No
sentido contrário, o Sudeste reduziu sua participação de 41% para cerca de 36%
no mesmo período. Em todo o país, foram 107.746 armas apreendidas em 2025, o
segundo maior volume registrado pela série histórica analisada pelo instituto.
O
estudo também identifica uma mudança no perfil do armamento apreendido pelas
forças de segurança. Os tradicionais revólveres perderam espaço para as
pistolas, enquanto os fuzis, apesar de ainda representarem uma parcela menor do
total, tiveram crescimento significativo, mais que dobrando sua presença nas
apreensões nacionais.
Para
especialistas, essa mudança demonstra o aumento do poder de fogo das
organizações criminosas e a maior capacidade operacional das facções que atuam
na região.
Segundo
a diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, Carolina Ricardo, o fenômeno está
diretamente ligado à expansão do crime organizado.
"Quando
a gente olha para o Nordeste, vê que, para além da circulação de armas, a
dinâmica do crime organizado já vem mudando há alguns anos", afirmou.
A
pesquisadora destaca que o fortalecimento das facções não ocorre apenas nas
grandes capitais, mas também em municípios do interior, onde grupos criminosos
têm ampliado o controle territorial.
De acordo com Carolina Ricardo, o aumento do poder bélico permite que essas organizações imponham domínio sobre comunidades e ampliem sua capacidade de intimidação, inclusive diante de forças policiais com menor estrutura.
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