sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Acordo do TJPE encerra disputa fundiária de 14 anos e garante permanência de famílias em Gravatá

Conciliação solucionou 27 processos relacionados à Fazenda Cliper e viabilizou aquisição de 20 hectares pelos ocupantes

Uma disputa fundiária que se arrastava há 14 anos chegou ao fim em Gravatá, no Agreste de Pernambuco. Um acordo homologado pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) nesta quinta-feira (17) encerrou 27 processos judiciais relacionados à Fazenda Cliper, incluindo 26 ações de usucapião e uma ação de reintegração de posse.

O conflito teve início em 2012, quando os proprietários da fazenda recorreram à Justiça para recuperar a posse da área ocupada pela Associação dos Agricultores do Vale do Cliper. Em resposta, os ocupantes ingressaram com ações de usucapião para reivindicar a propriedade de parcelas do terreno.

Pelo acordo, pouco mais de 30 famílias poderão permanecer em uma área de 20 hectares da Fazenda Cliper, que possui aproximadamente 159 hectares.

A aquisição do terreno será viabilizada por meio do Programa Nacional de Crédito Fundiário, responsável pelo financiamento das propriedades. O entendimento também estabelece o pagamento de indenização aos proprietários.

Com a homologação, os 27 processos judiciais vinculados ao conflito são encerrados.

A solução foi construída com a participação da Comissão Regional de Soluções Fundiárias (CRSF). A atuação da comissão começou após a juíza Thaís Maia Silva solicitar, em 2025, o envolvimento do Núcleo Agreste nas negociações.

Durante aproximadamente um ano, foram realizadas três reuniões entre proprietários e ocupantes até a construção do acordo.

A homologação ocorreu na própria Fazenda Cliper e reuniu mais de 50 pessoas, entre moradores, proprietários, autoridades e representantes de órgãos públicos.

Participaram do processo representantes do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), Defensoria Pública de Pernambuco (DPPE), Instituto de Terras e Reforma Agrária de Pernambuco (Iterpe), Banco do Nordeste e integrantes do TJPE.

A CRSF atua justamente na mediação de conflitos fundiários que chegam ao Judiciário, auxiliando magistrados e as partes na busca por soluções consensuais. Em Pernambuco, a comissão mantém núcleos voltados para diferentes regiões do estado, incluindo Região Metropolitana do Recife, Zona da Mata, Agreste e Sertão.

Após mais de uma década de disputa judicial, o acordo estabelece uma solução negociada que permite a regularização da área ocupada e a permanência das famílias, ao mesmo tempo em que prevê compensação aos proprietários. 

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