O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevou o tom contra as plataformas de
apostas on-line durante comício realizado nesta sexta-feira (18), em Guarulhos,
na Grande São Paulo. Durante o discurso, o candidato à reeleição afirmou que
pretende acabar com as chamadas bets no país e rebateu as críticas feitas por
clubes de futebol às possíveis mudanças na regulamentação do setor.
Lula
afirmou que sua preocupação principal está nos efeitos das apostas sobre
pessoas endividadas e disse ter ouvido relatos de eleitores que enfrentaram
dificuldades financeiras em razão dos jogos. Segundo o presidente, a
arrecadação gerada pelo setor não deveria ser o principal critério para definir
a política pública.
A
declaração ocorreu um dia depois de diversos clubes brasileiros divulgarem um
manifesto contrário a mudanças abruptas na regulamentação das apostas. Na
manifestação, os clubes defenderam a manutenção do mercado regulado e afirmaram
que uma eventual proibição poderia comprometer receitas, contratos e
investimentos no futebol brasileiro.
Ao
responder ao posicionamento dos clubes, Lula citou Flamengo e Corinthians e
contestou a avaliação de que o fim das bets provocaria o colapso do futebol
nacional.
O
presidente também argumentou que o futebol brasileiro conquistou títulos
importantes antes da existência das plataformas de apostas e afirmou que
pretende discutir o assunto com os clubes.
A
posição do governo ocorre enquanto são avaliadas novas medidas para restringir
o mercado. Reportagem da Reuters informou que o governo preparava uma medida
para proibir cassinos on-line, enquanto as apostas esportivas poderiam
permanecer sob regras específicas.
Os
clubes, por sua vez, sustentam que as empresas autorizadas se tornaram uma
fonte relevante de financiamento para o esporte. Segundo manifestação divulgada
na quinta-feira (17), 13 dos 20 clubes da Série A tinham contratos de
patrocínio master com casas de apostas, e os clubes estimaram impacto de
aproximadamente R$ 1 bilhão caso o mercado fosse proibido.
O
ato em Guarulhos também teve forte presença de lideranças femininas. Lula
esteve acompanhado de Fernando Haddad, Simone Tebet, Marina Silva, Márcio
França e Geraldo Alckmin, entre outros aliados.
A
senadora Simone Tebet abriu os discursos e direcionou parte de sua fala ao
eleitorado feminino. Ela também fez críticas ao candidato ao Senado Guilherme
Derrite (PP), mencionando questões relacionadas à estrutura das delegacias da
mulher e fazendo acusações políticas contra adversários.
Durante
sua participação, Tebet também citou o Banco Master e cobrou explicações de Flávio
Bolsonaro sobre o caso. Essas afirmações foram apresentadas no contexto do
discurso de campanha.
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