quarta-feira, 8 de abril de 2026

CNJ e CNMP avançam para manter benefícios extras a magistrados e procuradores, contrariando STF

             Uma nova controvérsia jurídica e institucional ganha destaque no país com o avanço de uma resolução conjunta entre o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), que prevê a manutenção de benefícios adicionais — conhecidos como “penduricalhos” — a juízes e procuradores.

A proposta já conta com maioria nos dois conselhos e deve ter seu julgamento concluído nesta quinta-feira (9). O relator do texto é o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Edson Fachin, cujo voto foi acompanhado por outros conselheiros do CNJ.

A discussão ocorre em meio a um cenário recente de tentativa de limitação dos chamados supersalários no setor público. Em decisão tomada no último dia 25 de março, o STF estabeleceu diretrizes para restringir pagamentos que ultrapassem o teto constitucional, equivalente ao salário de ministros da Corte.

Apesar disso, a resolução em análise nos conselhos mantém algumas verbas indenizatórias fora do teto, o que, na prática, permite que a remuneração total ultrapasse o limite formal. Especialistas apontam que o entendimento pode divergir da própria decisão do Supremo, gerando questionamentos sobre coerência institucional.

Entre os pontos mais debatidos está a manutenção do auxílio-moradia, considerado inconstitucional pelo STF quando pago como verba indenizatória sem previsão legal específica. Ainda assim, a proposta dos conselhos prevê a continuidade do benefício com base em normativas internas anteriores.

Outro aspecto que chama atenção é a criação de uma nova gratificação, voltada à proteção da primeira infância, com adicional de 3% sobre o subsídio por dependente de até seis anos. A medida não consta entre as hipóteses autorizadas pela decisão do Supremo e surge em meio à determinação de extinção de benefícios semelhantes, como auxílio-creche e assistência pré-escolar.

Até o momento, nem o CNJ nem o CNMP se manifestaram oficialmente sobre as críticas relacionadas à possível divergência entre a resolução e o entendimento firmado pelo STF.

O desfecho do julgamento pode redefinir os parâmetros sobre remuneração no sistema de Justiça, reacendendo o debate sobre transparência, legalidade e limites no uso de recursos públicos. 

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