quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Delação pode abalar esquema bilionário no setor de combustíveis e o mundo político

                Um pedido de delação premiada considerado explosivo, envolvendo suspeitas de corrupção em larga escala no setor de combustíveis, permanece sem avanço na Procuradoria-Geral da República (PGR) desde outubro do ano passado. A colaboração foi apresentada pelos empresários Mohamad Hussein Mourad, conhecido como Primo, e Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, apontados como os principais alvos da Operação Carbono, deflagrada pela Polícia Federal.

Ambos estão foragidos da Justiça, mas entregaram às autoridades um vasto conjunto de provas que inclui documentos, mensagens de celular, gravações e comprovantes de pagamento, que, segundo fontes ligadas à investigação, detalham um esquema de pagamento de propinas que ultrapassa R$ 400 milhões, entre os anos de 2022 e 2024.

De acordo com o material apresentado, os valores teriam sido destinados a autoridades e agentes políticos com o objetivo de evitar a cassação de licenças do grupo empresarial investigado, garantir vantagens tributárias indevidas e obter acesso privilegiado à Agência Nacional do Petróleo (ANP), órgão regulador do setor.

Outro ponto sensível da delação diz respeito a informações sobre o vazamento da Operação Carbono. No dia da deflagração da ação, a Polícia Federal conseguiu cumprir apenas 6 das 14 ordens de prisão expedidas pela Justiça. Diante da frustração das prisões, a cúpula da PF determinou a abertura de um inquérito específico para apurar possível vazamento de informações sigilosas.

Enquanto o acordo permanece sem desfecho na esfera federal, o cenário é diferente no Ministério Público de São Paulo (MPSP). Segundo apuração, as negociações para uma delação premiada no âmbito estadual estão em estágio avançado, com expectativa de homologação judicial em até 60 dias.

O impasse na PGR, somado à gravidade das acusações e ao volume de recursos supostamente desviados, aumenta a pressão sobre as instituições responsáveis pela condução do caso, considerado um dos mais relevantes já registrados no setor de combustíveis no país. Infrmações do G1


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