Durante
pronunciamento no colegiado, o primeiro conselheiro do Conselho Superior e
ex-procurador-geral de Justiça, Aguinaldo Fenelon, condenou veementemente o
episódio, classificando-o como uma afronta direta ao Estado Democrático de
Direito. Em um discurso carregado de simbolismo histórico, Fenelon comparou a
situação a práticas de vigilância típicas do regime militar.
“Fui estudante de Letras e de Direito ao mesmo tempo e
vivi um período em que éramos monitorados pelo regime. Pensei que isso tivesse
ficado no passado. De repente, nos deparamos com notícias de monitoramento e
rastreamento sem devido processo legal, amplamente repercutidas pela imprensa
nacional”,
afirmou.
O
conselheiro destacou como ainda mais grave o fato de o suposto monitoramento
ter sido atribuído à Diretoria de Inteligência da Polícia Civil (Dintel), órgão
que, segundo ele, não possui competência legal para realizar esse tipo de ação
sem provocação formal de outra instância.
“Não há nada formalizado. A conduta é totalmente
incompatível com o Estado Democrático de Direito, com a Constituição, com a lei
penal e com tudo aquilo que o Ministério Público sempre defendeu”, reforçou.
Fenelon
também criticou a postura do Governo de Pernambuco, que sustentou publicamente
a legalidade da medida. A defesa foi feita inicialmente pelo secretário de
Defesa Social, Alessandro Carvalho, e posteriormente reiterada pela governadora
Raquel Lyra (PSD).
“Ter ocorrido já é uma grande preocupação. Mas ouvir de
autoridades que isso seria legal é ainda mais alarmante. É necessária uma
apuração rigorosa, profunda e sem direcionamentos, para que a verdade venha à
tona, independentemente de quem seja o responsável”, concluiu.
O Ministério Público já informou que adotou providências formais para apurar os fatos. O caso segue repercutindo entre juristas, lideranças políticas e entidades da sociedade civil, ampliando o debate sobre limites da atividade de inteligência e o respeito às garantias constitucionais em Pernambuco.
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