sexta-feira, 11 de julho de 2025

Empresa contratada por R$ 224 milhões para videomonitoramento em Pernambuco acumula denúncias

                  A Teltex Tecnologia, empresa escolhida para instalar e operar o novo sistema de videomonitoramento da segurança pública de Pernambuco, está no centro de uma série de controvérsias e investigações que colocam em xeque a transparência, a legalidade e a eficácia dos contratos firmados com o governo estadual.

Com um histórico repleto de ações judiciais, denúncias de descumprimento contratual e um processo de recuperação judicial envolvendo dívidas superiores a R$ 40 milhões, a Teltex foi contratada inicialmente pela Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) para instalar 890 câmeras em hospitais da rede pública, em um contrato de R$ 15 milhões.

No entanto, foi a licitação milionária da Secretaria de Defesa Social (SDS), no valor de até R$ 224 milhões, que ampliou os questionamentos. O contrato prevê a instalação de 2 mil câmeras em vias públicas, mas desde o início enfrentou denúncias de irregularidades técnicas, atrasos na entrega de equipamentos e falhas contratuais, além de alertas internos do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE).

A Teltex venceu a licitação mesmo tendo apresentado a segunda melhor proposta financeira. O contrato só foi adjudicado à empresa após a desclassificação da L8 Group, que ficou em primeiro lugar, por supostas falhas documentais. A decisão causou protestos de empresas concorrentes, como a Painel Multiserviços LTDA, que ingressou com denúncia formal no TCE.

Segundo a denúncia, a Teltex teria apresentado informações técnicas inverídicas, usado equipamentos fora das especificações exigidas e teria ligações societárias questionáveis com a fornecedora Inpex, apontando possível conflito de interesse.

O TCE-PE rejeitou o pedido de medida cautelar para suspender o contrato, mas instaurou uma auditoria especial para acompanhar de perto a execução do projeto e apurar os indícios de irregularidades. Técnicos do tribunal já destacaram a necessidade de análise aprofundada sobre os equipamentos entregues, a documentação apresentada e o cumprimento dos termos contratuais.

Os problemas com a Teltex não pararam na fase licitatória. Em abril, a SDS notificou a empresa por não cumprir o cronograma de entrega de 180 dos 200 Pontos de Captura de Imagem (PCIs) previstos na primeira etapa do contrato. Mesmo após o prazo adicional, a empresa não entregou os equipamentos, sendo novamente notificada.

Além disso, a empresa não forneceu os projetos executivos de instalação, incluindo layout de câmeras, rotas de rede e pontos de alimentação elétrica, o que descumpre exigência expressa do contrato.

Diante dos problemas, a SDS anulou, em fevereiro, dois empenhos financeiros à empresa que somavam R$ 23,9 milhões, alegando necessidade de “controle específico do orçamento”. Com isso, os pagamentos passarão a ser realizados por etapa entregue, e não mais antecipadamente.

A crise atual com a Teltex não é um caso isolado. A empresa já havia sido alvo de ações judiciais por outros contratos públicos, inclusive em estados como São Paulo, Santa Catarina e Bahia. Em todos os casos, surgiram relatos de atrasos, descumprimento contratual e entrega de produtos abaixo das especificações.

Agora, com mais um contrato bilionário em risco, a pergunta que fica é: por que uma empresa com esse histórico foi mantida em contratos estratégicos no setor público pernambucano? A resposta ainda está sendo investigada pelos órgãos de controle. Do DP

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