sexta-feira, 11 de julho de 2025

Hillary Clinton detona Trump por tarifa contra Brasil e defesa de Bolsonaro: "Seu amigo corrupto"

                 A crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos ganhou um novo e explosivo capítulo nesta quinta-feira (10), quando a ex-secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton criticou duramente o ex-presidente Donald Trump por impor uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros e por sair em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atualmente réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado.

Em publicação nas redes sociais, Hillary atacou frontalmente a medida protecionista de Trump, classificando-a como uma jogada política com motivações pessoais. "Você [o cidadão americano] está prestes a pagar mais por carne não só porque o Trump quer proteger o seu amigo corrupto, mas também porque os republicanos no Congresso decidiram ceder-lhe o poder sobre a política comercial", escreveu.

A declaração inflamou os ânimos políticos em Washington e em Brasília. De um lado, Trump justifica a decisão alegando "ataques insidiosos contra eleições livres no Brasil", referindo-se ao processo judicial que Bolsonaro enfrenta no STF. De outro, Hillary sugere que o ex-presidente dos EUA esteja usando o comércio exterior como ferramenta de retaliação e proteção ideológica.

Em carta enviada ao presidente Lula, Trump não poupou críticas ao que chamou de “perseguição política” contra Jair Bolsonaro. “A forma como o Brasil tem tratado o ex-presidente Bolsonaro, um líder altamente respeitado em todo o mundo durante seu mandato — inclusive pelos Estados Unidos — é uma vergonha internacional”, escreveu.

O caso Bolsonaro envolve uma acusação formal da Procuradoria-Geral da República (PGR), que o colocou como réu no STF por envolvimento direto em uma suposta tentativa de golpe de Estado. Além de Bolsonaro, sete ex-integrantes da cúpula de seu governo também são réus, divididos em diferentes núcleos de investigação.

Com a taxação de 50% sobre as exportações brasileiras — sobretudo de carne, grãos e metais —, a relação entre os dois países mergulha em um clima de tensão comercial e política. O episódio revela o quanto o Brasil se tornou um tabuleiro estratégico nas disputas ideológicas entre democratas e republicanos nos EUA, além de expor a polarização interna que ainda reverbera após o governo Bolsonaro.

A taxação de 50% representa um golpe direto para setores estratégicos da economia brasileira, como o agronegócio e a indústria de transformação. Entidades já se manifestaram alertando para perdas bilionárias nas exportações e possível retração nos empregos ligados ao mercado externo.

Enquanto isso, a ala bolsonarista celebra o gesto de Trump como um sinal de “lealdade ideológica”, mesmo com o custo sendo arcado por empresários e trabalhadores brasileiros. 

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