Chamando Moraes de "frouxo",
"sem coragem" e "sem dormir de medo do
Trump", Eduardo Bolsonaro questiona, de forma desafiadora, por que
o ministro não inclui Trump no chamado inquérito das fake news, que investiga a
atuação de redes coordenadas de desinformação e ataques à democracia
brasileira. “Por que o senhor não faz com Trump o que fez comigo, com
Allan dos Santos, com Elon Musk?”, dispara o deputado, em tom irônico e
hostil.
Apesar da retórica
agressiva, as declarações foram feitas a milhares de quilômetros do Brasil,
onde Eduardo permanece desde o agravamento das investigações contra o entorno do
ex-presidente Jair Bolsonaro. Nos bastidores políticos e jurídicos, a postura é
vista como mais uma tentativa de provocar conflito institucional entre os
poderes e mobilizar a base bolsonarista radical.
O próprio deputado é
investigado por tentar convencer autoridades americanas a aplicar sanções a
membros do Judiciário brasileiro, com base na chamada Lei Magnitsky, legislação
dos EUA que permite punir autoridades estrangeiras acusadas de violar direitos
humanos. Eduardo citou a possibilidade de o governo americano estender sanções
não só a Moraes, mas também à esposa do ministro, ao delegado da PF Fábio Shor,
e até ao procurador-geral da República Paulo Gonet.
“Do jeito que o Trump
é, pode vir até pra cima da mulher do Alexandre, da PGR… agora tá tudo na mão
do Trump, e ele é imprevisível”, disse Eduardo.
A publicação do vídeo gerou
reações entre juristas e observadores da política nacional, que apontam grave
tentativa de intimidação a autoridades do sistema de Justiça brasileiro. O STF,
procurado por veículos de imprensa, ainda não se pronunciou sobre as
declarações.
A movimentação de Eduardo
ocorre num momento em que avançam as investigações e denúncias sobre a
tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023, da qual seu pai, Jair
Bolsonaro, é réu no STF. As falas também coincidem com o autoexílio político do
deputado nos EUA, onde tem reiteradamente pedido anistia aos golpistas
condenados, e feito apelos por intervenção externa contra as instituições
brasileiras.
A narrativa sustentada por
Eduardo Bolsonaro ignora um ponto básico do ordenamento jurídico: o ex-presidente
Donald Trump não é cidadão brasileiro e não está sujeito à jurisdição do STF.
Portanto, incluí-lo em um inquérito judicial brasileiro é uma hipótese
juridicamente absurda — algo que muitos veem como puro espetáculo político e
provocação internacional.
Enquanto isso, a postura
combativa do deputado parece cada vez mais voltada a um público específico: a
ala mais radical da direita brasileira, hoje fragilizada judicialmente e sem
força institucional. Fora do país, Eduardo grita alto. Mas, no Brasil, seu
silêncio é sintomático.
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