sábado, 12 de julho de 2025

Nos EUA, Eduardo Bolsonaro ataca Moraes e desafia STF com ameaças

               Enquanto desfruta de licença do mandato parlamentar e permanece nos Estados Unidos, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) voltou a protagonizar uma nova escalada verbal contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em vídeo publicado nas redes sociais na quinta-feira (10), o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro partiu para o ataque direto, com insultos pessoais, provocações internacionais e ameaças veladas, além de buscar respaldo no ex-presidente americano Donald Trump para confrontar instituições brasileiras.

Chamando Moraes de "frouxo", "sem coragem" e "sem dormir de medo do Trump", Eduardo Bolsonaro questiona, de forma desafiadora, por que o ministro não inclui Trump no chamado inquérito das fake news, que investiga a atuação de redes coordenadas de desinformação e ataques à democracia brasileira. “Por que o senhor não faz com Trump o que fez comigo, com Allan dos Santos, com Elon Musk?”, dispara o deputado, em tom irônico e hostil.

Apesar da retórica agressiva, as declarações foram feitas a milhares de quilômetros do Brasil, onde Eduardo permanece desde o agravamento das investigações contra o entorno do ex-presidente Jair Bolsonaro. Nos bastidores políticos e jurídicos, a postura é vista como mais uma tentativa de provocar conflito institucional entre os poderes e mobilizar a base bolsonarista radical.

O próprio deputado é investigado por tentar convencer autoridades americanas a aplicar sanções a membros do Judiciário brasileiro, com base na chamada Lei Magnitsky, legislação dos EUA que permite punir autoridades estrangeiras acusadas de violar direitos humanos. Eduardo citou a possibilidade de o governo americano estender sanções não só a Moraes, mas também à esposa do ministro, ao delegado da PF Fábio Shor, e até ao procurador-geral da República Paulo Gonet.

“Do jeito que o Trump é, pode vir até pra cima da mulher do Alexandre, da PGR… agora tá tudo na mão do Trump, e ele é imprevisível”, disse Eduardo.

A publicação do vídeo gerou reações entre juristas e observadores da política nacional, que apontam grave tentativa de intimidação a autoridades do sistema de Justiça brasileiro. O STF, procurado por veículos de imprensa, ainda não se pronunciou sobre as declarações.

A movimentação de Eduardo ocorre num momento em que avançam as investigações e denúncias sobre a tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023, da qual seu pai, Jair Bolsonaro, é réu no STF. As falas também coincidem com o autoexílio político do deputado nos EUA, onde tem reiteradamente pedido anistia aos golpistas condenados, e feito apelos por intervenção externa contra as instituições brasileiras.

A narrativa sustentada por Eduardo Bolsonaro ignora um ponto básico do ordenamento jurídico: o ex-presidente Donald Trump não é cidadão brasileiro e não está sujeito à jurisdição do STF. Portanto, incluí-lo em um inquérito judicial brasileiro é uma hipótese juridicamente absurda — algo que muitos veem como puro espetáculo político e provocação internacional.

Enquanto isso, a postura combativa do deputado parece cada vez mais voltada a um público específico: a ala mais radical da direita brasileira, hoje fragilizada judicialmente e sem força institucional. Fora do país, Eduardo grita alto. Mas, no Brasil, seu silêncio é sintomático.

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