domingo, 20 de setembro de 2026

Casas Bahia teriam pago ao menos R$ 11,6 milhões em propina em esquema de créditos de ICMS em SP

Investigação do Ministério Público aponta que varejista participou de pelo menos sete operações entre 2022 e 2023 para obter ressarcimentos tributários

As Casas Bahia teriam desembolsado ao menos R$ 11,6 milhões em propina em um esquema investigado pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) envolvendo ressarcimentos de ICMS. O valor consta de uma planilha apreendida pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão aos Delitos Econômicos (Gedec), segundo informações divulgadas pelo Metrópoles.

A nova cifra amplia o valor de R$ 2,98 milhões revelado anteriormente, referente a uma das operações envolvendo a varejista. Segundo a investigação, os pagamentos teriam sido realizados de forma sistemática, em pelo menos sete procedimentos entre 2022 e 2023.

De acordo com a denúncia apresentada pelo MPSP em 18 de setembro, o esquema envolvia o ex-número três da Secretaria da Fazenda de São Paulo, André Weiss, os auditores fiscais Artur Gomes da Silva Neto e Kunio Shimada e o advogado João André Buttini de Moraes.

Segundo os investigadores, o grupo atuava para acelerar processos de ressarcimento de ICMS e, em determinados casos, aumentar os valores dos créditos concedidos às empresas mediante pagamentos ilícitos.

Os créditos tributários obtidos poderiam ainda ser negociados entre empresas na forma de direitos creditórios. Conforme a investigação, integrantes do esquema também auxiliavam na identificação de potenciais compradores desses créditos.

Uma planilha apreendida na residência de Paulo Sérgio Siqueira Prado, ex-delegado tributário do Butantã que posteriormente firmou colaboração com o MPSP, teria registrado percentuais cobrados nas operações.

Segundo o material, a propina correspondia a percentuais dos valores ressarcidos. Em uma operação atribuída às Casas Bahia, envolvendo cerca de R$ 2,98 milhões em crédito, a investigação aponta pagamento de aproximadamente R$ 747,1 mil a André Weiss.

A apuração também identificou uma divisão dos valores entre diferentes participantes do esquema, conforme a função desempenhada em cada procedimento.

O caso ocorre enquanto as Casas Bahia enfrentam um processo de recuperação judicial, com dívidas superiores a R$ 17 bilhões, segundo informações divulgadas pela empresa e pelo Metrópoles. A companhia criou, em março de 2026, um Comitê Independente para investigar as acusações e afirmou estar colaborando com as autoridades.

Em nota, a empresa declarou que repudia qualquer ato ilícito e que permanece à disposição das autoridades enquanto as investigações do comitê prosseguem. A defesa de João André Buttini de Moraes também afirmou que o advogado terá oportunidade de apresentar sua defesa e esclarecer os fatos no curso do processo.

A Secretaria da Fazenda de São Paulo informou que colabora com o MPSP desde o início das investigações e que medidas administrativas já foram adotadas contra servidores envolvidos. Segundo a pasta, 45 auditores fiscais são investigados pela corregedoria.

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