A
projeção acompanha estudos dos principais centros meteorológicos internacionais
e da Organização Meteorológica Mundial (OMM), que indicam uma rápida evolução
do fenômeno no Oceano Pacífico. A expectativa é de que o El Niño ganhe força
nos próximos meses e possa atingir intensidade elevada entre o fim de 2026 e o
início de 2027, aumentando o risco de estiagens prolongadas, ondas de calor e
outros eventos climáticos extremos.
Segundo
a Apac, entre os meses de julho e setembro, o Leste pernambucano deverá
registrar chuvas abaixo da média histórica, enquanto todo o Estado poderá
enfrentar temperaturas superiores ao normal para o período.
O
El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do
Oceano Pacífico Equatorial, provocando alterações significativas na circulação
atmosférica. No Brasil, o fenômeno costuma favorecer chuvas acima da média nas
regiões Sul e Sudeste, enquanto reduz os índices pluviométricos em parte do
Norte e do Nordeste.
O
alerta preocupa principalmente porque Pernambuco vinha apresentando uma
recuperação gradual das condições hídricas ao longo do primeiro semestre deste
ano. As chuvas registradas entre fevereiro e maio contribuíram para reduzir
áreas em situação de seca, melhorar os níveis de alguns reservatórios e
favorecer a produção agrícola em diversas regiões.
Apesar
desse cenário mais positivo, a meteorologista da Apac, Edvânia Pereira, destaca
que os impactos dependerão da intensidade do fenômeno e da interação com outros
sistemas climáticos.
"Esses impactos variam de acordo com a intensidade
do fenômeno, o período do ano e a interação com outros sistemas oceânicos e
atmosféricos, especialmente as condições térmicas do Oceano Atlântico
Tropical",
explica.
Ela
ressalta ainda que o comportamento do El Niño será decisivo para definir a
intensidade da estiagem no Nordeste.
"A intensidade do El Niño é o que vai ditar essa
ocorrência de secas no Nordeste", afirma.
Outro
fator de preocupação é o aumento previsto das temperaturas, que poderá acelerar
a evaporação da água armazenada em açudes e barragens, intensificar o
ressecamento do solo e elevar a demanda hídrica da vegetação. A combinação
desses fatores tende a pressionar ainda mais os recursos hídricos,
principalmente nas áreas mais vulneráveis do Semiárido pernambucano.
Diante desse cenário, especialistas recomendam que produtores rurais, gestores públicos e órgãos responsáveis pelo abastecimento acompanhem atentamente os próximos boletins meteorológicos, uma vez que a evolução do El Niño poderá influenciar diretamente a disponibilidade de água, a produção agrícola e o planejamento das ações de convivência com a seca nos próximos meses.
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