terça-feira, 7 de julho de 2026

Apac alerta para possível El Niño forte no segundo semestre e acende sinal de atenção para seca em Pernambuco

           A Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac) emitiu um alerta para a alta probabilidade de formação do fenômeno El Niño ao longo do segundo semestre de 2026, cenário que pode provocar redução das chuvas, aumento das temperaturas e intensificação da seca em Pernambuco, especialmente nas regiões do Agreste e Sertão.

A projeção acompanha estudos dos principais centros meteorológicos internacionais e da Organização Meteorológica Mundial (OMM), que indicam uma rápida evolução do fenômeno no Oceano Pacífico. A expectativa é de que o El Niño ganhe força nos próximos meses e possa atingir intensidade elevada entre o fim de 2026 e o início de 2027, aumentando o risco de estiagens prolongadas, ondas de calor e outros eventos climáticos extremos.

Segundo a Apac, entre os meses de julho e setembro, o Leste pernambucano deverá registrar chuvas abaixo da média histórica, enquanto todo o Estado poderá enfrentar temperaturas superiores ao normal para o período.

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, provocando alterações significativas na circulação atmosférica. No Brasil, o fenômeno costuma favorecer chuvas acima da média nas regiões Sul e Sudeste, enquanto reduz os índices pluviométricos em parte do Norte e do Nordeste.

O alerta preocupa principalmente porque Pernambuco vinha apresentando uma recuperação gradual das condições hídricas ao longo do primeiro semestre deste ano. As chuvas registradas entre fevereiro e maio contribuíram para reduzir áreas em situação de seca, melhorar os níveis de alguns reservatórios e favorecer a produção agrícola em diversas regiões.

Apesar desse cenário mais positivo, a meteorologista da Apac, Edvânia Pereira, destaca que os impactos dependerão da intensidade do fenômeno e da interação com outros sistemas climáticos.

"Esses impactos variam de acordo com a intensidade do fenômeno, o período do ano e a interação com outros sistemas oceânicos e atmosféricos, especialmente as condições térmicas do Oceano Atlântico Tropical", explica.

Ela ressalta ainda que o comportamento do El Niño será decisivo para definir a intensidade da estiagem no Nordeste.

"A intensidade do El Niño é o que vai ditar essa ocorrência de secas no Nordeste", afirma.

Outro fator de preocupação é o aumento previsto das temperaturas, que poderá acelerar a evaporação da água armazenada em açudes e barragens, intensificar o ressecamento do solo e elevar a demanda hídrica da vegetação. A combinação desses fatores tende a pressionar ainda mais os recursos hídricos, principalmente nas áreas mais vulneráveis do Semiárido pernambucano.

Diante desse cenário, especialistas recomendam que produtores rurais, gestores públicos e órgãos responsáveis pelo abastecimento acompanhem atentamente os próximos boletins meteorológicos, uma vez que a evolução do El Niño poderá influenciar diretamente a disponibilidade de água, a produção agrícola e o planejamento das ações de convivência com a seca nos próximos meses. 

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