A declaração foi dada
durante entrevista ao podcast “O Assunto”, do portal g1, após o Departamento de
Estado norte-americano anunciar a nova classificação das facções brasileiras.
Segundo o promotor, o enquadramento pode alterar completamente a dinâmica das
investigações internacionais envolvendo o crime organizado.
“Não vejo nenhum
benefício prático que essa classificação possa trazer. Acho que há o risco
muito grande dos Estados Unidos quererem fazer algum tipo de ação militar
secreta aqui dentro do Brasil, como fez no México e também na Venezuela”,
afirmou Gakiya.
De acordo com o integrante
do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), atualmente
a cooperação internacional ocorre principalmente através de órgãos policiais
como o FBI e a DEA, agência americana de combate ao narcotráfico. Porém, com a
nova classificação, o protagonismo passaria para órgãos de inteligência e
defesa, como a CIA e estruturas militares dos Estados Unidos.
Para o promotor, isso poderá
reduzir a troca de informações entre os países. “Quando passa a ser
tratado pela CIA e pelos militares, há sigilo dessas informações, classificadas
como secretas ou ultrassecretas. Então provavelmente teremos prejuízo na
cooperação”, alertou.
Gakiya também demonstrou
preocupação com possíveis reflexos no sistema financeiro brasileiro. Segundo
ele, instituições financeiras poderiam ser atingidas indiretamente por sanções
internacionais caso movimentações relacionadas às facções sejam identificadas
em cadeias financeiras complexas.
O promotor citou como
exemplo a Operação Carbono Oculto, investigação que revelou esquemas de lavagem
de dinheiro do PCC envolvendo postos de combustíveis, fintechs e fundos de
investimento.
“Você poderia
sancionar bancos que sequer tiveram contato direto com integrantes do PCC, mas
que indiretamente receberam recursos nessa cadeia financeira”,
explicou.
Lincoln Gakiya atua há mais
de duas décadas no enfrentamento ao PCC e se tornou uma das principais
referências do país no combate à facção criminosa.
Em maio deste ano, ele
recebeu o Prêmio Faz Diferença 2025, promovido pelo jornal O Globo, na
categoria Brasil, em reconhecimento à sua atuação contra o crime organizado.
O promotor passou a atuar de
forma ainda mais intensa contra o PCC após descobrir, em 2005, que era alvo de
um plano de execução da facção. Desde então, liderou investigações
estratégicas, incluindo pedidos de transferência de líderes da organização para
presídios federais, medida considerada decisiva para enfraquecer a comunicação
do grupo criminoso.
👉 Acompanhe
mais notícias e curta nossas redes sociais:


Nenhum comentário:
Postar um comentário