sexta-feira, 29 de maio de 2026

Justiça Federal condena grupo por fraude milionária no Pronaf em Pernambuco

           A Justiça Federal condenou integrantes de um esquema de fraudes em financiamentos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) que desviou mais de R$ 1,9 milhão em recursos públicos no Sertão de Pernambuco. As irregularidades ocorreram entre 2010 e 2012 na agência do Banco do Nordeste (BNB) de Ouricuri, no Sertão do Araripe, envolvendo operações de crédito rural realizadas com documentos inexistentes, adulterados ou sem comprovação legal.

A sentença foi assinada no último dia 26 de maio pelo juiz federal substituto Bruno Rodolfo de Oliveira Melo, da 27ª Vara Federal de Pernambuco. Conforme o processo, o grupo manipulava informações diretamente no sistema da instituição financeira para liberar financiamentos supostamente destinados a agricultores familiares vinculados ao Pronaf.

As investigações revelaram a atuação articulada entre servidores ligados à agência bancária e intermediadores externos. Um ex-funcionário do banco teria utilizado o cargo para cadastrar operações fraudulentas e autorizar a liberação dos recursos, enquanto outro integrante atuava captando agricultores da região e recolhendo documentos pessoais sob a promessa de facilitar o acesso ao crédito rural.

Segundo a decisão judicial, grande parte dos recursos públicos acabava desviada para contas relacionadas aos participantes do esquema e fornecedores fictícios, sem qualquer comprovação da atividade agrícola ou da correta aplicação do dinheiro liberado.

A sentença também destaca que várias operações foram realizadas sem os documentos físicos obrigatórios exigidos para contratação de crédito rural, comprometendo os mecanismos de controle e fiscalização da instituição financeira.

“O que se apurou foi a existência de um conjunto de operações de crédito rural vinculadas ao Pronaf, operacionalizadas no âmbito da agência do BNB em Ouricuri/PE, que apresentavam vícios estruturais desde sua origem”, destacou o magistrado na decisão.

Para a Justiça Federal, o esquema atingiu diretamente uma política pública considerada estratégica para o fortalecimento da agricultura familiar e desenvolvimento econômico do Semiárido nordestino.

Com a condenação, os envolvidos deverão responder por crimes como inserção de dados falsos em sistema de informações, fraude em instituição financeira, corrupção ativa e corrupção passiva, além da obrigação de ressarcir os valores desviados aos cofres públicos.

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