Segundo
produtores e empresários do setor, os valores cobrados atualmente comprometem,
sozinhos, grande parte — e em alguns casos a totalidade — do orçamento de
festas privadas, especialmente eventos de camisa, bilheteria e festivais
regionais. O resultado é um cenário marcado por cancelamentos, redução de porte
das programações e crescente cautela na contratação de atrações consideradas
“de peso”.
A
situação já provocou impactos significativos em estados como a Bahia, onde
diversos eventos tradicionais deixaram de existir ou passaram por reformulações
profundas. O público, por sua vez, encontra dificuldades para acompanhar o
aumento dos preços dos ingressos, o que reduz a demanda e amplia o risco
financeiro para os organizadores.
Diante
desse quadro, prefeitos baianos, por meio da União dos Municípios da Bahia
(UPB), iniciaram discussões para a construção de um acordo inédito que prevê a
criação de um teto de gastos por atração artística. A proposta conta com a
possibilidade de aval e fiscalização do Ministério Público e do Tribunal de
Contas do Estado, com validade para todo o território baiano.
Atualmente,
apenas prefeituras e governos estaduais conseguem arcar com agendas que
envolvem cachês milionários, o que tem gerado pressão social crescente. A
contratação de artistas para poucas horas de apresentação, a custos elevados,
vem sendo questionada por setores da sociedade que cobram maior responsabilidade
no uso dos recursos públicos.
A
iniciativa em debate na Bahia pode representar um ponto de inflexão no mercado
nacional de shows. Caso avance, a tendência é de um redirecionamento dos
investimentos públicos para artistas regionais, fortalecendo a cultura local,
ao mesmo tempo em que os valores praticados por grandes atrações passam por um
processo de desaceleração.
Especialistas avaliam que o movimento pode oxigenar o setor privado, tornando novamente viáveis os eventos pagos e equilibrando a relação entre oferta artística, capacidade de pagamento do público e sustentabilidade econômica do mercado.
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