segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Disputa entre facções nacionais transforma Petrolina em novo foco de violência no Sertão

               O avanço de organizações criminosas interestaduais e a fragilidade no controle das fronteiras regionais colocaram Petrolina no centro de uma disputa violenta pelo domínio do tráfico de drogas. A recente sequência de homicídios registrada no município do Sertão pernambucano está diretamente relacionada ao confronto entre duas das principais facções em atuação no país: o Comando Vermelho e o Bonde do Maluco.

Somente na última semana, mais de dez mortes foram oficialmente contabilizadas, segundo registros policiais. A escalada da violência se intensificou logo após o Carnaval, período que, de acordo com fontes da segurança pública, marcou uma reorganização territorial entre grupos criminosos na região.

O Comando Vermelho, surgido no sistema prisional do Rio de Janeiro na década de 1970, expandiu sua presença ao longo dos anos e hoje possui atuação em praticamente todo o território nacional, com forte inserção no tráfico de drogas e armas. A organização tem como principal rival histórico o Primeiro Comando da Capital.

Já o Bonde do Maluco teve origem em 2015, dentro de uma unidade prisional em Salvador, e rapidamente consolidou domínio em diversas áreas da Bahia. Com alianças estratégicas e estrutura descentralizada, a facção ampliou seu raio de ação para outros estados. Relatório da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), divulgado em 2023, apontou a presença do grupo em Sergipe, Piauí e Mato Grosso do Sul, além de indícios de participação em rotas internacionais do tráfico.

Petrolina, por sua localização estratégica na divisa entre Pernambuco e Bahia, tornou-se território sensível nesse cenário. Especialistas apontam que fragilidades históricas na fiscalização interestadual facilitaram a circulação de integrantes e a consolidação de bases operacionais.

Além das duas organizações principais, outros grupos menores tentam ocupar espaços deixados por rivais, ampliando a instabilidade e tornando o ambiente ainda mais volátil.

A intensificação do conflito pressiona as forças de segurança e reacende o debate sobre políticas integradas de combate ao crime organizado no Nordeste, especialmente em áreas de fronteira estadual, onde a cooperação entre polícias é determinante para conter o avanço das facções. 

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