O
Enamed analisou o desempenho de 351 cursos de Medicina em todo o país e passou
a ser utilizado pelo Ministério da Educação (MEC) como instrumento central de
regulação da formação médica. No entanto, entidades do setor privado apontam inconsistências
técnicas e falhas de transparência no processo de avaliação.
Em
nota oficial, a Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup)
informou que análises internas realizadas por instituições associadas
identificaram divergências entre os dados enviados ao sistema do MEC em
dezembro de 2024 e os números divulgados agora, especialmente no que se refere
ao total de estudantes considerados proficientes.
Diante
desse cenário, a Anup afirmou que aguarda esclarecimentos técnicos do Ministério
da Educação e do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio
Teixeira (Inep), responsável pela aplicação do exame, antes de se posicionar de
forma definitiva sobre os resultados divulgados.
Já
a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes) adotou um
tom mais crítico. Em nota, a entidade questionou a condução do Enamed pelo MEC
e pelo Inep, sobretudo após o anúncio de que os resultados da primeira edição
do exame, aplicada em outubro de 2025, já seriam utilizados para fins punitivos.
Segundo
a Abmes, critérios fundamentais como parâmetros de desempenho, cortes de
proficiência e consequências regulatórias só foram divulgados após a aplicação
da prova, o que, na avaliação da entidade, viola princípios de previsibilidade,
transparência e segurança jurídica.
A
associação também se posicionou contra a adoção imediata de medidas cautelares,
como restrição de vagas e impedimento de novos ingressos, sem um período de
transição ou validação progressiva dos resultados.
Para
a Abmes, a aplicação de sanções já na edição inaugural do Enamed compromete a
credibilidade do exame, expõe instituições e estudantes a um ambiente de instabilidade
regulatória e pode provocar um aumento da judicialização no setor educacional.
A
entidade defende que os resultados do Enamed 2025 sejam tratados como um diagnóstico
inicial, voltado ao aperfeiçoamento das próximas edições, com a suspensão
imediata dos efeitos punitivos anunciados pelo governo federal.
Durante
um evento no Palácio do Planalto, o ministro da Educação, Camilo Santana,
comentou a repercussão dos resultados e afirmou que o objetivo do governo não é
penalizar estudantes ou instituições, mas garantir a qualidade da formação
médica no país.
“Apresentamos os dados hoje e vamos adotar as medidas
cautelares necessárias dentro de um processo de transição. Nosso objetivo não é
prejudicar ninguém, muito menos o aluno, mas garantir que as faculdades
reflitam sobre a qualidade da sua infraestrutura, monitoria e laboratórios,
para que o país forme bons profissionais”, afirmou o ministro.
Segundo o MEC, 243 cursos tiveram bom desempenho, garantindo proficiência a pelo menos 60% dos estudantes concluintes, enquanto 107 cursos foram mal avaliados e um não foi avaliado por apresentar número insuficiente de concluintes inscritos. Da Agência Brasil
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