segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Renan Calheiros acusa líderes da Câmara de pressionar TCU em caso envolvendo a liquidação do banco Master

            O presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou nesta segunda-feira (19) que recebeu informações sobre uma suposta pressão exercida por integrantes da cúpula da Câmara dos Deputados junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) para reverter a liquidação do banco Master. As declarações elevam a tensão política em torno do caso e ampliam o debate sobre a atuação de instituições de controle e do sistema financeiro.

Segundo Renan, o atual presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o ex-presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), estariam atuando para influenciar decisões internas do TCU relacionadas ao processo. O senador, no entanto, não apresentou detalhes sobre como essa suposta pressão teria ocorrido.

“Estou tendo informações de que o atual presidente da Câmara dos Deputados e o ex-presidente da Câmara pressionaram e continuam pressionando o Tribunal de Contas da União, aliás, um setor do Tribunal de Contas da União, para que o Tribunal liquide a liquidação”, declarou Renan Calheiros em entrevista à GloboNews. O senador é adversário político de Arthur Lira em Alagoas.

Questionado se se referia diretamente a Hugo Motta e Arthur Lira, Renan confirmou: “Exatamente. São as informações que eu recebi, não apenas daquele procedimento, mas de vários outros procedimentos que o Tribunal de Contas da União tornou sigilosos, que têm a mesma origem e a mesma pressão”.

Além das acusações envolvendo o TCU, Renan Calheiros afirmou ter visto com estranhamento decisões do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, no caso relacionado ao banco Master.

“Não somos nós, do Legislativo, que vamos colocar limites no ministro Dias Toffoli, mas foi estranha a maneira como ele se apropriou da investigação e muito estranha a maneira como ele transferiu o sigilo apurado nas investigações para o presidente do Senado”, afirmou o parlamentar.

Renan também criticou a atuação do Banco Central (BC) no episódio, afirmando que houve demora na adoção de medidas contra a instituição financeira.

“Temos que cobrar responsabilidade do Galípolo e do Banco Central e saber por que eles demoraram tanto a fazer a liquidação do banco Master. O Banco Central ficou de braços cruzados”, declarou.

Diante da repercussão do caso, o senador anunciou que a Comissão de Assuntos Econômicos instalará, na primeira semana de fevereiro, um grupo de trabalho para acompanhar e supervisionar as investigações relacionadas ao banco Master. O grupo, criado na semana passada, conta inicialmente com sete integrantes e será coordenado por Renan Calheiros.

Segundo o senador, após manifestações de interesse de outros parlamentares, o colegiado deverá ser ampliado em mais quatro membros, reforçando o acompanhamento político e institucional do caso.

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