quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

PF e CGU investigam contratos da saúde em Juazeiro suspeitos de fraude com recursos do SUS

              Uma operação conjunta da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU) lançou luz, nesta quarta-feira (28), sobre suspeitas de irregularidades milionárias na gestão de recursos da saúde pública em Juazeiro, no norte da Bahia. A ação apura possíveis fraudes em contratos firmados pela Prefeitura Municipal, envolvendo verbas do Sistema Único de Saúde (SUS), em especial durante e após o período crítico da pandemia da Covid-19.

Batizada de Operação Litíase, a investigação mira um suposto esquema de direcionamento de contratações na área de serviços hospitalares, com repasses que ultrapassam R$ 13 milhões, dos quais aproximadamente R$ 7 milhões teriam origem em recursos federais destinados ao SUS.

Segundo informações da Polícia Federal, os contratos sob investigação começaram a ser firmados durante a pandemia, mas os pagamentos se estenderam até o ano de 2023, mesmo diante de indícios de falhas na execução dos serviços contratados.

Um dos principais pontos da apuração envolve a locação de um imóvel contratado pelo município para funcionamento de serviços de saúde. De acordo com a PF, o contrato não apresentava detalhamento sobre a realização de atendimentos médicos, exames ou internações, o que levantou suspeitas quanto à real finalidade da contratação.

Outro fator que chamou atenção dos investigadores foi o fato de o endereço do imóvel coincidir com a sede do próprio instituto contratado para prestar os serviços médicos, indicando possível conflito de interesses.

Auditorias conduzidas pela CGU identificaram ainda falhas nos processos licitatórios, além de pagamentos realizados sem comprovação da efetiva execução dos serviços. Entre as irregularidades apontadas estão a ausência de registros de exames realizados, número de atendimentos prestados e critérios técnicos que justificassem os valores pagos às empresas contratadas.

Durante a deflagração da operação, cerca de 30 policiais federais cumpriram seis mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados no município de Juazeiro. Os materiais recolhidos serão analisados para aprofundar as investigações.

Até o momento, não houve divulgação de prisões, e a Prefeitura de Juazeiro ainda não se manifestou oficialmente sobre o caso.


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