segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Pernambuco inicia o ano com alerta hídrico: 23 reservatórios estão em colapso, aponta Apac

              O início do ano acende um sinal de alerta para a situação hídrica em Pernambuco. Dados atualizados do Geoportal da Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac) revelam que o estado possui atualmente 23 reservatórios em situação de colapso, cenário que atinge diretamente municípios do Sertão, Agreste e Zona da Mata.

Do total de barragens em colapso — classificação aplicada quando o volume de água está abaixo de 10% da capacidade — 20 estão localizadas em 13 cidades que decretaram situação de emergência devido à escassez de chuvas. Entre elas está a barragem de Jucazinho, a sexta maior de Pernambuco, que opera com apenas 0,83% da capacidade, comprometendo o abastecimento humano em diversas localidades.

Segundo a Apac, 10 dessas barragens têm como uso principal o abastecimento humano, enquanto outras possuem finalidades distintas: sete são voltadas ao combate à seca, três para irrigação, duas para regularização de vazão e uma para defesa contra inundações. É o caso da barragem de Serra Azul, em Palmares, na Mata Sul, que acumula 9,92% da capacidade.

O coordenador da Unidade de Monitoramento de Recursos Hídricos da Apac, Wagner Felipe, explica que o elevado número de reservatórios em colapso já era esperado, sobretudo no Sertão, região historicamente mais vulnerável à irregularidade das chuvas.

“Essa grande quantidade de reservatórios em colapso já era esperada, porque as chuvas nas regionais ficaram próximas da média. No entanto, para que os reservatórios do Sertão se recuperem de forma significativa, são necessárias chuvas intensas e concentradas, as chamadas torrenciais, que acabam gerando impactos urbanos, mas são fundamentais para o acúmulo de água”, destacou.

Dos 23 reservatórios em colapso, 17 estão localizados no Sertão, quatro no Agreste, um na Mata Norte e outro na Mata Sul. Três deles ficam em municípios que, mesmo enfrentando baixos volumes, não decretaram situação de emergência.

Outro fator que contribui para o quadro crítico, segundo a Apac, é a característica do solo nas regiões mais secas, que possui maior capacidade de infiltração, dificultando o escoamento da água até as bacias hidrográficas e reservatórios.

Atualmente, 11 barragens do estado operam com menos de 1% da capacidade, sendo que sete registram volume zero. Todas estão no Sertão e são utilizadas principalmente para abastecimento humano e enfrentamento da seca.

Entre os maiores reservatórios de Pernambuco, quatro também se encontram em colapso: Entremontes (3º maior), com 0,84%; Serra Azul (4º), com 9,92%; Jucazinho (6º), com 0,88%; e Chapéu (7º), com 0%. Já os dois maiores do estado — Engenheiro Francisco Sabóia, em Serra Talhada, e Serrinha II, em Ibimirim — apresentam volumes entre 30% e 40%, sendo utilizados principalmente para regularização de vazão.

A barragem de Carpina, no município de Lagoa do Carro, quinta maior do estado, encontra-se em pré-colapso, com nível entre 10% e 30% da capacidade. 

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