Segundo a PF, as empresas de
fachada foram criadas com capital social fictício e não possuíam atividade
econômica real. A movimentação financeira desses CNPJs, entre 2023 e 2025,
chega a R$ 455 milhões, dos quais cerca de 20% foram rastreados até emendas
parlamentares federais descentralizadas para ao menos 50 prefeituras do
interior cearense.
Bebeto, que foi eleito
prefeito de Choró, município de pouco mais de 12 mil habitantes, é apontado
como braço operacional de Júnior Mano e parte central do esquema. Desde o final
do ano passado, Bebeto encontra-se foragido da Justiça, após o avanço das
investigações. Tentativas de contato feitas pelo jornal O Estado de S. Paulo
não obtiveram resposta.
A Operação Underhand,
deflagrada na semana passada, colocou Júnior Mano no centro das apurações. O
inquérito tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Gilmar
Mendes, e aponta que o deputado pode ter destinado pelo menos R$ 120 milhões em
emendas para prefeituras do sertão cearense, inclusive a de Choró, governada
por seu aliado.
Em nota oficial, o gabinete
de Júnior Mano afirmou que o parlamentar “não tem qualquer participação
em processos licitatórios, ordenação de despesas ou fiscalização de contratos
administrativos”.
Além do desvio de recursos,
a PF investiga denúncias alarmantes sobre o uso da facção Comando Vermelho para
intimidação, compra de votos e ameaça a opositores políticos na região. Segundo
os investigadores, o esquema teria sido utilizado por Bebeto durante a campanha
municipal de 2024, com o objetivo de garantir a vitória em Choró e pavimentar a
expansão da influência política de Júnior Mano no sertão cearense.
A apuração sugere que havia
um plano estruturado de dominação política regional, articulado entre Júnior
Mano e Bebeto, com vistas às eleições municipais passadas e à consolidação de
um núcleo de poder financiado com dinheiro público desviado.
A Polícia Federal continua
analisando documentos bancários, extratos e registros oficiais, cruzando
informações com dados do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Tribunal de
Contas do Estado do Ceará, para identificar a extensão completa do esquema.
A operação segue em curso e
novos desdobramentos são esperados nas próximas semanas. O caso escancara os
riscos de corrupção sistêmica envolvendo emendas parlamentares e revela como o
uso político desses recursos pode alimentar esquemas de poder paralelos e
alianças com o crime organizado.
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