segunda-feira, 14 de julho de 2025

Governo Lula articula reação à taxação dos EUA com agendas setoriais da indústria e do agronegócio

                Em resposta à taxação de 50% anunciada pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, o Palácio do Planalto iniciou uma articulação estratégica com dois dos setores mais relevantes da economia nacional: a indústria e o agronegócio. O objetivo é construir, em conjunto com os representantes desses segmentos, uma resposta firme e coordenada à medida adotada por Washington.

Coordenado pelo vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, o governo federal realizará nesta segunda-feira (14) duas agendas separadas com representantes dos setores produtivos diretamente afetados. A iniciativa demonstra a intenção do Executivo de manter o diálogo aberto e constante com os atores econômicos e construir uma reação baseada em consensos técnicos e políticos.

A primeira agenda, marcada para as 10h, reunirá líderes e entidades representativas de segmentos como aviação, aço, alumínio, celulose, máquinas, calçados, móveis e autopeças. Também participam do encontro os ministros Rui Costa (Casa Civil), Fernando Haddad (Fazenda) e Mauro Vieira (Relações Exteriores). O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, foi convidado para somar à discussão, dada a relevância logística na cadeia de exportações.

Segundo Alckmin, a ideia é ouvir as demandas específicas de cada setor e traçar, de forma técnica, as medidas mais adequadas para proteger a competitividade da indústria nacional frente à nova barreira tarifária imposta pelos Estados Unidos.

No período da tarde, às 14h, será a vez de representantes do agronegócio participarem da construção dessa resposta. Estarão presentes atores dos segmentos de suco de laranja, carnes, frutas, mel, couro e pescados — todos com exportações fortemente impactadas pela nova política tarifária norte-americana.

A agenda com o setor agropecuário também contará com a participação dos ministérios da Agricultura e Pecuária, Desenvolvimento Agrário e Pesca. A reunião busca mapear os principais prejuízos para o campo e avaliar alternativas comerciais e diplomáticas que possam ser adotadas pelo Brasil.

Ao envolver amplamente os setores produtivos na elaboração da resposta, o governo Lula dá sinais de que pretende manter uma postura firme e articulada diante da taxação norte-americana, evitando ações precipitadas e priorizando o alinhamento interno. Para Alckmin, o momento exige "maturidade institucional e defesa firme dos interesses nacionais, com o setor produtivo como protagonista".

Nos bastidores, já se discute a possibilidade de levar a questão à Organização Mundial do Comércio (OMC), além da busca por novos mercados e acordos bilaterais, caso o impasse comercial com os EUA se prolongue.

A escalada tarifária promovida pelos Estados Unidos impõe um desafio geopolítico e econômico ao Brasil, mas também abre espaço para reafirmação da soberania comercial e reavaliação de suas estratégias de inserção no mercado internacional.

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