domingo, 29 de junho de 2025

Maioria dos brasileiros diz sentir constrangimento diante do Congresso, STF e Lula, aponta Datafolha

                  Uma nova pesquisa do Instituto Datafolha, divulgada nesta semana, escancara um sentimento preocupante que atravessa as instituições brasileiras: a vergonha. O levantamento revelou que mais da metade da população declara se envergonhar do Congresso Nacional, do Supremo Tribunal Federal (STF) e até do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Os números indicam desgaste da imagem dos Três Poderes e refletem um momento de forte desconfiança popular em relação às lideranças políticas e à cúpula do Judiciário.

Entre os principais resultados:

  • 59% sentem vergonha dos senadores;
  • 58% se dizem envergonhados com os deputados federais;
  • 58% também têm esse sentimento em relação ao STF;
  • 56% se declaram envergonhados do presidente Lula.

Os dados foram coletados entre os dias 10 e 11 de junho, com 2.004 entrevistas em 136 municípios. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.

O levantamento também destaca o abismo entre os eleitores de Lula e Jair Bolsonaro no que diz respeito à imagem do Supremo Tribunal Federal — instituição que, nos últimos anos, se tornou símbolo de disputas ideológicas e jurídicas.

Entre os bolsonaristas, o sentimento de repulsa ao STF é quase unânime:

91% dos simpatizantes do PL (partido de Bolsonaro) sentem vergonha do Supremo;

No universo bolsonarista mais amplo, o índice também é altíssimo: 82%.

Do outro lado, entre os eleitores de Lula, a percepção é quase oposta:

52% dizem sentir orgulho do STF, contra 36% que expressam vergonha.

No PT, os dados são semelhantes: 53% orgulhosos e 36% envergonhados, com 12% sem opinião formada.

Esses recortes evidenciam o grau de politização da imagem das instituições, especialmente o STF, que tem protagonizado decisões polêmicas e de forte impacto político nos últimos anos, sobretudo no enfrentamento aos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 e nas investigações contra aliados do bolsonarismo.

O sentimento de vergonha em relação aos parlamentares federais — tanto senadores quanto deputados — ultrapassa os 58%. Os números refletem um descolamento crescente entre representantes e representados, alimentado por escândalos de corrupção, privilégios, baixa produtividade e votações impopulares. A imagem do Congresso, marcada por interesses corporativos e pela lentidão nas reformas estruturais, é vista com ceticismo pela maioria da população.

No caso do presidente Lula, mesmo com alta aprovação no início do governo e com estabilidade no campo econômico, o levantamento mostra que mais da metade da população sente vergonha da figura presidencial — um dado que expõe os limites da retórica governista diante de uma sociedade mais exigente, polarizada e crítica.

A pesquisa do Datafolha revela um dado alarmante, mas sintomático: o Brasil vive uma crise de credibilidade institucional. Quando até mesmo o chefe do Executivo, o Parlamento e a mais alta Corte do país são alvos majoritários de vergonha pública, o problema vai além da política — ele toca na confiança no regime democrático e na capacidade de suas lideranças responderem aos anseios populares.

O sentimento coletivo, captado pelo Datafolha, é o de um povo desconfiado, frustrado e descrente, que se vê representado por poderes que, ao seu olhar, não entregam o que prometem e não se comunicam com a realidade do cidadão comum. 

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