Caso
ocorreu durante comemoração de apoiadores de Flávio Bolsonaro em Parnamirim;
investigação vai apurar se havia arma de fogo real
A
Polícia Civil do Rio Grande do Norte confirmou que é verdadeiro o vídeo que
circula nas redes sociais mostrando uma criança, usando uma camisa amarela,
sobre o teto de um carro e segurando objetos semelhantes a armas durante uma
comemoração de apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL).
O
episódio ocorreu na noite de domingo (4), no bairro Cohabinal, em Parnamirim,
na Região Metropolitana de Natal. O local é conhecido por concentrar
manifestações e eventos políticos de apoiadores do bolsonarismo no município.
Apesar
de confirmar a autenticidade das imagens, a Polícia Civil ainda investiga se
algum dos objetos era uma arma de fogo real e quais foram as circunstâncias em
que a criança teve acesso a eles.
A
apuração ficará sob responsabilidade da 17ª Delegacia de Polícia de Parnamirim,
que informou que realizará diligências, incluindo a coleta e análise das
imagens disponíveis, para esclarecer o ocorrido.
Caso
seja comprovado que a criança estava com uma arma de fogo verdadeira, os
responsáveis ou a pessoa que eventualmente tenha fornecido ou permitido o
acesso ao armamento poderão responder criminalmente.
A
legislação brasileira prevê punição para quem vende, fornece ou entrega arma de
fogo, munição ou explosivo a criança ou adolescente, conforme o Estatuto da
Criança e do Adolescente e o Estatuto do Desarmamento.
A
pena prevista para esse tipo de conduta pode chegar a três a seis anos de
reclusão, além das demais consequências previstas na legislação, conforme as
circunstâncias do caso.
O
episódio também provocou reação política. O advogado-geral da União, Jorge
Messias, criticou a cena e classificou como uma “inversão de valores” a
utilização de uma criança segurando um objeto semelhante a uma arma durante uma
comemoração eleitoral.
“Fica evidente a inversão de valores que ocorre quando se
coloca uma arma nas mãos de uma criança para celebrá-la como símbolo de
vitória”, afirmou
Messias nas redes sociais.
A Polícia Civil ainda não concluiu a investigação e deverá analisar as imagens e demais elementos coletados para determinar se houve crime e identificar eventuais responsáveis.
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