Presidente
da Corte teria sinalizado a Nunes Marques que processo, considerado inédito no
tribunal, deve ser analisado por todos os ministros
O
presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, teria transmitido
ao ministro Nunes Marques o entendimento de que o pedido de revisão criminal
apresentado pela defesa de Jair Bolsonaro (PL) deve ser analisado pelo Plenário
da Corte, e não por uma das turmas.
Nos
bastidores, Fachin teria indicado a interlocutores que pretende levar o caso a
julgamento sem demora assim que Nunes Marques, relator do processo, solicitar
sua inclusão em pauta.
A
revisão criminal é o instrumento utilizado para contestar uma condenação
definitiva. A defesa de Bolsonaro apresentou o pedido em 8 de maio, alegando
erro judiciário na condenação do ex-presidente a 27 anos e três meses de prisão,
em setembro de 2025, pela Primeira Turma do STF.
Nunes
Marques foi sorteado relator três dias depois. Indicado ao Supremo por
Bolsonaro em 2020, o ministro integra atualmente a Segunda Turma da Corte.
Pelo
regimento interno, a análise da revisão criminal poderia ocorrer na Segunda
Turma, composta por Nunes Marques, Luiz Fux, Gilmar Mendes, Dias Toffoli e
André Mendonça.
A
possibilidade de levar o processo ao Plenário, porém, ganhou força diante do
caráter inédito do caso. Ministros que acompanham o debate internamente avaliam
que, por se tratar da primeira revisão criminal da história do STF, a análise
por todos os integrantes da Corte seria mais adequada.
A
defesa de Bolsonaro sustenta ainda que, por ele ser ex-presidente da República,
o julgamento original deveria ter ocorrido no Plenário. Os advogados também
pedem a anulação da delação do tenente-coronel Mauro Cid e a absolvição de
Bolsonaro das acusações.
A
Procuradoria-Geral da República (PGR) já se posicionou contra o pedido. O órgão
argumenta que a revisão criminal não pode ser utilizada como uma nova
oportunidade para rediscutir questões já analisadas e rejeita a tese de
incompetência da Primeira Turma para julgar o processo.
Segundo
a PGR, a condenação foi baseada em um conjunto robusto de provas.
Nunes
Marques havia concedido ao órgão 20 dias para apresentar o parecer, prazo
superior ao previsto no Código de Processo Penal, sob o argumento de que a
complexidade do processo justificava a extensão.
Agora, a definição sobre o colegiado que analisará a revisão deverá ser um dos próximos passos do processo, enquanto a eventual inclusão do caso na pauta dependerá do relator e da condução da Presidência do STF.
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