Lula
afirmou que também é necessário estabelecer novos critérios para a atuação de
magistrados, que, segundo ele, devem incluir mecanismos de transparência e
regras para evitar conflitos de interesse.
“Acho que temos que ter uma reforma profunda no Poder
Judiciário em que a gente discuta o tempo de mandato, o critério de escolher o
candidato e como a pessoa pode ser escolhida”, declarou.
O
presidente também defendeu o que chamou de “critérios de moralização” no
Judiciário. Entre os pontos mencionados, citou a necessidade de regras sobre a
atuação profissional de familiares de integrantes da Corte e afirmou que
ministros não devem utilizar o cargo para enriquecimento.
A
entrevista ocorreu no mesmo dia em que o STF protagonizou uma sessão marcada
por divergências entre ministros durante a análise de questões relacionadas ao
Banco Master e às suspeitas envolvendo integrantes da Corte. A sessão teve
pedido de vista do ministro Flávio Dino, adiando uma decisão sobre a tramitação
conjunta dos casos.
Ao
comentar o episódio, Lula cobrou uma apuração ampla e afirmou que todos os
envolvidos devem ser investigados, independentemente de cargo ou posição.
O
presidente do STF, Edson Fachin, foi diretamente citado pelo presidente da
República. Lula afirmou que, diante das informações já disponibilizadas à Corte
e da quebra de sigilos, Fachin teria condições de avançar na apuração sobre
eventuais responsabilidades.
“Não tem trégua, é preciso investigar todos, sem
distinção”,
afirmou Lula.
O
presidente também questionou a atuação do ministro André Mendonça na condução
de informações relacionadas ao caso e mencionou os ministros Dias Toffoli e
Kassio Nunes Marques, que não participaram da votação após declarações de
impedimento.
A
proposta de mudanças no Judiciário coloca novamente em discussão o modelo de
composição e funcionamento do STF. Lula defende que o debate alcance não apenas
a duração dos mandatos dos ministros, mas também os critérios utilizados para
suas escolhas e regras aplicáveis às demais instâncias do Judiciário.
As declarações ocorrem em um momento de forte tensão institucional no Supremo, com investigações e acusações envolvendo diferentes integrantes da Corte. Até o momento, as suspeitas discutidas nos processos são objeto de apuração e não equivalem, por si só, a comprovação de responsabilidade criminal.
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