terça-feira, 15 de setembro de 2026

Lula defende reforma profunda no Judiciário e cobra investigação sem distinção no STF

              Em meio à crise que envolve o Supremo Tribunal Federal (STF) e as investigações relacionadas ao Banco Master, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu, nesta terça-feira (15), uma reforma profunda no Poder Judiciário, com mudanças nos critérios de escolha dos ministros da Suprema Corte e a discussão sobre a adoção de mandatos para integrantes do STF. As declarações foram dadas durante entrevista ao Jornal da Record.

Lula afirmou que também é necessário estabelecer novos critérios para a atuação de magistrados, que, segundo ele, devem incluir mecanismos de transparência e regras para evitar conflitos de interesse.

“Acho que temos que ter uma reforma profunda no Poder Judiciário em que a gente discuta o tempo de mandato, o critério de escolher o candidato e como a pessoa pode ser escolhida”, declarou.

O presidente também defendeu o que chamou de “critérios de moralização” no Judiciário. Entre os pontos mencionados, citou a necessidade de regras sobre a atuação profissional de familiares de integrantes da Corte e afirmou que ministros não devem utilizar o cargo para enriquecimento.

A entrevista ocorreu no mesmo dia em que o STF protagonizou uma sessão marcada por divergências entre ministros durante a análise de questões relacionadas ao Banco Master e às suspeitas envolvendo integrantes da Corte. A sessão teve pedido de vista do ministro Flávio Dino, adiando uma decisão sobre a tramitação conjunta dos casos.

Ao comentar o episódio, Lula cobrou uma apuração ampla e afirmou que todos os envolvidos devem ser investigados, independentemente de cargo ou posição.

O presidente do STF, Edson Fachin, foi diretamente citado pelo presidente da República. Lula afirmou que, diante das informações já disponibilizadas à Corte e da quebra de sigilos, Fachin teria condições de avançar na apuração sobre eventuais responsabilidades.

“Não tem trégua, é preciso investigar todos, sem distinção”, afirmou Lula.

O presidente também questionou a atuação do ministro André Mendonça na condução de informações relacionadas ao caso e mencionou os ministros Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques, que não participaram da votação após declarações de impedimento.

A proposta de mudanças no Judiciário coloca novamente em discussão o modelo de composição e funcionamento do STF. Lula defende que o debate alcance não apenas a duração dos mandatos dos ministros, mas também os critérios utilizados para suas escolhas e regras aplicáveis às demais instâncias do Judiciário.

As declarações ocorrem em um momento de forte tensão institucional no Supremo, com investigações e acusações envolvendo diferentes integrantes da Corte. Até o momento, as suspeitas discutidas nos processos são objeto de apuração e não equivalem, por si só, a comprovação de responsabilidade criminal. 

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