segunda-feira, 28 de setembro de 2026

AGU aciona 17 bets na Justiça Federal e cobra R$ 1 bilhão por gastos do SUS com vício em apostas

             A Advocacia-Geral da União (AGU) ajuizou nesta segunda-feira (28) uma ação civil pública na Justiça Federal em Pernambuco contra 17 empresas operadoras de apostas esportivas eletrônicas. A iniciativa busca o ressarcimento aos cofres públicos pelos custos do Sistema Único de Saúde (SUS) no diagnóstico e tratamento de transtornos associados ao jogo compulsivo, fixando um pedido de indenização mínima de R$ 1 bilhão por danos morais coletivos.

A peça jurídica introduz ainda o pleito de restituição em dobro das quantias despendidas por usuários diagnosticados com ludopatia — transtorno psiquiátrico definido pela dependência patológica e incontrolável em apostas.

Na sustentação apresentada ao Judiciário, a AGU apontou uma assimetria financeira substancial: o impacto assistencial e orçamentário assumido pela rede pública hospitalar e psicossocial supera com folga a arrecadação tributária gerada pelo segmento. Segundo a petição, o setor repassa aproximadamente R$ 50 milhões em tributos à União, montante considerado insuficiente para cobrir o passivo sanitário decorrente da atividade.

Para o órgão de representação judicial da União, as plataformas montaram uma operação estruturalmente desproporcional ao transferir os efeitos colaterais de sua atividade de mercado para a saúde coletiva:

"As empresas demandadas privatizam proveitos expressivos decorrentes da captação financeira de milhões de apostadores, enquanto transferem para o SUS e para toda a sociedade o custo orçamentário decorrente do adoecimento coletivo", sustentou a instituição no processo.

A investida inaugura uma nova jurisprudência na regulação das apostas no Brasil ao equiparar a dinâmica de mercado das empresas de apostas à tese de responsabilidade civil amplamente aplicada a indústrias que geram ônus crônico à saúde, a exemplo dos setores tabagista e automobilístico. Caso os pedidos sejam acolhidos pelo tribunal federal, a decisão obrigará o setor a arcar diretamente com a infraestrutura médica estatal e poderá estabelecer um precedente obrigatório para o bloqueio e devolução de valores debitados de apostadores vulneráveis. 

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