Apesar
da manutenção do embargo financeiro para o reinício físico das obras,
pagamentos de serviços já executados e novos processos licitatórios foram
liberados pelo Tribunal.
O
Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu, nesta quarta-feira (15), manter a
suspensão da retomada das obras da Ferrovia Transnordestina no ramal
pernambucano, que liga o município de Salgueiro ao Porto de Suape. A
deliberação frustra a expectativa do Governo Federal e do Estado de assinar a
ordem de serviço ainda neste mês de julho. No entanto, a nova decisão traz
flexibilizações importantes: o impedimento não se aplica à realização de novos
processos licitatórios.
Durante
a sessão, o ministro-relator Jhonatan de Jesus acolheu parcialmente os embargos
de declaração apresentados. Com o novo entendimento da Corte, ficou assegurada
a validade dos contratos firmados antes da medida cautelar que paralisou o
projeto. Na prática, isso garante o pagamento por serviços previamente
prestados pelas empresas, bem como a quitação de estudos e projetos técnicos já
elaborados.
O
ramal de Pernambuco enfrenta restrições do TCU desde maio deste ano. Na
ocasião, o Tribunal determinou que o Ministério dos Transportes e a estatal
Infra S.A. se abstivessem de firmar novos compromissos financeiros para as
obras no trecho, alegando ausência de viabilidade atestada por estudos
técnicos, econômicos e ambientais consistentes.
Em
uma força-tarefa para destravar o empreendimento, a Superintendência do
Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) apresentou ao TCU, em junho, um robusto
levantamento técnico. O documento detalhou a viabilidade do trecho
Salgueiro-Suape sob a ótica da demanda de mercado e de seus impactos
socioeconômicos.
Segundo
o presidente da Sudene, Francisco Ferreira Alexandre, o estudo comprovou que a
ferrovia representa um valor social da ordem de R$ 4,7 bilhões, refletido na
geração de empregos, distribuição de renda e desenvolvimento logístico para a
região. A expectativa da autarquia era de que esses dados fossem suficientes
para a derrubada total do embargo nesta quarta-feira, o que acabou não se
confirmando na totalidade.
Com a decisão atual, o projeto avança no campo burocrático e de planejamento, através das licitações e estudos, mas as máquinas continuam impedidas de voltar aos canteiros de obras até que o mérito ambiental e econômico seja definitivamente pacificado pelo Tribunal.
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