segunda-feira, 13 de julho de 2026

Operação federal resgata trabalhadores de condições análogas à escravidão em Pernambuco

Ação da Auditoria-Fiscal do Trabalho (AFT) flagrou alojamentos degradantes, falta de água potável e uso irregular de explosivos em obras ligadas à Prefeitura de Santa Cruz. Empresa com sede em Petrolina é o alvo da autuação.

Uma operação de combate ao trabalho análogo à escravidão, cujos resultados foram divulgados nesta segunda-feira (13), revelou uma realidade alarmante nos canteiros de obras públicas do Sertão nordestino. Ao todo, 29 trabalhadores foram resgatados em Pernambuco e na Bahia, sendo nove deles no município pernambucano de Santa Cruz.

Em Pernambuco, o alvo da operação foi a Rocha Quirino Engenharia Ltda, empresa com sede em Petrolina. A Auditoria-Fiscal do Trabalho (AFT) inspecionou duas frentes de atuação da construtora no município de Santa Cruz: uma obra de pavimentação em paralelepípedos no bairro Vila Nova e uma pedreira localizada no Sítio Antonica. Ambas as frentes estão diretamente vinculadas ao contrato 048/2024, firmado entre a empresa e a Prefeitura Municipal de Santa Cruz, cujo objetivo é a implantação de pavimentação em vias urbanas.

O cenário encontrado pelos auditores expõe graves violações de direitos humanos e trabalhistas. Os profissionais, que atuavam no assentamento de pavimentos e na extração de pedras, foram submetidos a condições de moradia e trabalho incompatíveis com a dignidade humana.

Segundo o relatório da AFT, os alojamentos eram superlotados e não ofereciam qualquer privacidade. Os trabalhadores dormiam em colchões jogados diretamente no chão. Nas pedreiras, a situação era ainda mais precária: os abrigos improvisados consistiam em casebres e barracos de lona.

Além da infraestrutura habitacional insalubre, as frentes de trabalho careciam de estrutura básica. Faltava água potável, instalações sanitárias adequadas e áreas de vivência. Os auditores flagraram ainda um risco iminente de acidentes fatais: explosivos artesanais estavam sendo manuseados por trabalhadores sem qualquer tipo de habilitação ou equipamento de segurança.

A ofensiva, realizada entre os dias 30 de junho e 8 de julho, autuou três empresas de construção civil que prestavam serviços para entes públicos. Além das nove vítimas resgatadas em Santa Cruz (PE), a força-tarefa libertou 13 trabalhadores em Casa Nova e outros sete no município de Sento-Sé, ambos no estado da Bahia.

As empresas envolvidas responderão administrativamente e judicialmente pelas infrações, devendo arcar com o pagamento das verbas rescisórias e indenizações por danos morais aos trabalhadores resgatados. 

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