A
medida busca reduzir as taxas de juros para motoristas e entregadores ao usar
recebíveis futuros como garantia, mas Ministério da Fazenda ainda enfrenta
impasses técnicos e calendário eleitoral apertado.
O
governo federal avança nas discussões para regulamentar uma linha de crédito
consignado voltada especificamente para motoristas e entregadores de
aplicativos. O objetivo central é baratear o custo do crédito para esses
profissionais, permitindo que eles utilizem seus pagamentos futuros na
plataforma como garantia de empréstimo. No entanto, o lançamento da medida
ainda neste ano é incerto devido a desafios técnicos no Ministério da Fazenda e
à pressão do calendário eleitoral.
A
iniciativa tem como base a Lei 15.179, sancionada em julho de 2025, que
instituiu as novas regras para o consignado privado. Pela legislação, essa
categoria de trabalhadores passa a ter autorização para oferecer seus
recebíveis futuros como lastro em operações de crédito.
A
criação de um modelo com garantias reais promete aliviar o custo financeiro
para os trabalhadores. Segundo dados do Banco Central referentes a maio, a
diferença entre as modalidades de crédito é expressiva:
- Crédito
pessoal sem garantias:
Juros médios de 142,7% ao ano (cerca de 7,7% ao mês).
- Crédito
pessoal com garantias:
Juros médios de 26,3% ao ano (pouco menos de 2% ao mês).
Para
que o novo consignado chegue ao mercado, a equipe econômica precisa resolver
gargalos operacionais complexos. O principal deles é criar um sistema que
forneça às instituições financeiras o histórico de ganhos de cada trabalhador
e, simultaneamente, permita "travar" o percentual do repasse que será
direcionado ao pagamento da parcela do empréstimo.
A
definição do limite de crédito é o ponto de maior tensão. O modelo atual de
trabalho por aplicativo impõe altos custos operacionais aos profissionais —
como combustível, manutenção e depreciação do veículo —, que frequentemente
consomem mais da metade do valor bruto repassado pelas plataformas.
Embora
a lei atual permita um desconto em folha de até 30% do repasse total, há um
temor interno no governo de que esse teto comprometa a sobrevivência financeira
dos motoristas e entregadores, reduzindo drasticamente a renda líquida
disponível para o sustento básico.
Para mitigar esse risco, técnicos avaliam a possibilidade de estabelecer uma trava atrelada ao "mínimo existencial" — atualmente fixado em R$ 600 —, garantindo que os descontos do empréstimo não reduzam a renda líquida do trabalhador para baixo desse patamar de sobrevivência.
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