A
declaração foi feita durante entrevista ao podcast Inteligência Ltda, a
primeira concedida pelo presidente desde o início das convenções partidárias.
Segundo Lula, integrantes do governo norte-americano demonstram interesse no
resultado do pleito brasileiro.
"Eles vão tentar interferir aqui, vão tentar ajudar
o lado de lá a ganhar as eleições", afirmou o presidente.
Durante
a entrevista, Lula endureceu o tom contra a política externa dos Estados Unidos
e afirmou que o objetivo do governo norte-americano seria ampliar sua
influência sobre a América Latina.
"Eles querem que a América Latina volte a ser o
quintal dos Estados Unidos",
declarou.
Apesar
das críticas, o presidente destacou que mantém diálogo com o presidente
norte-americano Donald Trump. Lula relembrou encontros realizados em 2025 e em
maio deste ano, quando, segundo ele, apresentou propostas de cooperação
bilateral nas áreas de combate ao crime organizado, narcotráfico, comércio
exterior e exploração de minerais estratégicos.
Lula
também voltou a comentar as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre
produtos brasileiros, tema que tem marcado as relações diplomáticas entre os
dois países desde o ano passado.
Sem
citar nominalmente Flávio e Eduardo Bolsonaro, o presidente associou a política
tarifária norte-americana à atuação de aliados da oposição brasileira nos
Estados Unidos.
"Você veja, os 'filho' do Satanás foram para os
Estados Unidos trabalhar contra o Brasil", afirmou.
Em
maio deste ano, Flávio Bolsonaro e o deputado federal Eduardo Bolsonaro
participaram de um encontro extraoficial em Washington, fato mencionado pelo
presidente durante a entrevista.
Questionado
sobre o novo pacote de tarifas aplicado pelos Estados Unidos às exportações
brasileiras, Lula afirmou que o governo manterá uma postura de enfrentamento.
"Nós vamos combater elas", disse.
Antes
da entrada em vigor da nova rodada de sobretaxas, o governo federal já havia
anunciado medidas para reduzir os impactos sobre o setor produtivo, entre elas
o programa Brasil Soberano 2, voltado ao apoio das empresas afetadas pelas
restrições comerciais impostas pelos Estados Unidos.
As
declarações ampliam o tom da disputa política entre governo e oposição em um
momento de intensificação da pré-campanha presidencial e de tensão diplomática
entre Brasília e Washington.
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