quinta-feira, 21 de maio de 2026

TJPE mantém condenação de Sarí Corte Real no caso Miguel

            O Tribunal de Justiça de Pernambuco decidiu manter a condenação de Sarí Corte Real a sete anos de prisão pelo crime de abandono de incapaz com resultado morte do menino Miguel Otávio Santana da Silva, de apenas cinco anos.

A decisão foi tomada nesta quinta-feira (21), após julgamento de embargos infringentes apresentados pela defesa da ré. O placar apertado expôs a divisão entre os desembargadores da Seção Criminal do TJPE: seis magistrados votaram pela manutenção da pena de sete anos em regime inicialmente fechado, enquanto outros cinco defenderam a redução para seis anos em regime semiaberto.

O julgamento reacendeu a memória de um dos episódios mais dolorosos e emblemáticos da história recente de Pernambuco, caso que provocou comoção nacional, debates sobre desigualdade social, racismo estrutural e responsabilidade criminal.

A sessão teve início às 14h16 com a sustentação oral do advogado Jailson Rocha, assistente de acusação que representa Mirtes Renata Santana de Souza.

Durante sua fala, o advogado defendeu a manutenção integral da condenação.

“A correta aplicação da lei é a resposta mínima que a Justiça pode fazer pela memória de Miguel. Defendemos a manutenção da decisão anterior, que definiu a pena de sete anos de reclusão com regime inicial fechado, nos termos do voto do desembargador Eudes França. O crime de abandono de incapaz independe da idade da criança. Não importa se tem 5, 6 ou 11 anos de idade”, afirmou.

A defesa de Sarí, conduzida pelo advogado Célio Avelino, pediu a redução da pena. Após a derrota no TJPE, os advogados anunciaram que devem recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Apesar da manutenção da condenação, Sarí Corte Real continuará respondendo em liberdade até o trânsito em julgado do processo.

O caso remonta ao dia 2 de junho de 2020, em plena fase crítica da pandemia da Covid-19. Na ocasião, Mirtes Renata levou o filho para o apartamento da patroa, em um edifício de luxo localizado no bairro de São José, área central do Recife, porque as creches estavam fechadas e ela não tinha com quem deixar a criança.

Enquanto Mirtes desceu para passear com o cachorro da família, Miguel tentou procurar a mãe. Imagens do circuito interno de segurança registraram o momento em que o menino entrou sozinho no elevador do prédio.

As gravações mostram Sarí tentando impedir a entrada da criança por alguns instantes, mas logo em seguida apertando o botão do elevador e permitindo que Miguel subisse desacompanhado enquanto ela retornava para dentro do apartamento.

Sozinho, o menino acessou uma área de maquinaria do edifício, alcançou uma janela e caiu de uma altura elevada, morrendo no local.

O episódio se transformou em símbolo nacional de debate sobre relações de trabalho doméstico, desigualdade racial e responsabilidade social das elites brasileiras.

Cinco anos após a tragédia, a manutenção da condenação pelo TJPE reforça a continuidade da responsabilização judicial no caso que marcou Pernambuco e o país. 

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