quinta-feira, 21 de maio de 2026

TCE derruba “supersalários” em Pesqueira e expõe esquema de férias milionárias no alto escalão

            Uma decisão do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco provocou forte repercussão política em Pesqueira e colocou sob investigação um modelo de pagamentos que vinha causando indignação entre servidores públicos e parte da população: a liberação de verdadeiros “supersalários” para integrantes do alto escalão da Prefeitura.

A medida cautelar foi concedida pelo conselheiro Rodrigo Novaes após representação apresentada pelo advogado Geraldo Cristovam dos Santos Júnior, denunciando a prática da conversão integral de férias em dinheiro para secretários municipais e ocupantes de cargos comissionados.

Segundo a denúncia encaminhada ao Tribunal, secretários com subsídio fixado em R$ 9.500 passaram a receber valores próximos de R$ 22 mil em determinados meses, graças ao pagamento integral das férias em pecúnia — mecanismo que nos bastidores políticos passou a ser tratado como uma espécie de “14º salário” destinado à elite da administração municipal.

O caso ganhou ainda mais repercussão diante da disparidade no tratamento dado aos servidores públicos da Prefeitura. Enquanto servidores efetivos e trabalhadores comuns não possuem autorização para converter integralmente férias em dinheiro, integrantes do primeiro escalão da gestão municipal estavam sendo beneficiados com pagamentos considerados elevados às custas dos cofres públicos.

Na decisão, o Tribunal de Contas reconheceu fortes indícios de irregularidade e determinou a suspensão imediata de novos pagamentos relacionados à conversão total ou parcial de férias em pecúnia para agentes políticos e servidores em atividade.

O relator destacou que a legislação municipal assegura apenas o direito ao gozo das férias acrescidas do terço constitucional, sem previsão legal expressa autorizando a transformação integral do período de descanso em pagamento financeiro para agentes políticos.

A decisão caiu como uma bomba no cenário político de Pesqueira e ampliou o debate sobre moralidade administrativa, privilégios no serviço público e responsabilidade na gestão dos recursos municipais.

Nos bastidores, o caso já é tratado como uma das maiores crises administrativas recentes envolvendo a estrutura financeira da Prefeitura, especialmente em um momento de cobranças por melhorias nos serviços públicos e valorização dos servidores efetivos.

A cautelar do TCE também pode abrir caminho para novas apurações sobre pagamentos realizados anteriormente e eventual responsabilização administrativa dos envolvidos.

O episódio aumenta a pressão política sobre a gestão municipal e reforça a atuação dos órgãos de controle no acompanhamento das despesas públicas em Pernambuco. 

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