Entre estradas extensas,
clima seco e cidades historicamente decisivas para o cenário político estadual,
os dois principais nomes da sucessão estadual adotam estratégias distintas, mas
com o mesmo objetivo: consolidar presença e ampliar alianças no interior.
Raquel Lyra desembarca no
Sertão respaldada pela força administrativa do Governo do Estado. A agenda, que
segue até o sábado, contempla municípios do Sertão Central, Araripe e São
Francisco, com anúncios de obras, entregas de equipamentos e ordens de serviço.
A governadora aposta na
imagem de gestão presente e executora. Entre os compromissos estão inaugurações
de centros de referência, entrega de ônibus escolares, investimentos na saúde e
autorização de obras estruturadoras.
Em Araripina, a visita ganha
peso político especial. Ao lado do prefeito Evilásio Mateus, Raquel autoriza o
início das obras da Adutora de Negreiros — projeto aguardado há anos na região.
Nos bastidores, aliados da
governadora alimentavam expectativa sobre um possível anúncio de adesão
política de Evilásio ao projeto de reeleição estadual. O gestor, porém, tratou
de esfriar as especulações.
“Zero chance. Não
existe isso, não. Sou prefeito da cidade e vou recebê-la como prefeito”,
afirmou Evilásio, reforçando que mantém apoio aos nomes que já defende
politicamente, como Roberta Arraes, Fernando Filho, Fernando Dueire e Miguel
Coelho — todos aliados da governadora.
Enquanto Raquel aposta na
vitrine institucional, João Campos chega ao Sertão com foco político e
estratégico. O ex-prefeito do Recife desembarca na região nesta sexta-feira,
visitando Petrolina, Dormentes e Lagoa Grande.
Mesmo sem o apoio formal de
prefeitos nesses municípios, João tenta demonstrar capacidade de articulação e
manutenção de capital político no interior. A agenda contará com lideranças
influentes do Sertão, como o ex-deputado Gonzaga Patriota, as ex-prefeitas Josimara
Cavalcanti e Eliane Soares, além do deputado federal Lucas Ramos.
A passagem por Petrolina
carrega um componente ainda mais delicado: será a primeira visita de João
Campos à cidade após o rompimento político com o grupo Coelho, tradicional
força política do São Francisco.
Sem a estrutura dos antigos
aliados, o ex-prefeito do Recife tenta demonstrar que ainda possui musculatura
eleitoral na região e capacidade de construir um novo palanque sertanejo para
2026.
No Sertão, onde a
resistência sempre foi parte da sobrevivência, a política continua obedecendo à
mesma lógica: presença, articulação e força territorial seguem sendo
determinantes para quem deseja chegar ao Palácio do Campo das Princesas.
Com agendas paralelas, discursos distintos e movimentos cuidadosamente calculados, Raquel Lyra e João Campos começam a transformar o interior pernambucano no principal campo de batalha da sucessão estadual.
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