Em
entrevista, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, destacou que uma das
principais iniciativas em estudo prevê a liberação de um saque extraordinário e
limitado do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), com a finalidade
específica de quitar dívidas mais caras. Segundo ele, a medida está sendo cuidadosamente
desenhada para preservar a sustentabilidade do fundo.
O
ministro explicou que há duas frentes em análise envolvendo o FGTS. A primeira
trata de ajustes relacionados ao saque-aniversário vinculado ao crédito
consignado, que pode resultar na devolução de cerca de R$ 7 bilhões aos
trabalhadores. Já a segunda proposta prevê a possibilidade de saque de até 20%
do saldo da conta individual, direcionado a trabalhadores com renda de até
cinco salários mínimos — grupo que, de acordo com o governo, representa
aproximadamente 92% da população.
A
estratégia do governo também envolve a atuação conjunta com instituições
financeiras. A ideia é incentivar bancos a oferecerem condições mais vantajosas
para renegociação, com redução significativa dos juros e do saldo devedor. Para
isso, o governo pretende utilizar o Fundo de Garantia de Operações (FGO) como
mecanismo de proteção contra eventuais inadimplências nas novas operações.
De
acordo com Dario Durigan, a expectativa é que os acordos de renegociação tragam
descontos expressivos, podendo chegar a até 90% do valor das dívidas. A meta é
alcançar mais de 30 milhões de brasileiros, ampliando o impacto social da
iniciativa.
O
ministro também contextualizou o cenário econômico recente, apontando que,
embora programas anteriores tenham contribuído para a redução do endividamento,
a elevação da taxa básica de juros nos últimos meses voltou a pressionar o
orçamento das famílias e empresas. Segundo ele, há uma relação direta entre o
aumento dos juros e o crescimento das dívidas, especialmente entre
trabalhadores informais, pequenos empreendedores e consumidores de baixa renda.
O pacote em elaboração busca, portanto, equilibrar responsabilidade fiscal com medidas de estímulo econômico, criando condições para que milhões de brasileiros reorganizem suas finanças e retomem o consumo de forma mais sustentável.
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