domingo, 22 de março de 2026

Suspensão de cirurgias eletivas em Pernambuco gera reação política e cobrança por transparência

              A decisão do Governo de Pernambuco de suspender temporariamente cirurgias eletivas na rede estadual de saúde provocou forte repercussão política e acendeu o alerta entre pacientes que aguardam procedimentos há meses — e, em alguns casos, há anos. A medida, segundo denúncia do deputado estadual Romero Albuquerque, teria sido formalizada por meio de despacho interno, sem ampla divulgação à população.

De acordo com o parlamentar, a determinação partiu da Secretaria Executiva de Atenção à Saúde (SEAS) e estabelece a interrupção dos procedimentos entre os dias 18 de março e 1º de abril de 2026. A ausência de um comunicado oficial público ou de justificativa técnica detalhada intensificou as críticas à condução da decisão.

A suspensão atinge diretamente milhares de pernambucanos que aguardam cirurgias consideradas não urgentes, mas essenciais para a qualidade de vida, como retirada de vesícula, correção de hérnias e procedimentos ginecológicos.

Muitos desses pacientes já enfrentam longas filas no Sistema Único de Saúde (SUS), com relatos de espera superior a dois anos. A interrupção, segundo críticos, amplia ainda mais o tempo de espera e pode agravar quadros clínicos.

O deputado Romero Albuquerque questionou a forma como a medida foi adotada, destacando a falta de transparência e comunicação com a população. Ele também apontou contradição entre a decisão e declarações recentes da governadora Raquel Lyra, que havia afirmado que 2026 seria “o ano da saúde pública” no estado.

Outro ponto levantado foi a situação do Hospital da Restauração, que, segundo o parlamentar, registra superlotação, com mais de 300% de ocupação na emergência e pacientes aguardando leitos de UTI em condições críticas.

Romero Albuquerque também comparou a decisão atual com medidas adotadas durante a pandemia da COVID-19. Na ocasião, suspensões semelhantes foram acompanhadas de decretos oficiais, respaldo legal e ampla comunicação à sociedade.

Para o deputado, a adoção de um despacho interno, sem transparência pública, representa um retrocesso na gestão da saúde.

Diante da situação, o parlamentar protocolou um requerimento solicitando esclarecimentos ao Governo do Estado. Entre os pontos cobrados estão:

  • Publicação de decreto de emergência em saúde pública;
  • Apresentação de cronograma para retomada das cirurgias;
  • Divulgação da lista de pacientes afetados;
  • Plano de comunicação individual com os usuários;
  • Responsabilização em casos de agravamento clínico decorrente da suspensão.

O caso deve ganhar novos desdobramentos nos próximos dias, com pressão política e expectativa de posicionamento oficial do governo estadual. 

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