domingo, 8 de março de 2026

Pernambuco cria força-tarefa após aumento de feminicídios

            Diante do crescimento preocupante dos casos de feminicídio em Pernambuco, o Governo do Estado decidiu adotar uma nova estratégia para enfrentar a violência de gênero. A Secretaria de Defesa Social de Pernambuco instituiu uma força-tarefa com o objetivo de aprofundar a análise de dados, monitorar ocorrências e desenvolver ações mais eficazes de prevenção e repressão aos crimes contra mulheres.

A criação do grupo foi oficializada por meio de uma portaria publicada na sexta-feira (6), assinada pelo secretário Alessandro Carvalho. A iniciativa surge em meio ao aumento dos índices de feminicídio registrados no estado ao longo de 2025, cenário que acompanha uma tendência observada em diversas regiões do país.

Segundo dados da própria SDS, Pernambuco contabilizou 88 vítimas de feminicídio em 2025. O número representa um crescimento de 15,7% em relação a 2024, quando foram registrados 76 casos. A escalada da violência também se manteve no início deste ano: apenas em janeiro de 2026, dez mulheres foram assassinadas por razões de gênero, dois casos a mais do que no mesmo período do ano anterior.

No documento que regulamenta a criação do grupo, o secretário destacou a necessidade de fortalecer as políticas públicas voltadas ao enfrentamento da violência contra a mulher. O texto ressalta a importância de ampliar mecanismos de prevenção, qualificar as ações repressivas e aperfeiçoar os protocolos operacionais utilizados pelas forças de segurança.

Entre as atribuições da força-tarefa está a elaboração de um diagnóstico permanente sobre a violência de gênero no estado. O estudo deverá reunir estatísticas oficiais, relatórios de inteligência policial e análises técnicas capazes de identificar padrões, áreas críticas e perfis de risco.

O grupo também terá a missão de propor e acompanhar a implantação de protocolos integrados de atendimento às vítimas, priorizando o acolhimento humanizado e o tratamento ágil de ocorrências consideradas de alto risco ou com histórico de reincidência.

Outro eixo de atuação envolve o acompanhamento das medidas protetivas determinadas pela Justiça. A força-tarefa deverá monitorar o cumprimento dessas determinações e supervisionar agressores que utilizam tornozeleira eletrônica, ferramenta empregada para garantir o distanciamento das vítimas.

Além disso, a equipe ficará responsável por sugerir ações voltadas ao cumprimento de mandados de prisão relacionados a crimes de violência doméstica e familiar, reforçando a fiscalização sobre agressores e ampliando a efetividade das investigações.

Os números da violência doméstica em Pernambuco também chamam atenção. Em 2025, as autoridades registraram 42.887 denúncias desse tipo de crime em todo o estado. A capital, Recife, concentrou o maior volume de ocorrências, com 7.038 casos.

Para especialistas em segurança pública, o fortalecimento da análise de dados e a integração entre diferentes órgãos podem ser decisivos para reduzir a violência contra mulheres e ampliar a eficácia das políticas de proteção às vítimas. 

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