sábado, 7 de março de 2026

João Campos evita prejulgamento e sai em defesa de Miguel Coelho após operação da Polícia Federal

                 Em meio à movimentação política que já começa a desenhar o cenário das eleições de 2026 em Pernambuco, o prefeito do Recife e presidente nacional do Partido Socialista Brasileiro, João Campos, adotou um tom cauteloso ao comentar a situação do ex-prefeito de Petrolina e presidente estadual do União Brasil, Miguel Coelho. O gestor recifense afirmou que não pretende fazer julgamentos precipitados após a operação da Polícia Federal que investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos envolvendo emendas parlamentares e possíveis fraudes em licitações.

A investigação, denominada Operação Vassalos, foi deflagrada no último dia 25 de fevereiro e gerou forte repercussão no meio político. Questionado se o nome de Miguel Coelho permanece entre as possibilidades para compor uma das vagas ao Senado em uma eventual aliança política, João Campos destacou que prefere aguardar o andamento das apurações antes de qualquer avaliação definitiva.

“Eu jamais vou fazer prejulgamento na política. Acho que se a gente prejulga qualquer pessoa, qualquer ato, a gente corre um sério risco de cometer uma injustiça”, declarou.

Apesar do contexto investigativo, o prefeito do Recife fez questão de ressaltar o histórico político do aliado. Segundo ele, Miguel Coelho reúne atributos que o credenciam a disputar cargos majoritários. “Eu não tenho nenhuma dúvida de que Miguel é uma pessoa preparada, foi um grande prefeito de Petrolina, tem capacidade política e de gestão, além de presidir um partido importante. O principal é que saiu da prefeitura com cerca de 90% de aprovação popular”, afirmou.

As declarações foram dadas na manhã da última sexta-feira (6), pouco antes de João Campos inaugurar a primeira etapa do Parque Linear do Rio Pina, localizado na Vila Icapuí, no bairro do Pina, na zona sul do Recife. O projeto recebeu investimento de aproximadamente R$ 5,2 milhões e representa uma intervenção urbana considerada histórica na área, que anteriormente era ocupada por cerca de 400 palafitas e moradias precárias. A iniciativa deve beneficiar aproximadamente 12 mil moradores de seis comunidades da região.

Durante a entrevista coletiva, João Campos também abordou a discussão sobre a formação da chapa majoritária que poderá disputar o governo de Pernambuco em 2026. O socialista descartou a possibilidade de candidaturas isoladas ao Senado dentro do campo aliado e defendeu um modelo tradicional de composição.

A declaração ocorre após reunião realizada em Brasília com o presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, Edinho Silva. Participaram ainda do encontro o senador Humberto Costa e o deputado federal Carlos Veras.

De acordo com João Campos, a estratégia defendida pelos partidos aliados é evitar a pulverização de votos na disputa ao Senado, o que poderia favorecer candidaturas da oposição. “Se você tem uma chapa majoritária, é natural que ela seja composta por um candidato ao governo, um vice e dois candidatos ao Senado. Esse é o arranjo padrão que acontece no Brasil inteiro”, explicou.

A fala reforça a articulação política em torno da construção de uma frente ampla para as eleições estaduais, cenário no qual João Campos desponta como um dos nomes mais cotados para disputar o governo de Pernambuco. 

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